A estação das chuvas tem sido inclemente para com Moçambique. Nas últimas semanas têm-se registado inundações que provocaram mais de uma centena de mortos e que afectam já mais de 700 mil pessoas. Há dezenas de aldeias submersas e cerca de 5 mil casas totalmente destruídas, especialmente no centro e sul do país.
A situação é de tal maneira grave que o Presidente da Conferência Episcopal e Arcebispo de Nampula fala mesmo em “tragédia”. Em mensagem enviada para a Fundação AIS, D. Inácio Saure lança um apelo à solidariedade da comunidade internacional: “Façam o que estiver ao vosso alcance para salvar milhares de vidas humanas em perigo”…
O Presidente da Conferência Episcopal de Moçambique e Arcebispo de Nampula, D. Inácio Saure, enviou ontem, ao princípio da noite, uma mensagem para a Fundação AIS em Lisboa apelando à urgência da solidariedade da comunidade internacional para com as vítimas das cheias que têm atingido com muita intensidade o centro e sul do país.
Calcula-se que desde Outubro já morreram mais de uma centena de pessoas devido às fortes chuvas, situação que se agravou após o final do ano.
Segundo o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres de Moçambique, no último balanço conhecido, as cheias já afectaram 717 mil pessoas, o que equivale a 153 mil famílias, especialmente nas províncias de Gaza e Maputo.
Na mensagem para a Fundação AIS, D. Inácio Saure, sublinha a magnitude desta situação e diz mesmo que Moçambique “está a viver um drama humanitário”, pois as chuvas intensas têm causado “mortes, destruição de habitações, deslocação de numerosas famílias, agravando as difíceis condições de vida das populações já vulneráveis”. Calcula-se que mais de 11 mil casas tenham sido parcialmente danificadas e cerca de 5 mil ficaram já completamente destruídas.
O prelado recorda à Fundação AIS o comunicado publicado na passada quarta-feira, dia 21, em que os Bispos deste país africano de língua oficial portuguesa manifestam a sua proximidade para com as vítimas.
“A este propósito, a Conferência Episcopal de Moçambique publicou dia 21 de Janeiro uma mensagem de solidariedade para com as vítimas da tragédia, expressando a sua proximidade fraterna, assegurando que eleva preces a Deus por cada vítima, roga protecção, força e consolo para as crianças, idosos e famílias inteiras que vivem dias muito difíceis, marcados pelo sofrimento e pelo medo do que ainda pode vir. A nossa Conferência Episcopal apelou igualmente para um apoio humanitário urgente, tanto a nível nacional como internacional”, explicou D. Inácio Saure.
É preciso “salvar milhares de vidas”
O apelo da Conferência Episcopal é sublinhado na mensagem enviada para Lisboa.
Neste momento, dada a gravidade crescente dos efeitos da tragédia, reitero o apelo à comunidade internacional e a todas as pessoas de boa vontade, para que façam tudo o que estiver ao seu alcance para salvar milhares de vidas humanas em perigo em Moçambique e aliviar o sofrimento das populações que se viram desprovidas de tudo.”
D. Inácio Saure
A mensagem termina com um agradecimento por toda a ajuda que possa ser canalizada para Moçambique. “Confiando na nossa capacidade de nos unir, acreditamos que será possível reconstruir vidas, restaurar comunidades e semear novamente a confiança e alegria onde antes havia desespero. Agradeço antecipadamente por tudo o que poderá ser feito em prol do alívio do sofrimento do povo moçambicano”, conclui o Arcebispo de Nampula e Presidente da Conferência Episcopal na mensagem enviada para a AIS em Portugal.
País prioritário para a Fundação AIS
Moçambique é um país prioritário para a AIS, nomeadamente por causa da violência terrorista que tem atingido as províncias de Cabo Delgado, Niassa e Nampula, todas situadas no norte, mas todo o país tem beneficiado da solidariedade dos benfeitores da fundação pontifícia.
Essa solidariedade tem permitido ajudar a Igreja local em diversos projectos, nomeadamente de apoio psicossocial às populações vítimas do terrorismo, mas também de assistência pastoral, fornecimento de materiais para a construção de dezenas de casas, de centros comunitários e ainda para a aquisição de veículos para que os missionários possam estar junto dos centros de reassentamento que abrigam milhares de famílias fugidas da violência.
Em relação à situação concreta provocada pelas inundações, até ao momento a Fundação AIS “não recebeu nenhum pedido especial para socorrer a população afectada”, explica Ulrich Kny, responsável de projectos da Ajuda à Igreja que Sofre para este país africano. No entanto – acrescenta – esta situação vai “certamente ser tomada em consideração no momento de avaliação dos projectos normais desta região, especialmente no que se refere à manutenção de irmãs religiosas, seminaristas e sacerdotes, através de intenções de Missas”, explica o responsável.
Mas, além da ajuda material, a Fundação AIS tem mobilizado ao longo dos anos os seus benfeitores e amigos para terem sempre presente nas suas orações o povo sofrido de Moçambique que enfrenta o terror do extremismo religioso, mas também tem vivido situações trágicas a nível ambiental, como estas inundações que estão a afectar o centro e o sul do país, ou as poderosas tempestades tropicais, cada vez mais frequentes e sempre com impressionante capacidade destrutiva, como aconteceu no ano passado em Janeiro e em Março com os ciclones Jude e Dikeledi.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







