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Sementes de Esperança

Sementes de Esperança: Setembro de 2021

1 setembro 2021
Sementes de Esperança: Setembro de 2021
NIGÉRIA
2020, ANNUS HORRIBILIS

Superfície
924.000 km2

População
206.152.701

Religião
Cristãos: 46,3%
Muçulmanos: 46,2%
Hindus: 1,6%
Religiões tradicionais: 7,2%
Outras: 0,3%



Para os Cristãos da Nigéria, 2020 foi um annus horribilis, em todos os territórios onde se faz sentir o rasto de violência do Boko Haram e dos Fulani. Face aos crescentes ataques em que os cristãos são raptados para lhes serem extorquidos os resgates, os seis estados iorubas criaram uma milícia comum Amotekun para se defenderem.

Em plena Missa dominical, no dia 25 de Abril, homens armados atacaram o templo baptista da aldeia de Maniniproche, no estado de Kaduna (centro da Nigéria). Um dos fiéis foi assassinado e quatro outros foram raptados. “Estes cristãos estavam, simplesmente, a rezar”, denunciou a Associação Cristã da Nigéria (CAN). Nesse mesmo domingo, 31 militares foram assassinados por jihadistas numa emboscada, quando circulavam em caravana militar, numa estrada próxima de Maiduguri, no estado de Borno (nordeste). Uma emboscada reivindicada pelo Islamic State’s West Africa Province (ISWAP) [Estado Islâmico na Africa Ocidental, (EIAO)].

Estes ataques mortíferos na Nigéria, principalmente no nordeste do país, têm vindo a acontecer desde 2009, ano da morte de Mohamed Yusuf, fundador do “Grupo Sunita para a Prédica e a Jihad”, mais conhecido por Boko Haram (que significa “a educação ocidental é pecado”). Não obstante a divisão deste grupo em 2016, o Boko Haram e o ISWAP defendem um mesmo Islamismo radical e hostil a toda a influência ocidental.

Oração
Para que a onda de violência e extremismo que varre a Nigéria termine, e a paz e a liberdade religiosa regressem ao país, nós Te pedimos Senhor.
EQUILÍBRIO TRADICIONAL AMEAÇADO

“Anteriormente, isto não representava problemas relevantes para os agricultores”, recorda o geógrafo nigeriano Emmanuel Igah, professor no Instituto de Preparação para a Administração Geral (IPAG) e no Instituto Superior de Gestão (ISM). Quando os pastores chegavam, atribuíam-lhes uma área para montar o seu acampamento e para o pastoreio das suas vacas. Mas, posteriormente, já organizados e armados com kalashnikovs, os Fulani passaram a tomar posse das terras agrícolas da região central da Nigéria, onde o Cristianismo está profundamente enraizado. “As aldeias tomadas pelos Fulani são, na sua maioria, cristãs” prossegue Emmanuel Igah. “Durante o dia, impedem as populações de se dirigirem aos seus terrenos agrícolas e, de noite, atacam as casas provocando dezenas de mortos.”

Desde há muito tempo que a Conferência Episcopal da Nigéria (CBCN) dá a conhecer ao Governo federal as consequências de tal instabilidade. “Os pedidos de muitos sectores, de secessão com base na etnia, não devem ser considerados levianamente”, alertava a CBCN em 23 de Fevereiro, numa declaração assinada pelo seu presidente, D. Augustine Akubueze, Arcebispo de Benin-City. “O clamor da legítima defesa está rapidamente a ganhar terreno na Nigéria”, prosseguem os bispos. “As etnias apelam à fuga de uma nação na qual elas perderam toda a confiança e sentido de pertença.”

Na verdade, o Governo do presidente Muhammadu Buhari, muçulmano de origem Fulani, parece nada fazer para pôr fim a esta “crescente insegurança provocada pelo aumento dos bandidos, dos pastores assassinos, do Boko Haram e de outros elementos criminosos por todo o país”, de acordo com a CBCN. No dia 1 de Outubro de 2020, aniversário da independência da Nigéria, D. Matthew Kukah, Bispo de Sokoto, acusou Muhammadu Buhari de “inação e violação da Constituição” e censurou-o, entre outros, por ter cedido “85% de posições chave” aos muçulmanos do norte.



Face ao aumento dos ataques aos Cristãos e à impunidade que o Boko Haram e os Fulani parecem ter, muitos deduzem que o Governo de Buhari procura fazer fugir muitos cristãos da região central da Nigéria com o fim de islamizar estes estados. “Tudo leva a crer que este plano existe”, afirma Emmanuel Igah, claramente inquieto pelo activismo agressivo da associação Fulani Miyetti (1), que proclama nas redes sociais e nas cadeias de televisão que “os Fulani estão destinados a governar a Nigéria” e que este país é “a sua terra prometida confiada por Alá”.

O camaronês Dany Franck Tiwa, director do African Centre for Crime and Security Studies (ACCSS) mostra-se, no entanto, confiante. “Não se pode afirmar que o Estado federal não executa o seu trabalho”, concilia Tiwa, “porque as forças de segurança e as Forças Armadas procuram intervir. Mas, apesar desta presença, as minorias cristãs não se sentem em segurança.”


Oração
Para que as autoridades nacionais e internacionais actuem e tomem uma posição e medidas claras e inequívocas a fim de proteger o povo da Nigéria, nós Te pedimos Senhor.

“UM DOS PIORES LUGARES DO MUNDO PARA OS CRISTÃOS”
No decorrer do período do último Relatório de Liberdade Religiosa da ACN (2018-2020), a Nigéria continua a surgir como um dos piores lugares do mundo relativamente à perseguição de cristãos. A ONU estima que 36 mil pessoas foram assassinadas e que dois milhões foram deslocadas por causa da violência provocada pelo Boko Haram, durante as duas décadas da sua existência.

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