IÉMEN: Igreja recordou martírio de quatro Missionárias da Caridade, assassinadas há dez anos em Aden

Foi celebrada ontem, em Abu Dhabi, uma Missa em memória das quatro religiosas assassinadas no Iémen no dia 4 de Março de 2016, há dez anos. O Bispo Paolo Martinelli, vigário apostólico da Arábia Meridional, disse que as irmãs “deram as suas vidas servindo os mais pobres, sem distinção”.

Quatro Missionárias da Caridade – a congregação fundada pela Santa Madre Teresa de Calcutá – foram assassinadas a tiro por terroristas há dez anos, no dia 4 de Março de 2016, na casa onde viviam em Aden, no Iémen, onde também geriam um lar de idosos. Ontem, Quarta-feira, foi celebrada uma Missa na Catedral de São José, em Abu Dhabi, em memória destas quatro mártires da Igreja. Na ocasião, o vigário apostólico da Arábia Meridional afirmou que “celebrar este aniversário num momento em que toda a região do Golfo atravessa um grave conflito, é uma fonte de esperança”.

Citado pelo portal de notícias do Vaticano, D. Paolo Martinelli disse ainda que as quatro religiosas “deram as suas vidas – e algumas ainda o fazem hoje no Iémen – servindo os mais pobres sem distinção, testemunhando a caridade de Cristo que supera todas as barreiras”.

O testemunho das Missionárias da Caridade mortas em Aden continua a alimentar a vida da nossa Igreja – acrescentou o prelado – e desafia-nos a viver a nossa fé todos os dias com alegria e compromisso.”

O ataque dos terroristas na manhã do dia 4

O dia 4 de Março de 2016 ficou marcado na história da Igreja pelo assassinato brutal das quatro religiosas: a Irmã Anselm, da Índia; a Irmã Judith, oriunda do Quénia; e as Irmãs Margarita e Reginette, ambas do Ruanda. Homens armados entraram na casa das religiosas passavam trinta minutos das 8h da manhã. As quatro Missionárias da Caridade e outras 12 pessoas que as ajudavam, foram assassinadas por terroristas enquanto serviam o café da manhã aos idosos e deficientes, no albergue de Aden.

Morreram com os aventais vestidos. Estavam a servir o café. Numa carta, revelada depois do assassinato, as irmãs contavam que já estavam habituadas a escutar tiros e bombardeamentos. O país estava em guerra. Um conflito terrível que tinha começado dois anos antes, opondo a guerrilha xiita dos houthies e o Governo sunita.

Nessa carta relatavam que, quando os bombardeamentos eram mais fortes, as irmãs se escondiam debaixo das escadas, sempre juntas. “Vivemos juntas, morreremos juntamente com Jesus e Maria, nossa Mãe”, previam já na missiva. E de facto viveram e morreram juntas. Apenas uma das irmãs não foi assassinada.

A irmã que também rezava em português

Uma das religiosas, Margarita, falava português, pois tinha vivido quatro anos no Brasil. A sua simplicidade contagiante deixou marcas. O Arcebispo emérito de São Salvador da Bhaia conheceu-a quando ela esteve por lá em missão em várias favelas, cerca de duas décadas antes, “para trabalhar com pobres e idosos abandonados”.

E recentemente, num dos aniversários do martírio das irmãs, D. Murilo Krieger garantia que ainda havia quem se lembrasse da religiosa com saudade. Pessoas que se recordam da sempre alegre Irmã Margarida. “Gostava de brincar com as crianças e de visitar famílias. Onde ia, preocupava-se em ensinar a oração do terço”, disse o Arcebispo.

Na altura do ataque, além das religiosas estava também na casa o Padre Tom Uzhunnalil. O sacerdote salesiano, oriundo da Índia, acabaria por ser sequestrado pelos terroristas tendo ficado em cativeiro durante mais de um ano, sendo libertado apenas em Setembro de 2017. Na oração do Angelus no dia 6 de Março de 2016, dois dias apenas após o assassinato das quatro religiosas, o Papa Francisco referiu-se a elas como “mártires”.

“Rezo por elas e pelas outras pessoas vítimas do ataque, e pelos familiares. Estes são os mártires de hoje! Não são capas de jornais, não são notícia: derramam o seu sangue pela Igreja. Estas pessoas são vítimas do ataque daqueles que os assassinaram e também da indiferença, desta globalização da indiferença, à qual não importa… Que Madre Teresa acompanhe ao paraíso estas suas filhas mártires da caridade, e interceda pela paz e pelo sagrado respeito da vida humana”, disse então o Santo Padre.

Na Quaresma de 2021, a Fundação AIS em Portugal recordou a história destas quatro religiosas como exemplo – a par de outros – de verdadeiros heróis da fé, pessoas que, já neste século, ofereceram as suas vidas por Deus e pelos seus irmãos.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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