IRÃO: Papa alerta para escalada da guerra e fala na possibilidade de “tragédia de enormes proporções”

O Santo Padre referiu-se nas últimas horas à guerra em curso no Médio Oriente, após a intervenção militar, no sábado, dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão. Leão XIV voltou a pedir a paz e que a diplomacia “recupere o seu papel”, em prol do “bem dos povos”.

“Perante a possibilidade de uma tragédia de enormes proporções, dirijo às partes envolvidas o apelo sincero para que assumam a responsabilidade moral de parar a espiral de violência antes que se torne um abismo irreparável”, disse o Papa Leão XIV, ontem, Domingo, dia 1 de Março, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação da oração do Ângelus.

“A estabilidade e a paz não se constroem com ameaças mútuas nem com armas que semeiam destruição, dor e morte, mas apenas através de um diálogo razoável, autêntico e responsável”, disse ainda o Santo Padre, perante milhares de peregrinos que se encontravam na Praça de São Pedro, no Vaticano.

A espiral de violência a que o Papa se refere é a guerra que começou no sábado, dia 28 de Fevereiro, com o início da operação militar em grande escala, lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o território do Irão, a que se seguiu, horas depois, o lançamento de mísseis contra oito países como resposta por parte das autoridades de Teerão. Israel, Iraque, Jordânia, Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos, foram os países atingidos pelos mísseis iranianos.

Face ao risco de um conflito crescente – Israel atacou, entretanto, também posições do Hezbollah, no Líbano, depois de este grupo radical ter lançado diversos projécteis contra o país – o Papa Leão XIV apelou ao fim da violência e ao regresso da diplomacia. É preciso que o diálogo “recupere o seu papel e seja promovido o bem dos povos que aspiram a uma convivência pacífica baseada na justiça”, disse. “Continuemos a rezar pela paz”, reafirmou o Santo Padre que também se referiu aos “preocupantes” confrontos entre o Paquistão e Afeganistão, países que fazem fronteira também com o Irão. “Elevo a minha súplica por um regresso urgente ao diálogo. Rezemos juntos para que prevaleça a concórdia em todos os conflitos do mundo. Só a paz, dom de Deus, pode curar as feridas entre os povos”, concluiu.

Papa lembrou também conflito em Gaza

Horas depois, durante uma visita pastoral ao bairro de Quarticciolo, na periferia de Roma, o Papa voltaria a manifestar a sua preocupação pelo conflito armado no Médio Oriente. “Estou muito preocupado com o que está a acontecer no mundo: especialmente ontem, hoje e não sabemos por quantos dias, no Médio Oriente. Guerra, de novo”, disse Leão XIV, apelando novamente à paz. “Nós também devemos ser anunciadores da mensagem de paz, a paz de Jesus, a paz que Deus deseja para todos. Portanto, é preciso rezar muito pela paz e procurar viver a unidade e rejeitar sempre a tentação de fazer mal ao outro. A violência nunca é a escolha certa. E devemos sempre escolher o bem”, declarou o pontífice.

Falando a crianças e jovens na paróquia da Ascensão de Nossa Senhor, no referido bairro, o Santo Padre lembrou ainda o conflito em Gaza, que classificou como “tragédia”, e que tem arrastado milhares para uma situação dramática.

“Neste mundo, muitas crianças não têm família, casa, comida e bebida, uma cama para dormir. Esta é realmente uma tragédia que existe entre nós. Todos nós vimos, nos últimos anos, a tragédia, por exemplo, em Gaza, onde muitas crianças morreram, onde muitas crianças ficaram sem pais, sem escola, sem um lugar para viver”, lembrou Leão XIV que voltou a apelar à oração de todos pela paz no mundo, incluindo a Ucrânia que se encontra, desde o dia 24 de Fevereiro, no quinto ano de conflito armado em pleno coração da Europa.

Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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