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HAITI - Ajuda de emergência

O balanço ainda é provisório. O forte sismo que atingiu o Haiti no passado dia 14 de Agosto provocou cerca de 2.200 mortos, mais de 12 mil feridos, destruiu 53 mil habitações e provocou danos em outras cerca de 77 mil. Há ainda centenas de desaparecidos. Calcula-se que 600 mil pessoas precisam de ajuda humanitária. Este sismo foi quase um golpe de misericórdia para muitas famílias atoladas no desemprego e na pobreza que caracterizam a vida do Haiti, um dos países mais pobres do mundo.

Muitos ainda têm presente o violento terramoto que sacudiu o país há precisamente 11 anos e sete meses. As consequências desse abalo sísmico ainda hoje são visíveis e perturbam qualquer um, dada a magnitude do desastre: mais de 200 mil mortos e quase 1,5 milhões de desalojados. O país ainda não se tinha refeito dessa tragédia que comoveu o mundo inteiro quando a terra, traiçoeira, voltou a abanar neste mês de Agosto e a engolir novamente vidas e a esperança numa vida melhor de todo um povo.

A Fundação AIS lançou de imediato uma campanha de ajuda de emergência para o Haiti. Logo nas primeiras horas, quando começaram a surgir notícias do abalo sísmico, ainda no sábado, 14 de Agosto, a Ajuda à Igreja que Sofre mobilizou-se a nível internacional. Era preciso contactar com os Bispos, padres e religiosas especialmente nas dioceses mais flageladas, no sul do país. Les Cayes, Anse-á-Veau e Jeremie são três dessas dioceses. O Padre Jean-Jacques Saint-Louis, Superior Provincial dos Padres Montfortinos no Haiti, está em Jeremie.

O balanço ainda é provisório.

As suas palavras retratam a dimensão da catástrofe. “A situação é insustentável. As pessoas estão demasiado assustadas para regressarem às suas casas. Temos que providenciar comida, roupa, água, medicamentos e abrigo temporário. De momento, isto é o mais importante….”

A Diocese de Jeremie foi das mais afectadas. Nem as estruturas da Igreja foram poupadas, apesar de serem normalmente dos edifícios mais robustos. Pelas informações recebidas entretanto pela Fundação AIS, calcula-se que cerca de metade das igrejas existentes na diocese ficaram danificadas, incluindo a Catedral de São Luís.

Mas 11 igrejas não tiveram a mesma sorte e colapsaram por completo. Triste cenário quando existiam ainda cerca de uma dezenas de outras igrejas em ruínas após a passagem do furação Matthew pelo território… O balanço que nos chega do outro lado do Oceano é dramático. Há ainda mais de trinta casas paroquiais danificadas, 25 escolas da igreja e vários centros de saúde destruídos.

A diocese de Las Cayes transformou-se num autêntico cemitério a céu aberto. Em poucas horas após o terramoto já se contabilizavam, só aqui, quase 700 mortos e mais de 2100 feridos. As populações locais, já de si muito pobres, ficaram agora de mãos completamente vazias. Muitos perderam as casas onde viviam. Agora são sem-abrigo. Calcula-se que mais de 11.500 habitações foram danificadas. Também nesta diocese, os edifícios da Igreja foram atingidos com muita violência. 135 igrejas ficaram destruídas e mais de uma centena estão danificadas. O Cardeal Chibly Langlois, da diocese de Les Cayes, tem estado em contacto permanente com a Fundação AIS.

As estatísticas são alarmantes, mas não passam de uma amostra do sofrimento da população.

Providenciar abrigo a quem perdeu tudo é a sua maior prioridade. “Até ao momento, ainda não recebemos nenhuma tenda. As pessoas estão a dormir no chão. Não há água, nem electricidade, nem comida, nem roupa…”, diz-nos. As suas palavras são o retrato da absoluta devastação que atingiu o Haiti. Perante a tragédia, o Cardeal agradece a proximidade e preocupação dos benfeitores da Fundação AIS em Portugal e em todo o mundo. “Agradeço a vossa preocupação para com a nossa diocese.


Estou comovido com essa proximidade, especialmente neste momento difícil após o terramoto”, disse o Cardeal. “Milagrosamente, escapámos ilesos, mas muitas pessoas perderam a vida, entre elas o Padre Jacques Percy, um padre reformado que estava hospedado na casa do bispo. Obrigado por se lembrarem dele nas vossas orações”, pediu ainda o Cardeal Langlois à Fundação AIS.

O terramoto do dia 14 de Agosto veio revelar ao mundo a enorme tragédia em que se transformou o Haiti nos últimos anos, vítima de catástrofes naturais e também de uma crónica crise política que se tem transformado também num poderoso obstáculo para a resolução dos problemas do país. Ainda em Junho, o presidente da República, Jovenal Moïse foi assassinado, agravando uma situação de profunda insegurança, numa altura em que o Haiti estava a ser assolado por uma onda de raptos e de violência.

Neste contexto, as palavras do Bispo de Jeremie, D. Joseph Gontrand Decoste, ganham um relevo ainda maior. Numa mensagem enviada para os benfeitores da Fundação AIS, o prelado fez questão de deixar uma palavra “de profunda gratidão pela vossa proximidade espiritual, pela vossa solidariedade, pelo vosso apoio moral e espiritual e por toda a ajuda que deram à diocese para lidar com esta situação catastrófica, tão cheia de angústia e sofrimento”. Uma ajuda que, seguramente, irá continuar a chegar a este martirizado país.


Não podemos abandonar esta Igreja que luta para apoiar o seu povo nestes tempos difíceis. Em nome da Igreja do Haiti, agradecemos a sua generosidade para com estes irmãos em necessidade, para com estas famílias que nos têm lançado, todos os dias, angustiantes pedidos de socorro.Que Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, padroeira e protectora do Haiti, os proteja e conforte.

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