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Sementes de Esperança

Sementes de Esperança: Novembro de 2022

31 outubro 2022
Sementes de Esperança: Novembro de 2022
LÍBANO:
A QUEDA DO PAÍS DO CEDRO


Superfície
10.452 km2

População
6 milhões

Religião
Muçulmanos: 58,8%
Cristãos: 35,1%
Agnósticos: 2,9%
Budistas: 2,1%
Outras: 1,1%

Língua
Árabe


O Líbano continua a embrenhar-se numa crise político-económica sem precedentes. Os resultados das eleições legislativas de Maio passado não parecem vir a permitir esperar qualquer alteração. Testemunho de Benôit Blenpré, director da Fundação AIS em França, após viagem ao Líbano.




- Qual é a situação no terreno? Como vivem os Libaneses o seu dia-a-dia?

Cada dia o Líbano parece afundar-se mais um pouco e ninguém pode prever o desenvolvimento da situação. A inflação é galopante (+ 208% num ano), a gasolina tornou-se incomportável, o dinheiro está congelado nos bancos, a electricidade não funciona mais que duas horas por dia. O país está parado e empobrece. Mesmo antes de deixar o Líbano, conversava com um professor da Universidade que me disse: “Estou triste; roubaram a minha vida”. Estas palavras resumem perfeitamente o estado de espírito da população.

- Há um ano e meio encontrava-se no Líbano, considera que a situação mudou?

Fui de facto ao Líbano em Outubro de 2021, pouco depois da explosão no porto de Beirute. Naquele tempo encontrei libaneses muito zangados com os seus políticos, mas igualmente determinados a contribuir para a recuperação do país. Os jovens, por exemplo, tinham vindo em grande número para ajudar a limpar as ruas e ajudar na reconstrução. Desta vez, encontrei os Libaneses abatidos, desesperados. Muitos já não acreditam no futuro do Líbano, e têm uma única esperança e projecto: partir…

- E quanto aos jovens?

Tenho uma recordação muito marcante de um encontro com um grupo de jovens da capelania universitária. Testemunharam as dificuldades enormes da situação que vivem há cerca de três anos. Um deles disse-nos: “Os políticos tiraram-nos tudo: o nosso presente, o nosso futuro, a nossa esperança, o nosso sorriso.” As universidades foram fechadas durante toda a crise sanitária e a maioria não reabre devido à crise económica. As aulas são à distância, quando há electricidade suficiente para ligar um computador… Sonham partir, mas não podem fazê-lo devido à impossibilidade de obter um passaporte neste momento. No meio deste desespero dizem-nos como é essencial o apoio da Igreja.

- Mas, então, que perspectivas consegue ver?

No passado mês de Maio houve eleições legislativas. Perguntei aos Libaneses o que pensavam que este voto político poderia melhorar na situação do país. Só tive como resposta encolher de ombros e revirar de olhos… Ninguém acredita. Quando fiz essa pergunta aos estudantes da capelania universitária, desataram todos a rir! Um riso amargo que muito revela sobre a ausência total de confiança na classe política. A crise actual é uma consequência da corrupção do mundo político.

- O Núncio Apostólico, Mons. Spiteri, informou o presidente Aoun que o Papa Francisco gostaria de visitar o Líbano. Como reagiram os Libaneses a este anúncio?*

João Paulo II e Bento XVI vieram ao Líbano. Qualquer uma destas visitas marcou muito o país, principalmente as palavras de João Paulo II quando declarou que o Líbano era “mais que um país, uma mensagem”. O equilíbrio confessional é de facto uma riqueza e uma singularidade do Líbano; e também talvez hoje, a sua fragilidade. O Papa Francisco, se vier, será bem acolhido pela população. Mas alguns estão tão desesperados que temem que a sua vinda possa não contribuir para qualquer alteração da situação. Outros receiam que, a um ano das eleições presidenciais, esta viagem seja aproveitada pela classe política.



- O que é preciso fazer para ajudar o país do Cedro?

Um dos maiores ensejos é preservar a presença dos Cristãos no país. Porque Jesus veio a estas terras, porque os Cristãos fazem plenamente parte da história do Líbano e contribuem para o equilíbrio do país. Para isso, e graças aos seus benfeitores, a Fundação AIS empenhou-se muito recentemente num apoio muito importante a escolas cristãs (ver quadro). E não nos podemos esquecer de rezar com fervor pelo Líbano. É preciso um milagre para que o país se erga. Nada resiste ao poder da Oração.


Oração
Para que o Líbano renasça das cinzas e volte a ser exemplo de luz no Médio Oriente, nós Te pedimos Senhor.


* Por motivos de saúde do Papa Francisco, a viagem ao Líbano não chegou a realizar-se.


MANTER AS ESCOLAS CRISTÃS A TODO O CUSTO
A Fundação AIS acaba de oferecer o seu apoio a 90 escolas ameaçadas de fechar por falta de meios. “Se não agirmos agora, esta crise terrível e incessante irá deixar milhares de crianças sem educação e levará ainda mais famílias cristãs à emigração”, afirmou Philipp Ozores, secretário-geral da Fundação AIS internacional. As escolas católicas no Líbano, ao estar abertas a cristãos e a muçulmanos desde há gerações, são uma protecção contra qualquer forma de extremismo e têm um papel fundamental.


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