Amor ao próximo
Este é um ano especialmente marcante para a Fundação AIS em Portugal: celebramos 30 anos ao serviço da Igreja que sofre. São três décadas de missão, dedicação e amor ao próximo. Trinta anos a dar voz aos Cristãos perseguidos e apoio àqueles que mais precisam. Juntos, temos sido sinal de esperança no meio da dor. Damos graças a Deus por este caminho partilhado!
Todos os dias recebemos mensagens tocantes de sacerdotes, religiosas e leigos que, fortalecidos pela vossa ajuda, continuam a servir com coragem e alegria. Há uma frase que se repete, e que guardamos no coração: “Digam aos benfeitores que rezamos por eles todos os dias”.
Obrigado por estes 30 anos de presença fiel. Obrigado por caminharem connosco, de mãos dadas, nesta missão que é de todos. A vossa confiança é a nossa maior motivação. O vosso gesto concreto é bênção para tantos.
Em 2024, apoiámos 5.335 projectos em 137 países, graças à solidariedade de milhares de benfeitores espalhados pelo mundo.









Leve Amor ao próximo apoiando projectos como estes:

Ajuda de emergência para alimentar milhares de famílias que fugiram da violência no Sudão do Sul e hoje enfrentam a fome e a miséria.
50.000€

A Fundação AIS já apoia a população de Cabo Delgado com ajuda de emergência, e agora vai ajudar também no arranque da reconstrução destas três igrejas.
30.300€

Ajuda de emergência para alimentar 300 idosos e famílias cristãs carenciadas em Damasco e garantir cuidados médicos a 1.800 doentes cristãos em Alepo, na Síria.
389.100€
UGANDA
Sacerdotes e Religiosas
Quando tudo falta, só a fé ilumina
Quatro padres salesianos e quatro religiosas dão assistência a uma população de mais de 90.000 refugiados do Sudão do Sul em Palabek, no Uganda. Entre as necessidades educativas e espirituais, não têm mãos a medir, mas contam com o apoio da Fundação AIS.

O Padre salesiano Ubaldino Andrade, ou “Padre Ube”, como é conhecido, ri-se muito. Na verdade, ri-se tanto que ninguém imaginaria que vive actualmente num dos lugares mais desolados do planeta: o campo de refugiados de Palabek, no Uganda, junto à fronteira com o Sudão do Sul. O Padre Ube cresceu na pobreza, num bairro de lata nos arredores de Caracas, na Venezuela. “Éramos cinco irmãos por parte da minha mãe, mas 29 por parte do meu pai, porque ele era camionista e tinha uma esposa em cada uma das suas paragens habituais”, explica, entre risos, à Fundação AIS.
Depois de concluir os estudos, decidiu entrar para os Salesianos, iniciando um percurso que o levaria até à Serra Leoa, durante a guerra civil e um surto de Ébola. Parte do seu trabalho consistia em salvar as crianças vítimas do Ébola:
“Quando alguém morria, trancavam as crianças dentro de casa até que também morressem, por medo de contágio. Nós íamos buscá-las, colocávamo-las em quarentena durante 21 dias e depois juntávamo-las às outras. Cuidámos de 51 crianças e só perdemos duas”.

Por mais dura que tenha sido essa realidade, a experiência mais difícil ainda estava para vir. Após um período no Gana, o Padre Ube foi enviado para Palabek, no Uganda. O que encontrou superava qualquer imaginação. “Quando chegámos, os refugiados não tinham roupa, estavam sujos, não tinham produtos de higiene, nem comida. Nós também não tínhamos casa. Um catequista deixou-nos ficar na casa dele e as famílias partilhavam a comida connosco. Eu cheguei com a minha mala e fiquei à espera. A noite caiu e uma senhora levou-me e mostrou-me um sítio no chão onde podia dormir. Não havia nada!”
No entanto, quando os quatro salesianos começaram a trabalhar, ficaram surpreendidos com os pedidos que recebiam dos refugiados, muitos deles profundamente traumatizados por violência e abusos sexuais.
Perguntávamos às pessoas o que queriam. Comida? Dinheiro? Sabão? E davam-nos sempre a mesma resposta: queremos que nos ajudem a rezar. Sentiam que Deus não estava presente, por tudo o que lhes tinha acontecido”.
Padre Ube
As Irmãzinhas de Maria Imaculada são sinal da ternura de Deus junto destas populações.
Actualmente, Palabek acolhe mais de 90.000 pessoas, 83% das quais são mulheres e crianças. Como os Salesianos não conseguiam dar resposta a todas as necessidades, um grupo de religiosas juntou-se a eles. “São de uma congregaçãolocal ugandesa, as Irmãzinhas de Maria Imaculada. Mas nenhuma delas é pequena”, diz o Padre Ube, soltando mais uma gargalhada.
São mulheres muito fortes e muito corajosas. Vivem em condições muito pobres, mas ajudam imenso! Já temos quatro jardins de infância, com quase 700 crianças. Junto ao jardim temos um projecto para 155 crianças com deficiência. Quando chegámos, algumas estavam amarradas a árvores, porque ninguém sabia o que fazer com elas”.
Padre Ube

