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Sementes de Esperança

Sementes de Esperança: Setembro 2020

1 setembro 2020
Sementes de Esperança: Setembro 2020
PAQUISTÃO:
A ESCALADA DO TERRORISMO

O “país dos homens puros” tem má reputação. Miséria, terrorismo e abusos em relação às minorias dominam os títulos dos média. Emparedado entre uma Índia hostil e a um Afeganistão em ruínas, os Paquistaneses mantêm-se num estado de tensão que favorece o jogo dos extremistas muçulmanos.

Superfície 796.095 km2
População 192.827.000 habitantes
Religiões Muçulmanos: 96,7% | Cristãos: 2 % | Hindus: 1,3 % | Outras: 0,4 %
Língua oficial Urdu e Inglês


A sua fotografia deu a volta ao mundo. Ela mostra uma adolescente bonita e sorridente, chamada Huma Younus. Esta cristã de 14 anos foi raptada e violada. O seu raptor defende que ela se converteu ao Islão e depois casou com ele, com a bênção das autoridades paquistanesas.

Os pormenores deste caso permitem medir as falhas do sistema judiciário paquistanês. A menina desapareceu a 10 de Outubro de 2019, deixando os pais angustiados. Acabaram por saber que ela tinha sido raptada e estava a 600 km da sua casa de Karachi, com Abdul Jabbar, um homem muçulmano que afirma ter casado com ela legalmente. O casal Younus recorreu à justiça, com a ajuda da advogada católica Me Tabassum Yousaf, que trabalha em colaboração com a Arquidiocese de Karachi. No caso de Huma Younus, a advogada recorreu ao Supremo Tribunal da província de Sindh, invocando a “Lei que limita os casamentos com menores” (Child Marriage Restraint Act), adoptada pela província de Sindh em 2014 mas que ainda nunca tinha sido aplicada. Conseguiu que a presença da principal interessada, Huma Younus, fosse solicitada em tribunal na audiência de 3 de Fevereiro de 2020. Os pais, que não viam a filha há cinco meses, tinham grandes esperanças nessa audiência. Mas Huma foi retida, provavelmente com a cumplicidade do responsável do inquérito, Akhtar Hussain. Interrogado sobre a ausência da menina, limitou-se a dizer que a jovem tinha sido convocada. Depois do início do caso, Hussain manteve uma atitude ambígua, suscitando fortes suspeitas de conluio com o raptor. No final daquela nova audiência, Huma Younus foi declarada “maior” pelos dois juízes encarregados do caso. Os documentos apresentados pelos pais, atestando a sua data de nascimento, não tiveram qualquer utilidade. Para justificar a sua decisão, os juízes argumentaram que segundo a sharia, uma jovem pode casar logo que seja menstruada. A sharia prevaleceu sobre o direito constitucional paquistanês. No momento em que escrevemos este artigo, Huma Younus continua “casada” com o seu agressor. Como se não bastasse, o agressor Abdul Jabbar fez a seguinte ameaça aos pais da vítima: “Se não pararem de procurar a vossa filha, serão acusados de blasfémia.” Ele sabe bem que a justiça paquistanesa, tão recalcitrante em resolver um rapto e uma violação, será célere a punir cristãos que ousaram atacar o Islão.



Lamentavelmente, esta história, que prova a falência da administração judiciária paquistanesa, está longe de ser a única. Neste país, os homens muçulmanos à procura de esposa raptam mulheres oriundas de uma das minorias religiosas desprezadas. O Movement for solidarity & peace, que há cerca de 10 anos vem alertando os média para este tema calcula no seu relatório Forced Marriages & Forced Conversions que 700 cristãs e 300 hindus são raptadas desta forma todos os anos.


QUARENTA CRISTÃOS LIBERTADOS
Para além dos casamentos forçados, haveria muitos exemplos a dar da parcialidade das autoridades paquistanesas quando são confrontadas com as minorias religiosas. No início de Março de 2020, 40 cristãos foram libertados após cinco anos de prisão, tendo sofrido condições de detenção tão duras que dois deles não sobreviveram. Estes cristãos tinham sido acusados de ter linchado dois muçulmanos após o atentado anti-cristãos de Lahore, na Páscoa de 2016, que provocou 70 mortos e 340 feridos. A polícia paquistanesa não conseguiu prender os autores do atentado, mas por outro lado conseguiu encontrar os “culpados” pela morte dos muçulmanos. Segundo os responsáveis eclesiásticos, quando a polícia procedeu aos interrogatórios sobre o linchamento dos dois muçulmanos fez “buscas porta a porta com o objectivo de prender o maior número possível de cristãos”.

Oração
Para que os Cristãos do Paquistão sejam protegidos pelas leis e pelas autoridades do seu país, nós Te pedimos Senhor.

TALIBÃS E OUTROS GRUPOS TERRORISTAS
Os casos de discriminação, assassinato ou linchamento de cristãos são inumeráveis. Os extremistas de diversas correntes do Islão agitam o país e submetem o Governo a uma enorme pressão. Um caso entre muitos: a 6 de Maio de 2018, um atirador atingiu o ministro federal do Interior, Ahsan Iqbal. Declarou ter agido para impedir o Governo de pôr em causa a definição de Maomé como “o último profeta.” O ministro tinha apoiado uma lei que colocava em segundo plano a denominação do profeta, provocando a ira dos extremistas… O atirador conseguiu ganhar o caso, pois a questão nunca mais foi discutida.



