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Sementes de Esperança

Sementes de Esperança: Fevereiro de 2022

1 fevereiro 2022
Sementes de Esperança: Fevereiro de 2022
MAURITÂNIA
UM PUNHADO DE CRISTÃOS NO SARA

Superfície
1.030.700 milhões de km2

População
4,8 milhões

Religião
Muçulmanos: 99,3%
Cristãos: 0,2%
Outras: 0,5%

Língua
Árabe (oficial), pulaar, soninké e wolof


A Diocese de Nouakchott cobre todo o país. Nesta imensidão, os Cristãos definem-se como minoritários, estrangeiros mas pertencentes à Mauritânia.

A Mauritânia é país mais sariano do mundo. Destino predilecto de aventureiros, como René Caillé, o descobridor de Timbuktu, deixa poucos dos seus visitantes na indiferença. Théodore Monod, o cientista e asceta cristão protestante, chamava-lhe o “verdadeiro Sara”. Na sua espiritualidade, a Mauritânia vive também a conversão radical ao Catolicismo de Ernest Psichari, autor literário e oficial méhariste [da cavalaria de camelos]. Significa que este erritório, com uma superfície de mais do dobro da de França para cerca de quatro milhões de habitantes é singular e a sua única diocese, ainda mais.



ADRAR, REGIÃO MAURITANA

Algumas figuras da Igreja marcaram muito os Mauritanos, como o Pe. Guy Daniel, espiritano que, ao chegar como missionário, escolheu seguir o itinerário da caravana de sal, de várias centenas de quilómetros, a pé e de camelo; ou como Jacques Meugniot, beneditino e eremita no deserto mauritano que foi uma versão contemporânea de Charles Foucauld. A Diocese de Nouakchott é uma Igreja de migrantes. Também se considera uma Igreja local, profundamente ancorada na realidade da sua população 100% muçulmana Por exemplo, em Kaedi, junto ao rio Senegal, na região do país que pertence ao Sahel. Vieram missionários da Índia há cerca de três anos para retomar a chama dos Espiritanos e assegurar uma presença cristã junto aos jovens através do apoio escolar, da formação em línguas e da educação cívica. Em Nouakchott, a catedral em forma de tenda moura, marca a paisagem. Acolhe cada domingo centenas de fiéis originários da África subsariana. Recentemente foram necessárias obras para a aumentar. Por vezes sofrem a pressão dos mpregadores mauritanos. Alguns são encorajados a escolher nomes próprios muçulmanos ou a cumprir o Ramadão, para se integrarem melhor. Vivem de forma intensa a sua fé à volta do seu padre, emprestado de uma diocese do vizinho Senegal. A Mauritânia, até recentemente, só tinha como representantes do clero religiosos prontos a viver a mesma vida que os nómadas que ainda são numerosos. Mas, pouco tempo depois, a Igreja da Mauritânia passou a ter também o seu próprio clero. Um dos padres, o Abade Victor, explica: “É importante para nós abrirmo-nos de forma explícita ao ambiente mouro, não numa perspectiva proselitista mas para exprimir a nossa fraternidade, que é uma comunicação do Evangelho através da caridade”. Os padres propõem formações profissionais aos jovens de assuntos importantes como a informática ou a energia solar. As Irmãs de Betânia, indianas, desempenham um papel muito importante nas suas visitas aos presos e na pastoral da catedral de Nouakchott.

Oração
Para que a minoria cristã na Mauritânia se sinta sempre apoiada pela Igreja e se apoie na sua fé em Jesus Cristo, nós Te pedimos Senhor.


25 ANOS DE MISSÃO


D. Martin Happe, dos missionários de África (Padres Brancos), Bispo de Nouakchott, acabou de festejar os 25 anos de episcopado. Esta longa presença não tem, aparentemente, sucesso apostólico; apesar da impossibilidade de um anúncio explícito da fé, existe um impacto na sociedade em que a Igreja tem uma parte importante. D. Martin Happe obteve a nomeação por parte de um núncio apostólico junto do Governo da República Islâmica. É um exemplo de esperança para os países vizinhos, vítimas de terrorismo e onde os Cristãos são frequentemente o alvo, enquanto na Mauritânia não lamentamos um ataque terrorista desde 2011! A questão dos migrantes é particularmente aflitiva. A Igreja acolhe todos os que procuram aventurar-se a apanhar uma piroga para Las Palmas (Canárias, território espanhol). É preciso acolher, escutar, compreender e propor uma alternativa a essa expedição perigosa, encorajando o regresso ao país de origem ou a procura de uma actividade económica local que permita continuar em África. O Pe. Pachel, espiritano, pároco de Nouadhibou, na costa atlântica, testemunha a extensão deste desastre humanitário. “Eu enterro as vítimas de afogamento que encontramos na costa.” A AIS financiou estruturas de acolhimento a norte de Nouadhibou, em Dakhla e Laayoune (Sara ocidental).


Oração
Para que o diálogo inter-religioso continue e dê frutos de paz, cooperação e harmonia social, nós Te pedimos Senhor.

PE. FLORIAN PACHEL MBABE, PÁROCO DE NOUADHIBOU
A Igreja é o único elemento credível [para os migrantes] porque estas pessoas em busca de uma felicidade ilusória escutam-nos, e não aos governos. A nossa intervenção face a este drama tem uma dimensão fortemente evangélica, uma vez que somos para eles, como Igreja, o rosto misericordioso de Cristo.


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