“Temos também uma escola profissional, com cerca de 300 alunos e vários cursos. Como não têm dinheiro, os estudantes pagam as propinas com lenha e dois rolos de papel higiénico.”
Outra preocupação constante é a formação religiosa. Apesar de os refugiados terem uma fé profunda, muitos precisam de uma catequese mais sólida. Para ilustrar o problema, o Padre Ube explica que, entre as dezenas de catequistas que ajudam os padres no trabalho pastoral em Palabek, apenas dois podem comungar, porque os restantes não são casados pela Igreja, uma vez que não podem pagar o dote exigido à família da noiva. “Estamos constantemente a fazer nova evangelização!”, acrescenta.
Apesar de todo o trabalho árduo dos padres e das religiosas para melhorar as condições em Palabek, o panorama continua bastante sombrio. Como explica o Padre Ube, o Uganda recebe mais refugiados num mês do que a Europa num ano, e actualmente acolhe cerca de dois milhões de refugiados. A situação no Sudão do Sul continua demasiado instável para que se possa pensar num regresso. Muitas das organizações humanitárias que antes ajudavam abandonaram o país desde que começou a guerra na Ucrânia e, mais recentemente, devido a cortes na ajuda externa por parte dos EUA.
Ainda assim, o Padre Ube, os restantes salesianos e as irmãs continuam a lutar por levar dignidade, apoio espiritual e ajuda material aos milhares de pessoas que dependem deles. A Fundação AIS apoia há vários anos o trabalho dos missionários em Palabek, incluindo através de Estipêndios de Missa e formação, e actualmente está a ajudar na construção de uma casa mais adequada para as religiosas que dão assistência aos refugiados.
Leve Amor ao próximo apoiando projectos como estes:
APOIO A DESLOCADOS E REFUGIADOS
Ajuda de emergência para alimentar milhares de famílias que fugiram da violência no Sudão do Sul e hoje enfrentam a fome e a miséria.
50.000€
MOÇAMBIQUE
Cabo Delgado
Edificar a casa de Deus após o ciclone
No dia 15 de Dezembro de 2024, um rugido violento varreu o norte de Moçambique. O ciclone tropical Chido atingiu Cabo Delgado com ventos superiores a 200 km/h, destruindo tudo à sua passagem: casas, escolas, hospitais… e igrejas.

“Foi mesmo devastador…”, confessou D. António Juliasse, Bispo de Pemba. No dia 15 de Dezembro de 2024, no Terceiro Domingo do Advento, o ciclone tropical Chido caiu sobre o norte de Moçambique com uma violência indescritível, deixando um rasto de destruição, medo e desespero, precisamente na região já tão martirizada de Cabo Delgado, onde há anos se vive sob o terror do jihadismo. Muitos perderam tudo. De novo.
Nesta terra esgotada pela guerra, pela pobreza extrema e por uma das maiores crises humanitárias da actualidade, a natureza voltou a ser impiedosa. Até os campos de deslocados, onde milhares de pessoas já viviam com tão pouco, foram arrasados. Agora, não têm absolutamente nada.
“As pessoas mais simples ficaram praticamente sem habitação e perderam também os poucos bens que tinham… Nem abrigo têm”, lamenta o Bispo de Pemba. A população clama por socorro. Muitos repetem a mesma frase: “Perdemos tudo…”
No meio desta catástrofe, o ciclone destruiu casas, igrejas, escolas, clínicas, centros de saúde e jardins-de-infância, derrubando árvores e postes de electricidade, e destruindo os sistemas de abastecimento de electricidade e água na capital regional, Pemba, e noutras vilas e cidades. E as estruturas da Igreja Católica, como capelas, conventos, casas paroquiais e outros edifícios, que sempre foram o porto seguro e refúgio para tantos, também não resistiram.
Três igrejas em particular ficaram severamente danificadas, lugares sagrados que são muito mais do que edifícios: são centros de fé, de encontro, de apoio, de escuta, de consolo e de vida.