A administração paquistanesa é infiltrada e assediada pelos Talibãs. Um acto tão inofensivo como uma campanha de vacinação contra a poliomielite tornou-se um tema que deu origem a conflitos, pois os Talibãs atacam as equipas de saúde acusando-as de espionagem ou de campanha de esterilização forçada. Os grupos extremistas de todos os géneros nascem e pretendem influenciar a vida política. Um dos mais recentes, o partido dos sunitas Tehreek-e-Labbaik Pakistan (TLP, Movimento Paquistanês “Estou aqui”) fundado em 2015, exige que todos os condenados por blasfémia do país sejam enforcados de imediato. Ao nível internacional, a importância do terrorismo e a corrupção da administração custa ao país a desconfiança da maioria dos seus parceiros, a começar pelos EUA. O antigo director da CIA, Michael Morell qualificou-o eloquentemente de “país mais perigoso do mundo” numa entrevista à Newsweek, devido à sua instabilidade e ao seu acesso à bomba atómica.

Esta vulnerabilidade do país aos extremistas religiosos é ainda mais chocante por não representar a população. Quando se apresentam às eleições, eles não conseguem uma votação fantástica. O TLP, nas legislativas de 2018, juntou 2,2 milhões de vozes, ou seja, 4,2% do eleitorado e não ganhou em nenhum círculo eleitoral nacional.

“Qual é o problema do Paquistão?”, pergunta no seu livro Babar Ayaz. De tez escura, bigode branco esculpido e porte digno, é um verdadeiro paquistanês que põe o dedo na ferida. Após 41 anos de jornalismo, escreveu o livro “What’s wrong with Pakistan?”. Podemos ler na sua introdução: “Quando um Estado permanece disfuncional 66 anos após a sua criação, precisa de um diagnóstico neutro e desapaixonado.” Ele relembra que na origem do Paquistão, havia medo. O dos muçulmanos da Índia que, depois de terem dominado os Hindus durante 650 anos, assistiram, com a colonização britânica, ao seu lugar ser posto em causa. A partir do séc. XIX, as elites muçulmanas indianas começaram a recear ser esmagadas pela maioria hindu. Daí nasceu a liga Muçulmana, encorajada pelo colonizador britânico, fiel à sua estratégia de dividir para reinar.

É neste ponto de partida que é preciso procurar o “defeito genético” do Paquistão, segundo Babar Ayaz. E assegura que a enorme maioria dos Indianos muçulmanos apoiavam uma certa independência em relação aos Hindus simplesmente para salvaguardar as suas liberdades fundamentais e o receio de represálias. Foi apenas gradualmente que o carácter muçulmano se afirmou no país, por exemplo quando mudou de nome, em 1956, para se tornar a República Islâmica do Paquistão.

Ao fundar um país sobre o pedestal desta religião, o Paquistão correu o risco de ser constantemente oprimido por grupos de muçulmanos que afirmam compreender o Islão e aplicá-lo em verdade. Estabelecida no contexto sangrento da independência indiana, a administração paquistanesa perpetua junto dos jovens a sua desconfiança em relação aos seus vizinhos hindus. Babar Ayaz constata, assim, que os manuais escolares de história celebram a memória de Mahmoud de Ghazni (971-1030). Este conquistador muçulmano terá feito, segundo a tradição, o voto de pilhar a Índia uma vez por ano e de recitar um verso do Corão após cada destruição do templo. Liderou 17 campanhas de pilhagens na Índia, trazendo um número exagerado de escravos. Nas mesquitas, muitos imãs acusam todas as semanas o mundo inteiro dos males que afectam o Paquistão, alimentando os fiéis com o ódio, lamenta Babar Ayab.



O Pe. Emmanuel Parvez, sacerdote católico paquistanês, constata que estes sermões têm um eco junto da população: “Há muita cólera nos muçulmanos. Eles vêem a história recente dos países muçulmanos como uma série de derrotas. Mouanmmar Kadhafi, Saddam Hussein e mesmo Bin Laden foram heróis aos seus olhos. ‘Foram todos mortos pelos americanos’, dizem.”


Oração
Para que Deus toque e transforme os corações empedernidos dos extremistas que semeiam o ódio no Paquistão, nós Te pedimos Senhor.

ASIA BIBI, ENCONTRO COM UM ÍCONE
A cristã que passou nove anos nas prisões paquistanesas por “blasfémia” teve a amabilidade de se encontrar com a Fundação AIS, em Fevereiro de 2020, por ocasião da sua passagem por Paris. Conhecemos uma mulher com uma força de ânimo inquebrantável, apesar dos terríveis sofrimentos que viveu e quis deixar-nos esta mensagem: “Não tenham medo! Se derem a mão a Cristo, o que poderão temer?”
ARMAMENTO NUCLEAR DO PAQUISTÃO
Para responder à Índia, que se equipou com armamento nuclear, o Paquistão desenvolveu o seu próprio arsenal. Foi em 1987, com o apoio financeiro da Arábia Saudita e provavelmente com a ajuda discreta da China. O Paquistão, que nunca assinou um tratado da não proliferação das armas nucleares, é a única república islâmica que dispor deste tipo de armamento.



FO Set20

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