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Sementes de Esperança

Sementes de Esperança: Novembro de 2021

31 outubro 2021
Sementes de Esperança: Novembro de 2021
NICARÁGUA
UMA DITADURA CADA VEZ MAIS REPRESSIVA

Superfície
130.373 km2

População
6.416.568

Religião
Cristãos: 98,8%
Agnósticos 2,8%
Espiritistas 1.5%
Outras: 0,9%



O ex-guerrilheiro Daniel Ortega não recua perante coisa alguma para obter um quarto mandato presidencial consecutivo. A sua mulher, por sua vez, candidata-se a um segundo mandato de vice-presidente. Um assunto de família.

Com as próximas eleições presidenciais (7 de Novembro), o Congresso do partido Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN) aprovou a 2 de Agosto, por unanimidade, a candidatura do presidente Daniel Ortega, de 75 anos, a um quarto mandato consecutivo. A FSLN endossou também a candidatura da mulher de Ortega, Rosario Murillo, de 70 anos, para um segundo mandato na vice-presidência.

Daniel Ortega, um ex-guerrilheiro admirador de Che Guevara, tinha já estado à frente do país entre 1979 e 1990. Voltou ao poder em 2007. Logo, juntamente com a sua mulher, chefiando uma oligarquia família, atribuíram a si próprios todos os poderes com o beneplácito da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN). Mandaram prender ou colocar em residência vigiada os seus principais opositores, como o ministro dos Negócios Estrangeiros da Nicarágua, Francisco Aguirre, de 76 anos. Inscrevendo-se na tradição revolucionária castrista, o presidente Ortega acusa-os de serem “agentes do império ianque” que “conspiram contra a Nicarágua para derrubar o Governo”. Qualificados de “traidores à pátria”, sete candidatos à presidência foram assim neutralizados no princípio de Junho, devido à legislação adoptada no final de 2020 para reduzir a oposição ao silêncio.



A imprensa está amordaçada. Cerca de 20 meios de comunicação social desapareceram desde o regresso de Daniel Ortega ao poder. “A ditadura pode reter o nosso papel, mas não pode ocultar a verdade” foi o cabeçalho do jornal La Prensa, de 12 de Agosto último, quando os rolos de papel foram bloqueados na alfândega impedindo a impressão da edição do dia seguinte deste jornal diário quase centenário.

A vice-presidente do jornal, Cristiana Barrios de Chamorro, que, não satisfeita com a oposição escrita, teve a audácia de se candidatar à presidência, foi presa sob a acusação de branqueamento de capitais. Além disso, toda a família Barrios de Chamorro está sob a vigilância de Daniel Ortega devido à sua oposição activa ao ditador: em 1990 a mãe de Cristiana, Violeta Barrios de Chamorro, tinha-o vencido nas presidenciais. Tal como Cristiana, o seu irmão Pedro Joaquin foi preso e o seu outro irmão Carlos Fernando, director do site de informação “Confidencial” e do programa de televisão “Esta Semana”, teve de se exilar. A França pediu a libertação de Cristina Chamorro e a sua reintegração nos direitos cívicos.

Cerca de 130 sanções internacionais atingiram os colaboradores e os próximos do presidente Ortega. Nos últimos meses, a União Europeia sancionou financeiramente e proibiu a estadia ou o trânsito na UE a 14 dignatários do país, incluindo a mulher e um filho de Daniel Ortega, devido à sua responsabilidade nas “graves violações dos direitos humanos” no país. Os EUA bloquearam os empréstimos internacionais à Nicarágua. Mas o poder escolheu a escalada: a 10 de Agosto, respondeu às críticas dos países hispânicos, chamando os seus embaixadores no México, na Colômbia, na Costa Rica e na Argentina, e acusou o Governo espanhol de se mostrar cúmplice do “terrorismo” ao “imiscuir-se nos assuntos internos do país”. Em Junho, em resposta ao relatório do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas, que condenava as prisões dos adversários, Daniel Ortega declarou: “Denunciam-nos porque as pessoas convocadas a enfrentar a justiça nicaraguense são os vossos lacaios, uns falhados.”



Desde a violenta repressão das manifestações pacíficas de 2018, (300 mortos, 7000 exilados) que Daniel Ortega classificou de tentativa de golpe de Estado, a totalidade da população continua a ser oprimida. Prisões arbitrárias, torturas…

As ONG não são poupadas. Por ter criticado a gestão da epidemia do coronavírus, 24 foram dissolvidas pelo Parlamento no fim do mês de Julho.

Oração
Para que o Teu Espírito desça sobre esta nação e lhe conceda a paz e o entendimento, nós Te pedimos Senhor.

OS CATÓLICOS COMO ALVO
“A Igreja adoptou um papel de mediação pela paz e tem intervindo para procurar a reconciliação, o que levou os Católicos a tornarem-se o alvo dos ataques”, testemunha à AIS Francisco Alday, realizador do documentário “Senhor, dai-nos a Paz” (“Lord, Grant Us Peace”), produzido pela rádio católica e estação de televisão CRTN. Esta curta-metragem conta, na perspectiva de dirigentes e jovens católicos, a história da repressão política destes últimos anos, os esforços da Igreja para conseguir a paz e o sofrimento dos fiéis. Mas este filme testemunha também a coragem destes jovens que desafiam a prisão, as torturas e por vezes a morte para trazer esperança a este país martirizado.

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