“As pessoas mais simples ficaram praticamente sem habitação e perderam também os poucos bens que tinham… Nem abrigo têm”, lamenta o Bispo de Pemba. A população clama por socorro. Muitos repetem a mesma frase: “Perdemos tudo…”
No meio desta catástrofe, o ciclone destruiu casas, igrejas, escolas, clínicas, centros de saúde e jardins-de-infância, derrubando árvores e postes de electricidade, e destruindo os sistemas de abastecimento de electricidade e água na capital regional, Pemba, e noutras vilas e cidades. E as estruturas da Igreja Católica, como capelas, conventos, casas paroquiais e outros edifícios, que sempre foram o porto seguro e refúgio para tantos, também não resistiram.
Três igrejas em particular ficaram severamente danificadas, lugares sagrados que são muito mais do que edifícios: são centros de fé, de encontro, de apoio, de escuta, de consolo e de vida.
Tijolo a tijolo, erguemos a fé
A Paróquia de Santa Isabel, em Chiúre, viu o seu tecto ser arrancado e a sua estrutura danificada. Num dos distritos mais povoados da província, onde milhares de deslocados do terrorismo encontraram algum abrigo, esta paróquia era um ponto vital de encontro, fé e recuperação. Esta paróquia serve 96 comunidades e apoia a Fazenda da Esperança, que acolhe jovens toxicodependentes, ajudando-os a reencontrar um caminho de vida. Agora, o espaço que os amparava está arruinado.
Em Metoro, a Paróquia de Cristo Rei representava mais do que uma simples igreja: era a sede do centro de formação de catequistas da Diocese de Pemba e um símbolo do futuro da Igreja Moçambicana. Era ali que se preparavam os que iriam manter viva a chama da fé em tantas aldeias isoladas. Essas mesmas aldeias, já devastadas por ataques terroristas, tinham começado a erguer-se novamente. Mas com a força do ciclone, tudo voltou a ruir. O pouco que havia desapareceu num instante.
Mais a norte, em Mieze, a Paróquia de Nossa Senhora do Carmo também já não tem tecto, nem sombra. As árvores tombaram, o telhado voou. Agora, as Missas celebram-se ao relento, sob o céu aberto, com crianças, jovens e adultos a enfrentarem o calor, a chuva e o vento, mas sempre com uma fé inabalável. A escolinha e a casa dos padres foram também duramente afectadas. Mieze não é apenas uma paróquia. É um refúgio para os deslocados, um lugar de resistência espiritual onde se continua a rezar mesmo sem paredes, mesmo sem altar.
Em cada uma destas paróquias vive-se a fé com coragem e resiliência. Mas o que estas comunidades precisam agora é de reconstrução, não apenas de edifícios, mas de esperança e de um lugar seguro onde possam voltar a encontrar-se com Deus. A destruição é enorme. E os pedidos de ajuda multiplicam-se, vindos de toda a Diocese de Pemba.
Faço um apelo a todos os que podem ajudar, para nos apoiarem aqui em Cabo Delgado, a minorar este sofrimento. Agradeço toda a ajuda que possam dar…”
D. António Juliasse
Milhares de famílias viram a sua fé posta à prova. A sua igreja caiu. O seu altar ficou a céu aberto. A cruz ficou no chão. Mas a fé permanece de pé.
Leve Amor ao próximo apoiando projectos como estes:
RECONSTRUIR IGREJAS E LEVAR ESPERANÇA
A Fundação AIS já apoia a população de Cabo Delgado com ajuda de emergência, e agora vai ajudar também no arranque da reconstrução destas três igrejas.
30.300€
SÍRIA
Cristãos perseguidos
Entre o martírio e a esperança
Atentado em Damasco reacende o drama da perseguição religiosa e o clamor dos Cristãos por justiça e segurança.

