Ribqa Nevash, de Faisalabad, que no ano passado recebeu o prémio “Coragem de ser cristão”, promovido pela Fundação AIS no Reino Unido, participou na passada quarta-feira numa cerimónia religiosa de Advento na Abadia de Westminster e relatou perante o Rei Carlos III as dificuldades extremas que os cristãos, especialmente as mulheres e jovens raparigas, enfrentam no seu país, o Paquistão.
O Rei Carlos III assistiu na passada quarta-feira, dia 10, numa cerimónia religiosa ecuménica na Abadia de Westminster sobre a perseguição religiosa e discriminação aos cristãos, em que participaram católicos, anglicanos e ortodoxos. A cerimónia contou com o testemunho comovente de uma jovem activista cristã paquistanesa que, no ano passado, recebeu o prémio “Coragem de ser cristão”, promovido pelo secretariado britânico da Fundação AIS.
Ribqa Nevash, de 25 anos, oriunda de Faisalabad, “falou com paixão sobre a situação dos cristãos perseguidos” no seu país, com especial foco na situação das mulheres e jovens raparigas.
Como cristã, defendi meninas de apenas 12 anos que são sequestradas, raptadas e forçadas a casar e a converter-se. (...) Muitas sofrem violência sexual. Outras estão presas em regime de trabalho forçado, incluindo o trabalho em olarias.”
Ribqa Nevash
Ribqa relatou ainda as ameaças que tanto ela como a sua família já tiveram de enfrentar e descreveu o ataque devastador de uma multidão enfurecida contra igrejas e casas de cristãos em Jaranwala em 2023. “Em apenas um dia, 25 igrejas foram profanadas e incendiadas. Cerca de 2 mil pessoas fugiram de suas casas em chamas. Quando visitei o local, no dia seguinte, comecei a chorar. Todos eles ainda buscam justiça”, relatou.
Durante a cerimónia na Abadia de Westminster, o Cardeal Timothy Radcliff – um dos participantes no evento – recordou também o assassinato do dominicano D. Pierre Clarevie, Bispo da Argélia, morto por extremistas islâmicos em 1996. Para o prelado, “é preciso lembrar todos os que são perseguidos por causa da sua fé”, não apenas os cristãos, mas de todas as religiões, e referiu-se aos mártires como exemplos poderosos da não-violência, pois testemunham que “o amor é mais forte do que o ódio, e a vida mais forte do que a morte”.
Dar voz aos cristãos que sofrem em silêncio
No final, e em declarações ao secretariado britânico da AIS, Ribqa Nevash confessou que o encontro na Abadia de Westminster “foi uma oportunidade maravilhosa para dar voz aos cristãos perseguidos que tantas vezes são forçados a sofrer em silêncio”. E sublinhou a importância de o ter podido fazer perante o monarca. “Foi especialmente impactante poder fazer isto na presença do Rei Carlos, e depois ter estado com ele, foi uma grande honra. Agradeço-lhe pela sua profunda preocupação com todos aqueles que sofrem perseguição”, disse.
A activista dos direitos humanos deixou também um agradecimento à Fundação AIS “por todo o trabalho que fizeram e continuam a fazer em defesa dos nossos irmãos e irmãs perseguidos”.
A directora do secretariado britânico da AIS, Caroline Hull, agradeceu também o testemunho da jovem cristã paquistanesa neste evento ecuménico que decorreu na cidade de Londres. “Estamos profundamente gratos a Ribqa, a nossa maravilhosa vencedora do prémio ‘Coragem de ser cristão’, por esta oportunidade de partilhar a sua importante história no ambiente sagrado da Abadia de Westminster”, disse.
O prémio “Coragem de ser cristão”, que foi atribuído pela AIS do Reino Unido no ano passado a Ribqa Nevash, e entregue a 20 de Novembro de 2024, no decorrer da Red Week, a Semana Vermelha de alerta para a situação de perseguição aos Cristãos no mundo, procurou precisamente destacar a sua militância na defesa das mulheres e raparigas cristãs paquistanesas que tantas vezes têm sido sequestradas e forçadas à conversão ao Islão e a casar com os próprios raptores.
Ribqa destacou-se por ter dado voz a algumas destas mulheres, relatando as suas histórias em artigos nos jornais e em entrevistas na televisão, rádio e redes sociais. Além disso, participou também em conferências de imprensa onde denunciou os atropelos que a comunidade cristã tem vindo a sofrer no Paquistão, com especial relevo para a violência devastadora ocorrida em Jaranwala, em Agosto de 2023.
Paulo Aido e Elliott Banks
Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt










