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Sementes de Esperança

Sementes de Esperança: Setembro de 2022

31 agosto 2022
Sementes de Esperança: Setembro de 2022
CUBA:
A IGREJA E A MARCHA DA HISTÓRIA



Superfície
109.884 km2

População
11,5 milhões

Religião
Cristãos: 61,7%
Agnósticos: 17,2%
Espíritas: 16,7%
Outras: 0,5%

Língua
Espanhol


O dia 15 de Novembro deveria ter sido um dia de manifestação histórico… mas os poucos vídeos chegados da ilha revelam o controlo apertado da situação por parte do Governo cubano, que proibiu o movimento e o cortou pela raiz.


“Sejamos claros! Aconteça o que acontecer, continuaremos a acompanhar o povo e a pedir com intensidade a abertura do diálogo, a inclusão social, a liberdade, a liberdade de expressão. Aconteça o que acontecer, iniciámos um processo que não poderá ser travado.” Em poucas palavras, o Pe. Alberto Reyes Pías, sacerdote cubano da Diocese de Camagüey, com as emoções à flor da pele, resume corajosamente a situação em Cuba. A manifestação de 15 de Novembro, proibida pelo Governo do presidente Miguel Diaz-Canel, vem no seguimento dos acontecimentos de 11 de Julho de 2021, durante os quais, os Cubanos se tinham insurgido, gritando: “Temos fome” e “Abaixo a ditadura”. Centenas de pessoas foram presas.

Alguns foram julgados recentemente e foram proferidas condenações a 10 anos de cadeia. O país, que vive sob uma tensão extrema, parece ter esgotado a incomensurável resiliência dos Cubanos face à adversidade de uma vida cheia de múltiplas privações. A crise da Covid 19 minou toda a base da economia turística, acrescentando o seu toque lúgubre a um clima já degradante. A esperança que tinha nascido com a possibilidade de ascensão ao poder de uma geração pós-Castro, desconhecedora da revolução e supostamente aberta a reformas, desapareceu rapidamente.

Oração
Para que o povo Cubano sinta sempre a presença amorosa do Bom Pastor através dos representantes da Igreja, guiando-o, consolando-o e animando-o a perseverar, nós Te pedimos Senhor.



UM EQUILÍBRIO PRECÁRIO

Neste contexto tão particular, a Igreja Católica Cubana procura encontrar um caminho que lhe permita lançar as bases para um mundo melhor. Passando por diferentes acções pontuais, como o pedido de libertação de prisioneiros políticos por parte dos bispos de Cuba depois do dia 11 de Julho, as mobilizações a longo prazo para a formação de leigos, a criação de creches, o apoio escolar ou ainda a ajuda aos mais desfavorecidos… “Temos de ter cuidado para não provocar demasiado o poder, enquanto nos protegemos de demasiada proximidade, para que isso não afecte a confiança que a população tem na Igreja”, sublinha um dos nossos contactos. “O equilíbrio é bastante precário. Enquanto defendemos a abertura já conseguida desde há 20 anos, não podemos perder de vista o povo e as liberdades. Tudo isto, com consciência de que tudo o que foi construído durante anos pode desaparecer ao mínimo erro”. Sessenta anos depois do discurso em que Fidel Castro afirmou o carácter socialista da revolução cubana , a prudência é, de facto, essencial. No seguimento desta afirmação de filiação socialista, o país esvaziou-se de muitos sacerdotes católicos espanhóis ainda marcados pela recordação da guerra civil de Espanha, enquanto outros tinham sido expulsos directamente pelo poder. “Ainda hoje, Cuba não tem mais de 300 sacerdotes, metade deles estrangeiros, para 11 milhões de habitantes e a Igreja não tem ainda existência legal”, salienta o nosso interlocutor. “A ameaça de uma expulsão ou a limitação drástica de vistos podem ser activadas em qualquer momento.”


Oração
Para que o Espírito Santo não deixe de derramar os seus dons pelos sacerdotes que heroicamente continuam a sua missão de evangelização em Cuba, nós Te pedimos Senhor.


TRÊS VISITAS PAPAIS E PROGRESSOS NOTÁVEIS

Apesar de tudo, a Igreja Católica continua até hoje a ser a única instituição constituída existente na ilha, para além do Governo cubano e um interlocutor de referência quando surge a necessidade. Alguns salientam que as três visitas papais a Cuba, a de João Paulo II em 1998, de Bento XVI em 2012 e a mais recente de Francisco em 2015, contribuíram globalmente para reforçar a posição da Igreja Católica na ilha. Todos recordamos, a propósito, que o presidente Barak Obama saudou o importante e constante papel do Vaticano no restabelecimento das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e Cuba. “Foi um momento forte, apesar da aparente cumplicidade amigável entre Francisco e Raul Castro ter sido mal interpretada pelos Cubanos”, nota um observador local confirmando a sensibilidade extrema do assunto. Apesar disso, o reconhecimento da Conferência Episcopal Cubana ao fim de 10 anos pode ser visto como um marco muito importante. “Graças a isso, o diálogo tornou-se mais fluido com os bispos cubanos, que podem pedir vistos directamente enquanto, antes disso, só a Nunciatura o podia fazer”, conta-nos o nosso contacto. É um avanço notável. Mantém-se, apesar de tudo, o desafio considerado mais grave: a Igreja Católica tem de formar os seus leigos e construir o futuro reagrupando as forças vivas da fé cubana. Será um desejo piedoso? Estes tempos são determinantes porque, para já, uma grande parte da juventude da ilha, desiludida com a evolução dos acontecimentos, aspira unicamente a partir para o estrangeiro.


Oração
Para que a Igreja Católica continue a desempenhar um papel preponderante na abertura desta nação à liberdade e à democracia, nós Te pedimos Senhor.

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