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Sementes de Esperança

Sementes de Esperança: Abril de 2020

31 março 2020
Sementes de Esperança: Abril de 2020
GANA:
UM ILHÉU DE ESTABILIDADE NUMA REGIÃO ATORMENTADA

 País fronteiriço com o Burkina Faso, onde a Igreja se tornou o alvo dos jihadistas, o Gana parece ter sido preservado da violência. Um país que se distingue pela estabilidade política, o crescimento económico e a coexistência religiosa.

Superfície 238.537 km2
População 28.033.000 habitantes
Religiões Cristãos: 64,5 % | Muçulmanos: 19,9 % | Religiões Tradicionais: 15,1 % | Outras: 0,5 %
Língua oficial Inglês


“Gana, um país fascinante com uma natureza e uma fauna de cortar a respiração”, “o país do ouro, famoso pelas suas antigas fortalezas e praias isoladas”, são habitualmente os títulos das brochuras turísticas. E é verdade que são cada vez mais os turistas que vêm à descoberta da República do Gana, considerado um dos países mais estáveis de África, tanto política como economicamente, enquanto a norte o Burkina Faso mergulha na violência.

As mudanças de Governo dão-se geralmente com tranquilidade e revelam uma verdadeira estabilidade democrática. Em Dezembro de 2016, o país passou, de forma perfeitamente serena, pela sua sétima eleição democrática desde a sua independência em 1957. “O Gana é um país muito pacífico”, explica o Pe. Paul, secretário do Bispo de Damongo, no norte do país, “mas pode haver rivalidades entre tribos diferentes ou conflitos de chefes. Foi, nomeadamente, o caso de Yendi, durante quase duas décadas, até Janeiro de 2019. Mas, no geral, os Ganeses são pessoas muito pacíficas.”

Para D. Pierre Paul Angkyier, Bispo de Damongo, esta estabilidade política favorece o crescimento económico do Gana. Este aumenta há vários anos e a proporção da população que vive abaixo do limiar da pobreza diminuiu para metade desde o princípio dos anos 90, passando de 52 % em 1992 para 23,4 % em 2016, segundo o Banco Mundial.

A ausência de infraestruturas complica as trocas comerciais no Gana. À falta de uma ponte, as motas são transportadas em canoas.

PAÍS COM UMA ECONOMIA DINÂMICA
Recursos naturais abundantes – petróleo, gás, ouro e cacau – associados a uma situação política pacífica e estável contribuem para o desenvolvimento da antiga colónia britânica. Sendo a economia fortemente dependente das exportações de matérias-primas vulneráveis às flutuações do mercado mundial, o Governo dirigido pelo presidente Akufo-Addo, no poder desde 2017, põe a tónica no papel do sector privado. Isto cria mais empregos, ainda que a maior parte estejam no sul. “As pessoas formadas partem para Acra, capital do país, porque não temos muitos empregos aqui no norte e isso é um problema”, explica o Pe. Lazarus Annyereh que trabalha na província de Tamale. Outrora, os jovens voltavam durante a estação das chuvas para ajudar a família no trabalho do campo. Mas isso acontece cada vez menos, porque não podem deixar o emprego durante os quatro ou cinco meses que duram as colheitas.

Todavia, o afastamento entre o Norte e o Sul do país não pode ser ignorado. Enquanto o sul beneficia das explorações auríferas e do turismo, o norte é sempre prioritariamente rural e fortemente dependente da agricultura. Entretanto, a estação das chuvas é cada vez mais curta. À excepção das grandes cidades como Tamale – que é aliás uma das cidades da África ocidental com crescimento mais rápido – a população vive, principalmente, em casas de terra batida. Conforme a tribo, estas podem ser redondas com uma cabana maior para o pai de família e outras mais pequenas para as suas numerosas esposas e filhos. Embora esteja a diminuir, a poligamia é uma realidade muito generalizada nesta parte do país.

A pequena aldeia rural de Masimpa, na Diocese de Damongo, foi construída com materiais tradicionais, palha e colmo.
País multiétnico – com mais de 70 etnias diferentes – o Gana tem uma grande diversidade de culturas, tradições e línguas. Praticamente cada tribo tem as suas próprias crenças que são muitas vezes incorporadas na religião oficial. Quase 65% dos Ganeses são cristãos, principalmente protestantes, e há cerca de 10% católicos. Os Muçulmanos representam cerca de 20% da população e 15% dizem pertencer às religiões tradicionais, principalmente no norte do país onde algumas regiões têm, por vezes, mais de 80% de animistas.

“Ao contrário do espiritismo e da bruxaria, aqui o vodu não é um problema”, diz o Pe. Sebastian Zaato, de Tamale. Uma constatação partilhada pelo Pe. Joseph Sukpe, de Yendi. Uma comunidade próxima da sua paróquia queria matar um rapaz de 8 anos, deficiente físico e mental, porque o consideravam responsável pela morte de um jovem. “Eles acreditam que a alma de uma pessoa se solta do corpo durante o sono”, explica o sacerdote. “Durante a noite, uma alma possuída pode vaguear e matar os outros. Estavam convencidos que a alma do rapaz atacava os inocentes.” O pai, o pastor fetichista da comunidade, contactou imediatamente um catequista confiando-lhe a vida do seu filho. Hoje, o rapazinho vive num orfanato situado a mais de 200 km, onde as Irmãs Marianas do Amor Eucarístico cuidam dele e de mais de 70 crianças a quem as pessoas chamam “as crianças feiticeiras”. Mas o Pe. Joseph acrescenta: “Para mim é também o começo de qualquer coisa nova. O pastor fetichista ficou, de repente, com dúvidas acerca das suas próprias crenças, porque estas não podiam salvar o filho que ele amava.”


