Quando faltam apenas cerca de duas semanas para o início da visita de três dias do Papa a Angola, de 18 a 21 de Abril, o Bispo do Dundo, D. Estanislau Chindecasse, fala na alegria com que tudo está a ser preparado e sublinha que o Santo Padre vai a este país de língua oficial portuguesa como “peregrino da esperança, da reconciliação e da paz”.
A visita do Papa Leão XIV a Angola, num périplo africano que o vai levar também à Argélia, Camarões e Guiné Equatorial, está a ser encarada com enorme expectativa em toda a sociedade. Sucedem-se as reuniões de preparação, e o governo criou mesmo uma comissão multissectorial para acompanhar todos os pormenores relativos ao acolhimento do Santo Padre, comissão que integra diversos ministérios, altos quadros da administração pública e os governadores das três províncias que o Papa irá visitar, Luanda, Bengo e Lunda Sul. Mas é ao nível da Igreja que a visita está a gerar grande entusiasmo.
Numa nota pastoral publicada no início deste mês de Março, os Bispos manifestam “alegria indizível” por esta visita, e lembram que Angola foi o primeiro país da África subsaariana a acolher o Evangelho, “onde aconteceram os primeiros baptismos” e que também foi angolano o “primeiro bispo negro da história, logo no princípio do século XVI”. Mas na nota pastoral, os bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) referem que esta visita é muito importante agora pois é “uma ocasião propícia” para o país ultrapassar divisões e ódios.
Precisamos de nos preparar através da conversão pessoal, transformando esta visita em ocasião propícia para curarmos as nossas feridas internas. Não podemos acolher o ‘Mensageiro da Paz’ com o coração cheio de ódio, rancores, divisões e contendas. A reconciliação deve começar em cada coração, em cada família e em cada associação cívica, desportiva, profissional ou partidária.”
Acolher o peregrino da esperança
Esta posição é sublinhada por D. Estanislau Chindecasse. Em declarações à Fundação AIS, o Bispo de Dundo e também vice-presidente da CEAST, diz que, “mais do que tudo, é uma grande graça recebermos o Santo Padre, o Papa Leão”. “Ainda nem completou um ano desde que assumiu o seu ministério [e já está] a visitar Angola”, lembra, destacando a importância da deslocação do Papa à região leste, ao Saurimo, área diamantífera próxima da República Democrática do Congo.
“Para nós, do leste de Angola, a alegria ainda é maior. E nós podemos dizer, como o profeta Isaías, agora, tu, leste de Angola, não serás mais desolada, não serás mais abandonada, porque o leste vai receber pela primeira vez a visita do Santo Padre. É uma graça, é o momento de reforçarmos a comunhão entre nós e o Santo Padre, entre nós e a Igreja, mas também com toda a nossa sociedade”, refere o bispo à fundação pontifícia.
O prelado sublinha ainda os temas, “muito fortes”, que a conferência episcopal associou à visita do Papa que vai a Angola como peregrino da esperança, da reconciliação e da paz. “São três temas muito fortes, muito actuais, para a nossa Igreja hoje. Portanto, nós vamos preparar esta visita com catequeses, com oração, com encontros, para que, efectivamente, aprofundemos e não percamos esta grande oportunidade que Deus nos dá, enviando-nos o seu vigário na terra, na pessoa do Papa Leão XIV, o homem que falou da paz, da paz desarmada”, afirmou D. Estanislau Chindecasse ao secretariado português da Fundação AIS.
Uma visita para a história de Angola
Leão XIV é o terceiro Papa a visitar Angola, depois de São João Paulo II, em 1992, e de Bento XVI em 2009. O Santo Padre chega dia 18 de Abril, vindo dos Camarões, e no próprio aeroporto ‘4 de Fevereiro’ terá encontros com as autoridades e representantes da sociedade civil. Já durante a noite haverá um encontro privado com os bispos angolanos.
Mas a visita pastoral só arrancar mesmo no dia seguinte, Domingo, primeiro com a celebração de uma missa campal, que deverá reunir uma multidão no bairro do Kilumba, nos arredores da capital, a cidade de Luanda. Depois, durante a tarde, o Papa vai rezar o terço com os fiéis no Santuário da Muxima, um dos maiores centros de peregrinação mariana na África subsaariana, situado na província de Bengo.
No dia 20, o Papa desloca-se a Saurimo, onde está prevista a celebração de uma missa e a visita a um centro de acolhimento de idosos. Ainda nesse dia regressa a Luanda para um encontro com os bispos, sacerdotes, consagrados, religiosas e catequistas, na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima. No dia 21, haverá apenas uma cerimónia de despedida no aeroporto de onde partirá rumo à Guiné Equatorial, a última paragem deste que é o primeiro périplo africano do seu pontificado.
Apoio da Fundação AIS à Igreja angolana
A Fundação AIS presta auxílio desde há décadas a Angola, através, por exemplo, da renovação ou construção de igrejas e capelas, assim como centros comunitários, onde muitas vezes são implantadas escolas, que se tornam verdadeiras células para a primeira evangelização, mas também apoiando a formação de sacerdotes, de religiosas e de seminaristas, na ajuda na subsistência de padres e irmãs, na distribuição de Bíblias e na formação de leigos.
A ajuda na mobilidade de sacerdotes e catequistas é também relevante com a entrega de veículos automóveis robustos ou motociclos, indispensáveis para o trabalho pastoral num país onde as estradas são muito deficientes.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