No passado dia 22 de Junho, a Igreja Ortodoxa Grega de Santo Elias, em Damasco, foi palco de um dos mais brutais atentados terroristas dos últimos anos na Síria. Um ataque suicida, durante a Missa Dominical, matou 25 cristãos e feriu mais de 60, numa acção atribuída ao Estado Islâmico. Este massacre reacendeu o grito de angústia de uma comunidade há muito fragilizada e cada vez mais encurralada no seu próprio território. “Sentimos que estamos sozinhos”, afirmou, com profunda dor, o Padre Fadi Azar, sacerdote franciscano em Latakia, em declarações à Fundação AIS.
A resposta do Papa Leão XIV ao atentado à igreja em Damasco e à necessidade de solidariedade para com a comunidade cristã, não se fez esperar. Durante a audiência geral de 25 de Junho, o Santo Padre manifestou a sua proximidade para com esta Igreja que sofre e apelou à comunidade internacional para estar atenta ao que se passa na Síria. “Estou próximo de vós! Toda a Igreja está próxima de vós (…). É fundamental que a comunidade internacional não desvie o olhar deste país”, afirmou o Papa Leão XIV.
Após a queda do regime de Bashar al-Assad, em Dezembro do ano passado, muitos cristãos sírios acreditaram numa mudança positiva, numa vida com mais dignidade e liberdade religiosa. Mas a realidade tem sido outra: perseguições, raptos, perda de emprego e violência em todo o país.
O atentado de 22 de Junho, em Damasco, em que um terrorista fez deflagrar um cinto de explosivos que trazia à cintura, não foi um acto isolado. Segundo o Padre Fadi Azar, os Cristãos sírios vivem desde há meses sob ameaças constantes. E agora, o medo tornou-se realidade. “Não sabíamos quando ia acontecer…”, disse-nos.
Para o sacerdote franciscano, os Cristãos da Síria, que já são sobreviventes de uma longa guerra civil e de anos de instabilidade política, exigem apenas o direito básico de poderem rezar em paz. Apenas isso.

Temos fé, não temos medo. Mas queremos justiça. Os Cristãos têm o direito de viver num país onde haja segurança.”
Padre Fadi Azar
Incidentes semelhantes, incluindo ataques armados em frente a igrejas em Homs, Hama e Latakia, bem como raptos e assassinatos, têm sido recorrentes nos últimos tempos. “Isto é uma perseguição”, sublinha o Padre Fadi, referindo que também drusos, alauítas e muçulmanos moderados vivem no mesmo clima de medo e repressão por parte de grupos extremistas como o Ansar al-Sunna, que tem ligações ao Estado islâmico. A Igreja e a comunidade cristã síria não estão apenas de luto, estão a ver a sua própria existência a ser colocada em causa.
De um total de cerca de 10% da população antes da guerra, que começou em 2011, os Cristãos são hoje apenas 3% na Síria. Muitos desejam partir, não por falta de fé, mas porque “temem pela sua vida e pelo futuro dos seus filhos”. Está nas nossas mãos ajudá-los a ficar nesta terra bíblica!
Também a Irmã Maria Lúcia Ferreira, mais conhecida por Irmã Myri, a única religiosa portuguesa a viver na Síria, apelou com veemência à oração e ao apoio material:
Os Cristãos da Síria pedem o vosso apoio urgente com a oração e com aquilo que puderem fazer. Venham em auxílio dos Cristãos da Síria, um dos últimos bastiões da cristandade no Médio Oriente.”
Irmã Myri
O que se passa na Síria e, infelizmente, em tantos e tantos países, não pode ser ignorado. Em demasiados lugares do mundo, os Cristãos são perseguidos apenas por dizerem ‘Sim’ a Jesus! O seu clamor, o seu grito de socorro, é um apelo por justiça. Todos eles, que testemunham a fé, por vezes até ao martírio, são uma inspiração e um exemplo para todos nós.
A Fundação AIS está na Síria há vários anos a prestar ajuda de emergência aos mais necessitados. Através da vossa generosidade, podemos garantir apoio às vítimas do atentado na Igreja em Damasco e suas famílias, mas também o funcionamento de escolas e hospitais cristãos, a entrega de cabazes alimentares para os mais pobres, a reconstrução de igrejas destruídas, o apoio a orfanatos e casas de acolhimento, o acompanhamento espiritual e acesso aos sacramentos, e, sobretudo, podemos levar esperança onde já não resta quase nada…

Leve Amor ao próximo apoiando projectos como estes:
CABAZES ALIMENTARES E ASSISTÊNCIA MÉDICA
Ajuda de emergência para alimentar 300 idosos e famílias cristãs carenciadas em Damasco e garantir cuidados médicos a 1.800 doentes cristãos em Alepo, na Síria.
389.100€
Obrigado a cada um de vós…
QUE DEUS ABENÇOE TANTA GENEROSIDADE
Consulte o boletim ‘Amor ao próximo’ e conheça os projectos que apoiou e os países que mais ajuda receberam em 2024