Fundação de Ajuda à Igreja que Sofre - Fundação AIS
Rua Professor Orlando Ribeiro, 5D 1600-076 Lisboa, Portugal
(+351) 217544000 apoio@fundacao-ais.pt Fundação AIS 1995
Lisboa
https://fundacao-ais.pt/uploads/seo/big_1585926010_1526_logo-jpg
15 10
505152304

Notícias

VIOLÊNCIA RELIGIOSA: 22 de Agosto dia para recordar as vítimas da violência religiosa

21 agosto 2020
VIOLÊNCIA RELIGIOSA: 22 de Agosto dia para recordar as vítimas da violência religiosa
“Não podemos fechar os olhos a esta realidade”, afirma o presidente executivo da ACN, Thomas Heine-Geldern

Após um aumento sem precedentes da violência contra comunidades religiosas e pessoas pertencentes a minorias religiosas, em 2019 a Assembleia Geral da ONU proclamou o dia 22 de Agosto como o Dia Internacional das Vítimas dos Actos de Violência baseada na Religião ou Crença. Mas, de acordo com a Fundação AIS em vésperas do primeiro aniversário, a situação só piorou. A organização alerta para o crescimento do terrorismo internacional com base na religião e uma tendência alarmante de ataques a edifícios e símbolos religiosos para chamar a atenção para outros direitos sociais legítimos e questões de injustiça.

“As notícias constantes sobre actos de violência e assédio com base na religião em países como o Paquistão, Nigéria ou Índia continuam a ser motivo de grande preocupação para a Fundação AIS. Embora muitas vezes haja motivos sociais e étnicos, não podemos fechar os olhos a esta realidade”, afirma Thomas Heine-Geldern, presidente executivo da AIS.

Heine-Geldern chama a atenção particularmente para os perigos iminentes que o continente africano enfrenta com a rápida disseminação de grupos extremistas islâmicos, apelando para uma resposta mais coordenada e mais rápida das organizações internacionais: “Como é possível que não haja uma resposta global aos avisos ignorados por tanto tempo de células terroristas do Estado Islâmico a actuar em Moçambique e que resultaram recentemente na captura pelo Daesh, a 12 de Agosto, do porto de Mocímboa da Praia, no norte do país? Reconhecemos nos seus métodos a mesma intenção de eliminar a pluralidade cultural e religiosa do país, tal como fizeram noutros países como o Iraque. Até ao momento, mais de 200.000 pessoas tiveram de fugir. De que estamos à espera?” pergunta o presidente executivo da AIS.

“Os efeitos do terrorismo com base na religião internacional são devastadores, impedindo as vítimas de exercerem os seus direitos humanos fundamentais e afectando a sua estabilidade e segurança por várias gerações, muito depois de o perigo imediato parecer ter desaparecido. Basta-nos olhar para os Cristãos e os Yazidi no Iraque, que sofreram uma horrenda perseguição nos últimos anos e que continuam a ser ameaçados na sua existência. Só a perseguição aos Cristãos iraquianos reduziu drasticamente a população anterior a 2003 de 1,2 milhão de pessoas para menos de 100.000 actualmente.”

Mas não se trata apenas de uma denúncia. O dia 22 de Agosto também pretende recordar e homenagear as vítimas da perseguição religiosa que foram esquecidas. “Este ano, entre outros, recordamos o seminarista Michael Nnadi, assassinado no dia 1 de Fevereiro, na Nigéria, Philippe Yarga, catequista de Pansi, no Burkina Faso, morto a 16 de Fevereiro com mais 24, e recordamos Joseph Nadeem, cristão paquistanês que morreu a 29 de Junho, assassinado por um vizinho simplesmente por desprezo religioso e social. Também nos lembramos das vítimas de perseguição religiosa que ainda estão vivas, especialmente aquelas que foram raptadas, como a Ir. Gloria Narvaez, no Mali, e a jovem Leah Sharibu, na Nigéria", disse Thomas Heine-Geldern.

“Lamentavelmente, assistimos a uma tendência nova e alarmante em muitos países, onde edifícios e símbolos religiosos são atacados e destruídos para chamar a atenção para outras injustiças e direitos sociais legítimos”, afirma Heine-Geldern. A título de exemplo destaca o caso do Chile, onde durante as convulsões sociais e políticas do final de 2019 mais de 57 igrejas e locais de culto cristãos foram atacados e queimados, e os EUA, onde até 16 de Julho foram registados mais de 60 ataques contra igrejas católicas devido a protestos contra a discriminação racial. “Não é justiça chamar a atenção para injustiças sociais, raciais ou económicas válidas atacando a fé e as crenças dos outros. O ódio desenfreado contra grupos religiosos gera violência e destruição, e deveria ser repudiado publicamente. A violência nunca é uma solução e os governos têm a obrigação de proteger as vítimas e processar aqueles que praticam actos de violência.”

O presidente executivo da ACN também insiste na importância vital do diálogo inter-religioso para prevenir o fanatismo religioso. “Os líderes religiosos têm de desempenhar um papel crucial na construção da nação, orientada para a paz e a justiça. Devemos pôr um fim aos preconceitos sociais e, através do diálogo, acabar com os medos daqueles que são diferentes. Como organização de caridade, trabalhamos com vários parceiros de projecto neste sentido, ao mesmo tempo que procuramos lembrar às instituições e organizações internacionais que é seu dever garantir o direito fundamental à liberdade religiosa”.

“O Dia Internacional das Vítimas dos Actos de Violência baseada na Religião é um marco na direcção certa, mas temos de reconhecer que a situação mundial não está a melhorar. Incentivamos a ONU a tomar mais medidas para combater os crimes de ódio e os actos de violência religiosa. Gostaríamos muito que no próximo ano houvesse menos vítimas a recordar.”



Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Comentários

Deixar um comentário
Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.
Os cookies ajudam-nos a oferecer os nossos serviços. Ao utilizar a nossa página, concorda com a nossa política de cookies.
Saiba Mais