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Sementes de Esperança

Sementes de Esperança: Julho-Agosto de 2022

1 julho 2022
Sementes de Esperança: Julho-Agosto de 2022
SUDÃO DO SUL E REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO:
 


O Papa Francisco queria visitar* a República Democrática do Congo (RDC) e o Sudão do Sul nos dias 2 a 7 de Julho. A expectativa era grande em ambos os países e a população esperavam que o Santo Padre ajudasse a alcançar a paz e a reconciliação tão desejadas.


SUDÃO DO SUL R.D. CONGO
Superfície
644.329 km2
Superfície
2.344.858 km2
População
12,5 milhões
População
89,5 milhões
Religião
Cristãos: 60,7%
Religiões Tradicionais: 32,9%
Muçulmanos: 6,4%
Religião
Cristãos: 95,1%
Religiões Tradicionais: 2,5%
Muçulmanos: 1,4%
Outras: 1%
Língua
Inglês, Árabe, Dinca, Nuer
Língua
Francês, Lingala, Kituba, Suaíli, Tshiluba



SUDÃO DO SUL

Dois anos após a independência do Sudão do Sul, em Julho de 2011, o jovem estado viveu uma das mais graves crises humanitárias do princípio do século, arruinado por uma guerra civil desde Dezembro de 2013. Esta crise é global e toca os dois Sudão. Mas o Sudão do Sul é o mais atingido. Mais de quatro milhões de habitantes foram obrigados a fugir das suas casas e a refugiar-se nos países vizinhos. No entanto, a paz parecia possível depois da independência do Sul em 2011, mas as acusações de golpe de Estado entre o presidente e o seu vice-presidente tinham despoletado uma guerra civil que causou a morte de cerca de 400 mil pessoas. Numerosas igrejas foram atacadas, os padres e pastores assassinados. Dos 12,5 milhões de habitantes do Sudão do Sul, 60% são cristãos, enquanto o Norte é muçulmano. Neste contexto, a Igreja Católica apela a uma saída pacífica da crise. As Igrejas, sobretudo a Católica e a Anglicana, em conjunto, têm um papel de mediadoras de primeira linha. São muito activas na procura do diálogo e da paz, o que lhes permitiu organizar um encontro improvável entre os inimigos, no Vaticano, em 2019.

Pela Páscoa, os responsáveis das Igrejas do Sudão do Sul foram visitar as populações afectadas. Lembraram que “a paz é uma condição fundamental para garantir os direitos de cada ser humano e o desenvolvimento integral de todo um povo […]. Afirmamos que a paz é boa, que a reconciliação é possível e que a unidade é o que há de melhor”. Nesse movimento, em Agosto de 2021, foi organizada uma viagem de paz nas cidades e nas aldeias.

Acompanhados por representantes das diferentes confissões e de organizações internacionais, encontraram-se as populações e as autoridades políticas para promover o diálogo, pôr termo aos ataques tribais, às violências, à pobreza e à crise institucional. A situação não é simples e as falhas são muitas. As negociações em Outubro do ano passado, com o objectivo de formar um Governo de união nacional, não tiveram sucesso. Os bispos católicos do Norte e do Sul continuam inquietos quanto ao futuro do país, contudo, não baixam os braços e decidem publicar uma carta aberta (Que o grito do povo do Sudão do Sul pela paz e pela justiça seja ouvido e respeitado). Num comunicado que sucedeu ao enésimo fracasso interrogam-se: “Perguntamo-nos porque é que os esforços de paz estão focados na partilha do poder entre dois ou vários indivíduos, e não nas causas profundas dos conflitos.”



Consideram que é necessário envolver os responsáveis religiosos no processo de reconciliação e de paz. Para a Igreja, o acordo político não pode pôr de lado os elementos mais importantes que tocam o dia-a-dia do conjunto da população: Governo, violência, pobreza, conflitos em torno dos recursos naturais, pastagens, água e gado, corrupção, justiça, direitos humanos e a questão da identidade nacional.


Oração
Para que a paz e a reconciliação sejam os primeiros de todos os esforços no processo de reconstrução desta nação, nós Te pedimos Senhor.


O país assiste a um outro mal: a fome, que se tornou uma verdadeira arma de guerra (ler caixa), de destruição maciça e de opressão. Mais de oito milhões dos doze milhões de Sudaneses são dependentes de ajuda humanitária e vítimas de uma das mais fortes taxas de desnutrição. Fazer chegar a ajuda ou os alimentos à população representa um verdadeiro desafio. As organizações humanitárias têm de negociar com numerosos grupos armados de diversas facções políticas. O Governo e os opositores procuram matar-se à fome uns aos outros. A população tem ainda de enfrentar as causas directas das alterações climáticas (alternância entre cheias e seca). A guerra destruiu uma economia precária e tornou difícil toda e qualquer produção agrícola. Os preços dos produtos alimentares e da energia sobem e o custo de vida não pára de aumentar. O comércio colapsou e as reservas alimentares esgotaram-se.