Oração
Para que, a par do desenvolvimento económico e da estabilidade política, a paz continue a existir no Gana, nós Te pedimos Senhor!

ANIMISMO

Confrontadas com uma dificuldade de ordem médica ou financeira, as pessoas não hesitam em dar grandes somas de dinheiro a adivinhos ou a seitas cristãs que prometem cura e riqueza, na esperança de receberem uma resposta imediata para o seu problema. Uma procura de instantaneidade que constitui um verdadeiro desafio para a Igreja. O Pe. Martin Muosayir, antigo professor de teologia num dos grandes seminários do país, pensa que, na verdade, muitos cristãos não sabem como rezar. “Pedemme para rezar em vez deles” explica. “Mas eu respondo-lhes que rezar é como comer: eu não posso comer por eles. Não têm interiorização.”

D. Peter Paul Angkyier, Bispo da Diocese de Damongo.
Como na maior parte dos países africanos, a Igreja no Gana vê-se confrontada com numerosos desafios. O Governo não faz o suficiente em matéria de educação, de desenvolvimento ou de acesso aos cuidados de saúde e, sem a Igreja Católica, certas regiões não teriam escola, hospital ou água potável. No norte do país, antes da criação da Diocese de Damongo, em 1995, mais de 92% das mulheres e das raparigas desta região eram analfabetas, bem como 74% dos homens e dos rapazes. Esta situação mudou bastante desde que o antigo arcebispo trabalhou para a construção de escolas e de centros de formação profissional. “A educação é importante para a consolidação da paz”, acrescenta o Pe. Lazarus, “principalmente quando se trata de conflitos tribais. Constatámos que estes litígios diminuíram nesta região.”

Na origem destes conflitos estavam problemas causados pela tribo nómada dos Fulani. Se bem que não sejam oficialmente conhecidos nem estejam registados como tribo no Gana, vagueiam com o seu rebanho e muitas vezes destroem as explorações dos agricultores, principalmente no sul, onde as pastagens são mais abundantes. Mas, graças à acção da Igreja, certos grupos de agricultores e de Fulani começam a dialogar, embora este conflito não tenha tomado proporções tão dramáticas como na Nigéria, Burkina Faso ou outros países africanos. No entanto, face à multiplicação dos ataques nos países vizinhos, a Igreja está vigilante: “Debatemos medidas de segurança à volta das nossas igrejas”, conta D. Peter Paul Angkyier, “porque temos consciência das ameaças. Temos obrigação de proteger os nossos lugares de culto mas, no momento presente, não é com soldados nem polícias. Educamos o nosso povo para ter os olhos abertos, estar vigilante e, como é óbvio, continuar a dialogar.” Aliás, certas dioceses organizaram sessões de formação sobre as medidas de segurança.

A Irmã Stan Terese Mumuni ao serviço dos “filhos da feiticeira” rejeitados pela população.
Apesar da Igreja Católica estar muito empenhada no país com escolas, hospitais e diálogo inter-religioso, alguns criticam a sua atitude missionária que poderia ter destruído a espiritualidade ganesa. “Por causa da sua ignorância e da sua falta de abertura, os primeiros missionários, chegados em 1880, vieram com a convicção de que não havia nada de bom na cultura ganesa”, lamenta D. Peter-Paul Angkyier, “embora alguns símbolos da religião tradicional sejam pertinentes para o desenvolvimento da fé. Mas, com o decorrer dos anos e em particular após o Concílio Vaticano II, a Igreja tomou consciência da necessidade de se inculturar.” Hoje, a Igreja tem consciência que a Palavra de Deus se vive numa cultura existente. E é, aliás, fascinante constatar que esta cultura ganesa tradicional e a Igreja Católica partilham um certo número de valores como a importância dada à dignidade da pessoa humana

OraçãoPara que o povo do Gana se fortaleça nos seus valores cristãos e consiga resistir à ameaça islâmica, da feitiçaria e das seitas, nós Te pedimos Senhor!

RELIGIÕES TRADICIONAIS
No Gana, as religiões tradicionais ainda têm uma forte influência, apesar da presença do Cristianismo e do Islão. Caracterizam-se nomeadamente pela veneração dos antepassados mortos, que se acredita estarem sempre presentes, observando todas as acções dos vivos, sendo assim uma ligação com o mundo espiritual.

Um seminarista, do Seminário de São Victor, símbolo do dinamismo das vocações entre a pequena comunidade católica.

EVANGELIZAÇÃO
O Cristianismo entrou no Gana por três portas: Cape-Coast, situada ao sul, onde os padres católicos chegaram com os primeiros colonos portugueses, em 1482; a região à de Ho, no sudeste, onde a primeira igreja evangélica presbiteriana foi fundada em 1847; e a porta norte, Navrongo, onde a primeira missão católica foi estabelecida, em 1906, por missionários franco-canadianos vindos do Burkina Faso. Daí dirigiu-se para o centro do Gana.

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Proposta de Oração

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