O Tribunal de Justiça da Vendée condenou Emmanuel Abayisenga a 30 anos de prisão pelo assassinato do Padre Olivier Maire, crime ocorrido em Agosto de 2021 em Saint-Laurent-sur-Sèvre. A sentença inclui a proibição permanente de entrada em território francês.
O Padre Olivier Maire, 61 anos, na altura Superior Provincial dos Monfortinos, foi assassinado na noite de 8 para 9 de Agosto de 2021 por um homem que ele próprio tinha acolhido na sua casa, na região da Vendée. O julgamento do ruandês Emmanuel Abayisenga, confesso autor do crime, foi extremamente rápido. Começou na segunda-feira, dia 19 de Janeiro, como a Fundação AIS noticiou, e a sentença foi proferida no final da semana passada.
Abayisenga, que já tinha provocado, em 2020, um incêndio na Catedral de Nantes, manteve-se praticamente em silêncio no Tribunal, nunca explicando por que razão matou o Padre Maire.
A sentença, de trinta anos de prisão, inclui um período de segurança de 20 anos – durante o qual ele não terá direito a liberdade condicional – e ainda a proibição permanente de entrada em território francês. No veredicto, foi reconhecida a natureza premeditada do crime e o Tribunal rejeitou quaisquer circunstâncias atenuantes, nomeadamente ao nível psiquiátrico. De acordo com a autópsia, o sacerdote morreu devido a violentos golpes na cabeça.
Nascido em Ruanda e tendo chegado a França em 2012, Emmanuel Abayisenga viu sistematicamente o seu pedido de asilo ser negado pelas autoridades, apesar das narrativas que contou sobre si próprio. Entre esses relatos, afirmou ter sido criança-soldado durante o genocídio ruandês, e que terá visto o seu próprio pai ser assassinado a tiro. No entanto, o representante do Ministério Público francês afirmou, durante o julgamento, que todas essas alegações são falsas.
O padre representava a “não-violência”
Este julgamento trouxe de novo para actualidade noticiosa a história do assassinato do Padre Olivier Maire, que foi descrito pela Igreja francesa como “um mártir da caridade”. Todas as testemunhas foram unânimes em descrever o missionário monfortino como um homem pacífico, “que representava a não violência, a busca da paz”, como disse, entre outros, Stéphane, irmão gémeo do sacerdote.
A notícia do assassinato do padre monfortino foi referida no Relatório da Fundação AIS sobre a Liberdade Religiosa publicado em 2023. No documento refere-se que a França “ficou chocada” ao saber da morte violenta do sacerdote.
“Mesmo na França, outrora considerada um país seguro, o Padre Olivier Maire foi assassinado em 9 de Agosto por um homem que ele hospedava na casa dos missionários em Saint-Laurent-sur-Sèvre, enquanto o suspeito aguardava julgamento por incêndio criminoso na Catedral de Nantes”, refere o documento em que se referem ainda outros incidentes que ocorreram em igrejas entre os anos de 2022 e 2023, o período em análise.
Vários incidentes em Igrejas registados pela AIS
O Relatório da Fundação AIS identifica alguns desses episódios e refere que as estruturas religiosas em França “foram alvo de ataques tão frequentes que, em Fevereiro de 2022, o Ministério do Interior prometeu aumentar o financiamento da segurança das igrejas católicas”.
A iniciativa governamental, pode ler-se no documento, foi a resposta a uma série de incidentes, nomeadamente na catedral de Saint-Denis, nos arredores de Paris (janelas e portas partidas), em Bondy e Romainville, na região de Paris (roubo e profanação do sacrário em ambas), em Vitry-sur-Seine (profanação e roubo), em Poitiers (estátuas de santos destruídas) e em Paray-le-Monial (roubo de relíquias).
O incêndio na Catedral de Nantes, que Abayisenga provocou, ocorreu 15 meses após o devastador incêndio de 2019 na Catedral de Notre-Dame de Paris. Embora os bombeiros tenham conseguido conter as chamas rapidamente, ao fim de apenas cerca de duas horas de intervenção, não foi possível salvar o famoso órgão existente no templo, datado de 1621 e que havia sobrevivido à Revolução Francesa e aos bombardeamentos da Segunda Guerra Mundial.
Paulo Aido | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt







