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UCRÂNIA: Fundação AIS junta-se ao Papa e apela aos benfeitores para que o dia de hoje seja de oração pela paz
Face ao agravar dos acontecimentos nos últimos dias, com a ameaça da invasão da Ucrânia pela Rússia, a Fundação AIS une-se ao Papa Francisco e apela a todos os seus benfeitores e amigos para que transformem o dia de hoje numa jornada de oração pela paz.
Numa mensagem enviada aos 23 secretariados da instituição, incluindo Portugal, Magda Kaczmarek, responsável pelo departamento da Europa de Leste da Ajuda à Igreja que Sofre, recorda que a Ucrânia está no centro das preocupações da instituição. A Ucrânia, diz Kaczmarek, “é a maior prioridade” da Fundação AIS na Europa.
“Apoiamos a Ucrânia há mais de 40 anos, particularmente na área da formação, ajuda à mobilidade, retiros, renovação de mosteiros e casas paroquiais”, diz a responsável.
Toda esta história em comum da Fundação AIS com a Igreja ucraniana contribui para uma maior percepção da gravidade do que se está a viver por estes dias, com a ameaça de um conflito armado de largas proporções em plena Europa. De facto, vivem-se dias de grande tensão na fronteira entre a Ucrânia e a Rússia, havendo mais de 120 mil soldados às ordens de Moscovo posicionados na região.
Reconhecendo “quão difícil está a situação, principalmente no leste do país”, Magda Kaczmarek sublinha, por isso, a importância das orações pela paz e agradece “a todos os benfeitores” que façam do dia de hoje, quarta-feira, uma jornada de oração, respondendo ao apelo, nesse sentido, pelo Papa Francisco, no domingo passado, 23 de Janeiro.
Logo após a oração do Ângelus, o Santo Padre apelou às orações de todos para que a paz possa prevalecer na Ucrânia face aos inquietantes sinais da guerra que se têm avolumado ao longo das últimas semanas. “Faço um forte apelo a todas as pessoas de boa vontade, para que elevem orações a Deus omnipotente, para que cada acção e iniciativa política esteja ao serviço da fraternidade humana”, disse o Papa, lembrando que “todos fomos criados irmãos”.
Esta foi apenas a mais recente chamada de atenção do Papa Francisco para a “guerra esquecida” na Europa, conflito que já causou mais de 13 mil mortos.
Também a Conferência Episcopal Portuguesa [CEP] convidou ontem as dioceses e organismos católicos do país a unirem-se a esta jornada de oração pela paz na Ucrânia. Numa nota do Secretariado-geral da CEP, divulgado pela Agência Ecclesia, pede-se uma “sintonia com a intenção do Santo Padre”, fazendo desta quarta-feira, 26 de Janeiro, “um dia de oração pela paz, na solidariedade fraterna com o povo ucraniano e com os cristãos e os bispos da Ucrânia”.
Bispos da Ucrânia que, juntamente com os da Polónia, vieram a público nos últimos dias apelar igualmente ao fim da tensão militar, numa declaração em que mostram a preocupação pela possibilidade de existir mesmo um conflito armado que poderá até estender-se à Europa Central e Oriental.
“Toda a guerra é uma desgraça e nunca pode ser uma forma apropriada de resolver problemas internacionais. É sempre uma derrota para a humanidade”, pode ler-se na declaração dos bispos católicos destes dois países. Para os prelados polacos e ucranianos, a ameaça de Moscovo traz à memória a ocupação de Donbass e da Crimeia e mostra como a Federação Russa “viola a soberania nacional e a integridade territorial da Ucrânia”, e não “respeita as normas actuais do direito internacional”.
No Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, editado em Abril do ano passado pela Fundação AIS, a questão dos territórios ocupados vinha já referenciada como “o maior desafio” na Ucrânia, sendo referida a posição apresentada em Dezembro de 2019, na Câmara dos Representantes e no Senado dos Estados Unidos, em que se “exige que o presidente da República [dos EUA] considere as inúmeras violações da liberdade religiosa que a Rússia continua a autorizar na Crimeia e em Donbass”, territórios ocupados ou controlados por Moscovo.
PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt