CUBA: Papa sublinha o alerta da Igreja para o “caos e violência social” que o bloqueio do petróleo pode provocar

Na Sexta-feira, dia 30, Donald Trump assina ordem executiva a ameaçar com tarifas os países que vendam petróleo a Cuba. No sábado, 31, os bispos cubanos publicam uma mensagem em que pedem diálogo e alertam para o “perigo real” de que o corte de fornecimento de petróleo pode vir a causar “caos social e violência”.

No dia seguinte, Domingo, 1 de Fevereiro, o Papa Leão XIV afirma que acompanha “com grande preocupação” o “aumento das tensões” entre os dois países. A AIS pede aos seus benfeitores para rezarem por Cuba neste momento potencialmente crítico que se está a viver.

“Recebi, com grande preocupação, notícias sobre um aumento das tensões entre Cuba e os Estados Unidos da América, dois países vizinhos”, afirmou Leão XIV neste Domingo, dia 1, após a recitação do Angelus.

Falando desde a janela do apartamento pontifício para os milhares de peregrinos que se encontravam na Praça de São Pedro, o Santo Padre fez referência à mensagem divulgada no dia anterior pela Conferência de Bispos Católicos de Cuba, em que se refere à situação de crise energética no país das caraíbas e após uma ordem executiva de Donald Trump em que o presidente dos Estados Unidos ameaça impor tarifas aos países que forneçam petróleo a Cuba.

Uno-me à mensagem dos bispos cubanos, convidando todos os responsáveis a promover um diálogo sincero e eficaz para evitar a violência e qualquer acção que possa aumentar o sofrimento do querido povo cubano.”

A sucessão ininterrupta destas mensagens ajuda a compreender a situação potenicalmente perigosa que se está a viver. A ordem executiva de Trump foi assinada na Sexta-feira, dia 30. No dia seguinte, Sábado, os bispos divulgam a sua mensagem alertando para o risco de caos e violência que poderão irromper na ilha face ao sufoco energético. E apenas algumas horas depois, já no Domingo, dia 1, o Papa Leão XIV fala também de Cuba para dar o seu público apoio aos responsáveis locais da Igreja.

Cuba precisa de mudanças “com urgência”

A mensagem dos bispos, dirigida a “todos os cubanos de boa vontade”, e que foi lida em todas as missas celebradas no passado domingo, é um poderoso retrato da situação de colapso social que se está prestes a viver na ilha.  “As notícias recentes, anunciando, entre outras coisas, a eliminação de qualquer possibilidade de entrada de petróleo no país, soaram o alarme, especialmente para os mais vulneráveis”, escrevem os bispos. “O risco de caos social e violência entre os seus próprios filhos é real. Nenhum cubano de boa vontade acolheria isso com satisfação”, afirmam ainda.

Todo o documento retrata a situação de enorme fragilidade em que Cuba se encontra e é simultaneamente um apelo aos responsáveis do país para que nas suas decisões não façam aumentar ainda mais o sofrimento do povo. “Quem escuta com atenção e respeito o sofrimento alheio percebe constantemente que as coisas não vão bem, que não podemos continuar assim”, escrevem os prelados, dizendo que este apelo diz respeito a toda a sociedade, claro, mas “sobretudo àqueles que têm a maior responsabilidade de tomar decisões para o bem da nação”.

Os Bispos cubanos afirmam ainda que o país precisa de mudanças – “e com crescente urgência” – pois não pode suportar “mais angústia ou sofrimento”. E pedem que se evitem novas dores e dificuldades, especialmente para os pobres, os idosos, os doentes e as crianças.

Na mensagem, os prelados citam as palavras de São João Paulo II em Cuba, em 25 de Janeiro de 1998, “cuja actualidade ainda surpreende”, pois denunciou como “injustas e eticamente inaceitáveis (…) as medidas económicas restritivas impostas de fora do país”, por serem fonte de “pobreza, material e moral”.

Apelo da Fundação AIS à oração por Cuba

Perante esta situação, a Fundação AIS Internacional convida os seus benfeitores, amigos e parceiros de projectos em todo o mundo a unirem-se à oração do Papa e dos bispos de Cuba neste momento crítico. Como afirmou Leão XIV a partir do Vaticano, “que a Virgem da Caridade do Cobre assista e proteja todos os filhos dessa terra amada”.

A AIS reitera a sua proximidade histórica para com Cuba, uma relação mantida durante décadas através de projectos pastorais, de formação e de ajuda de emergência, que permitem à Igreja continuar a acompanhar o povo cubano, mesmo no meio das graves dificuldades económicas e sociais. A AIS sublinha que o seu apoio visa garantir que a Igreja possa continuar o seu trabalho de consolo, mediação e serviço aos mais vulneráveis, especialmente idosos, doentes e famílias empobrecidas.

Recorde-se que em Setembro de 2024, D. Emilio Aranguren, bispo de Holguín e então presidente da Conferência dos Bispos Católicos de Cuba, agradeceu publicamente à fundação pontifícia pelo seu compromisso constante, afirmando que “a AIS tem sido um apoio fiel à Igreja em Cuba, não só com recursos materiais, mas também com proximidade, oração e esperança nos momentos mais difíceis”.

História de portugueses solidários

A situação precária que se vive em Cuba levou inclusivamente uma família portuguesa a planear umas férias solidárias no Verão do ano passado. Com o apoio da Fundação AIS, Telma Bregante, marido e os dois filhos transformaram o que seriam uns simples dias de descanso em Varadero numa missão incrível de solidariedade.

Como Telma contou então, graças à ajuda da AIS conseguiu entrar em contacto com um sacerdote local para perceber quais eram então as necessidades mais urgentes da população e levou assim as suas malas carregadas com caixas de medicamentos. De regresso a Portugal, confessou que aquelas férias solidárias lhe deram “uma sensação extraordinária”, pois fizeram-na sentir “que o poder de Deus realmente existe em nós…”

Paulo Aido e Xavi Burgos

Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *


The reCAPTCHA verification period has expired. Please reload the page.

Relatório da Liberdade Religiosa

Em Cuba vivem várias confissões religiosas, pelo que se pode falar de uma liberdade de culto geralmente respeitada, mas não de uma liberdade religiosa plena. Onde não há liberdade de expressão, associação, educação e propriedade privada, não pode haver instituições independentes dos órgãos políticos do Governo. Isto dificulta o gozo da liberdade religiosa.
O desgaste desta situação leva ao esgotamento, e muitos jovens em Cuba já dão sinais de desespero em relação às perspectivas de mudança e estão a emigrar. Isto afecta profundamente as comunidades religiosas. As perspectivas para a liberdade religiosa continuam a ser negativas.

CUBA

918 125 574

Multibanco

IBAN PT50 0269 0109 0020 0029 1608 8

“Caros amigos, agradeço a cada um de vós por esta obra de solidariedade. Não se cansem de fazer o bem, pois o vosso serviço dá fruto em inúmeras vidas e dá glória ao nosso Pai do Céu.”

PAPA LEÃO XIV

© 2024 Fundação AIS | Todos os direitos reservados.