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Sementes de Esperança

Sementes de Esperança: Abril de 2022

1 abril 2022
Sementes de Esperança: Abril de 2022
CHILE:
UM MOMENTO-CHAVE PARA A IGREJA



Superfície
756.102 milhões de km2

População
18,5 milhões

Religião
Cristãos: 87,7%

Agnósticos: 8,7%
Ateus: 2,4%
Outras: 1,2%

Língua
Espanhol


O novo presidente chileno, Gabriel Boric, anuncia um retorno ao Estado providência e a uma política social de esquerda. Está a tomar as rédeas de um país em plena crise social.


Depois da eleição triunfal de Gabriel Boric a 19 de Dezembro último, a Conferência Episcopal Chilena felicitou o novo presidente: “O país entregou-vos a sua confiança e uma grande missão, destinada a dirigir o destino do nosso país enquanto primeira autoridade e primeiro servidor.” O comunicado assegura também: “Conte com o nosso apoio e com as nossas orações, assim como com a contribuição da nossa acção pastoral.” Mas, para além disso, algumas exigências mais pormenorizadas desejadas pelo episcopado chileno todavia ficaram de fora. O Arcebispo de Concepciòn, D. Fernando Chomali, quis assim que sejam reconhecidos e valorizados “a alma religiosa do povo Chileno… o imenso trabalho realizado pela Igreja e tantas outras instituições… e a família como lugar onde se pode aprender a crescer”. Uma declaração que permite antever os receios de uma parte dos Chilenos de ver o presidente voltar as costas ao Cristianismo, que é intrínseco à sociedade chilena. Favorável à legalização do aborto, que é, hoje em dia no Chile, reservado a casos críticos, também já se pronunciou sobre o “avanço dos direitos LGBT” durante a campanha eleitoral.



DESTRUIÇÃO DE IGREJAS

Instados pelo seu jovem presidente, uma parte da nova geração chilena seria provavelmente mais desligada da religião do que os mais velhos. Vários observadores sociólogos e jornalistas locais de renome fazem eco desse facto, como Florencia Varas, ex-correspondente do The Times e do Sunday Times no Chile, que escreveu que a maioria das gerações nascidas a partir de 1974 não pertence a qualquer religião organizada e não se interessa por esses assuntos. Assim, no centro dos acontecimentos de 2019, a Igreja foi vítima de comportamentos extremos dirigidos contra os seus edifícios. O Relatório da Liberdade Religiosa, publicado pela AIS em Abril de 2021, refere que cerca de 60 igrejas e templos cristãos foram vandalizados no Chile desde Outubro de 2019. Acções que foram ao ponto da destruição pelo fogo de alguns lugares como a Igreja da Assunção, em Santiago do Chile.

NOVA CONSTITUIÇÃO

Por enquanto, o país parece ter encontrado um equilíbrio. Uma assembleia constituinte especialmente destinada à “redacção” da nova Constituição. O projecto deveria ser submetido a referendo no fim de Junho de 2022. A este propósito, Claudio Fuentes, professor de ciência política na Universidade Diego Portales, informou os nossos colegas da FranceTVInfo que a nova Constituição deverá ser “mais próxima de um modelo social-democrata com um Estado mais forte, mais direitos sociais, um reconhecimento dos direitos dos povos autóctones, o direito à habitação, que não existem na Constituição de hoje, e depois provavelmente os direitos da natureza e dos animais”. Uma vontade de inclusão social que se inscreve na dimensão da justiça e fraternidade desejada pela instituição eclesial. Os meses que se seguem serão, sem dúvida, a ocasião, tanto do lado dos representantes do episcopado como do presidente eleito, para medir as zonas de flexibilidade e os pontos de tensão de uns e outros.

O apelo potencial a uma destruição da instituição do matrimónio e da representação de minorias, aos quais o novo presidente não é indiferente, poderia suscitar atritos. A subida de tom das acusações sobre o comportamento de representantes religiosos em matéria de agressão sexual e a forma como a Igreja chilena assumirá a sua parte da responsabilidade para além de gestos fortes, como a demissão de 34 bispos em 2018, será sem dúvida mais um marcador nos tempos que se aproximam. A reconquista e finalmente a coesão política, social e religiosa do país tem, sem dúvida, este preço.




Oração
Para que o Chile continue a ser fiel ao Cristianismo e consiga ultrapassar a crise social que o tem fustigado, nós Te pedimos Senhor.

SINAIS DE ALERTA
Trinta e cinco anos, agnóstico, defensor das qualidades do laicismo, levado pela esperança de repor o Estado providência no centro do jogo e de aplainar as desigualdades sociais na origem das graves tensões que atravessam o Chile desde 2019, as quais não pouparam a Igreja Católica. Isto abre caminho a várias interpretações ao simbolismo do farol batido pelas ondas tatuado no antebraço do novo presidente da República do Chile, Gabriel Boric, em homenagem à sua região natal, a Patagónia.

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