O que irá acontecer ao sonho de paz destas populações, de uma vida feliz e de uma fraternidade reencontrada neste grande país de África? Os Cristãos do Sudão encontram-se à sombra das árvores e rezam na esperança de dias melhores


Oração
Para que a população do Sudão do Sul seja poupada ao flagelo da fome, nós Te pedimos Senhor.


REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO

A RDC é o segundo maior país do continente africano. Apesar de ser um dos países mais ricos do mundo, a sua população é a terceira mais pobre do mundo, cerca de 73% da população vive com menos de 1,90 dólares por dia. “A RDC é um país enorme, muito rico, mas onde há muito sofrimento na sociedade”, disse à Fundação AIS D. Timothée Bodika Manyisai, Bispo de Kikwit, no centro-oeste do país. Segundo este bispo, o Papa irá visitar o país num momento tumultuoso na vida da RDC. “O Papa irá a Goma, capital de Kivu do Norte, onde há muita tensão, onde há grupos armados que espalham o terror por interesses egoístas; apesar de ser a parte mais rica do país.”

A RDC enfrenta sérios desafios devido à pobreza, corrupção, debilidade das estruturas estatais, elevados níveis de insegurança e os surtos de ébola e, ultimamente, da pandemia do coronavírus. Apesar da presença dos militares e da missão de manutenção da paz da ONU, os grupos armados no leste do país continuam a aterrorizar indiscriminada e brutalmente a população, sobretudo por interesses de exploração de minerais. Há mais de 25 anos que a RDC enfrenta ataques das Forças Democráticas Aliadas, grupo extremista que em 2019 jurou fidelidade ao Estado Islâmico na África Central. As Forças Democráticas Aliadas estão principalmente no nordeste do país, nas províncias de Ituri e Kivu Norte, onde também actua a milícia Cooperativa para o Desenvolvimento do Congo (CODECO), que surgiu em 2018.




Oração
Para que haja paz a fim de que os milhões de deslocados e refugiados da RDC possam regressar às suas casas, nós Te pedimos Senhor.



A visita do Santo Padre à RDC é muito importante e irá permitir que o mundo fique a conhecer melhor os problemas deste país, que vão desde o roubo das riquezas naturais, a insegurança, os ataques de grupos armados até à pobreza extrema em que vive grande parte da população.

O Papa Francisco irá visitar Kinshasa, mas também a cidade de Goma, onde, há alguns meses, o vulcão Nyiragongo entrou em erupção, provocando ainda mais milhares de deslocados. O Papa estará com as vítimas da erupção vulcânica. Estava também prevista a visita à cidade de Beni-Butembo, mas não poderá acontecer por questões de logística.

Uma delegação das famílias que foram martirizadas, que estão em grande sofrimento, irá estar com o Papa. Como em tantos outros países do continente africano, é na imensa riqueza do subsolo que reside a sua miséria. É uma aparente contradição que só se compreende com a ganância, o lucro desmedido e a falta de respeito pelas populações locais. O subsolo da RDC é riquíssimo em ouro, diamantes, cobalto, coltan (minério muito procurado para a indústria de telemóveis e computadores) e tudo isso faz com que haja ataques praticamente constantes para tentar fazer partir as populações e depois tomar posse das terras. Tudo isto com muitos interesses da comunidade internacional, assim como de todos os países vizinhos, que procuram roubar, que procuram levar uma parte da riqueza de uma maneira fraudulenta… quantas riquezas, quanta madeira, quanto ouro, quantos diamantes são levados sem serem pagos… Tantas pessoas que morrem nas minas, sobretudo de cobalto, enterradas nos aluimentos das terras…

Para além destes problemas, a situação humanitária da RDC é uma das mais complexas e desafiadoras em todo o mundo, uma vez que múltiplos conflitos afectam várias partes do vasto território deste país. Há mais de 5 milhões de deslocados internos na RDC e mais de 524 mil refugiados de outros países como o Burundi, República Centro-Africana e Sudão do Sul..


Oração
Para que a viagem do Santo Padre decorra em segurança e seja uma forma de melhor dar a conhecer os problemas da RDC, nós Te pedimos Senhor.



* Entretanto, o Papa Francisco adiou a sua viagem a estes países por motivos de saúde e a Igreja da RDC iniciou uma Novena de oração pelo Papa.






A FOME COMO ARMA DE GUERRA
“Milhões de civis do Sudão do Sul foram deliberadamente privados de acesso aos serviços básicos e muitos foram deliberadamente mortos à fome, enquanto as receitas do Estado foram desviadas pelos responsáveis políticos do país”, acusava, em Fevereiro de 2021, um Relatório da Comissão dos Direitos do Homem da ONU.



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