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Sementes de Esperança

Sementes de Esperança - Fevereiro 2021

1 fevereiro 2021
Sementes de Esperança - Fevereiro 2021
ARGENTINA
UMA IGREJA SOLIDÁRIA COM OS MAIS DESPROVIDOS 


Devido à pandemia do Coronavírus que assolou a América Latina em Março de 2020, a Igreja da Argentina teve de cancelar as festas comemorativas dos 500 anos da primeira Missa celebrada no seu território. Visão geral de uma Igreja tão diversificada quanto o seu território.

Superfície 2.780.400 km2

População 43.847.000 habitantes

Religiões
Cristãos: 90,2% | Agnósticos: 5,6% | Muçulmanos: 2,1 % | Outras: 2,1 %


Língua oficial Espanhol


Foi na Argentina que se verificou a primeira morte devido à COVID-19 de todo o sub-continente americano, em 7 de Março de 2020. Uns dias mais tarde, a 20 de Março, os 45 milhões de Argentinos estavam em confinamento obrigatório. Os fiéis, pela primeira vez na história, assistiram às celebrações da Semana Santa via redes sociais, em frente dos seus ecrãs de televisão ou pela rádio. A Argentina é um país de forte tradição mariana: a Virgem de Luján é a Padroeira do país, mas outros lugares têm o seu culto à Virgem Maria, como a Virgem de Itatí, em Corrientes, ou ainda a Virgem do Vale, em Catamarca. Mas, devido ao vírus, as festas nacionais do Ano Mariano, lançado pelos bispos da Argentina a 8 de Dezembro de 2019, tiveram de ser interrompidas ou reestruturadas por alterações totais de calendário.

Assim, na província de Catamarca, no nordeste do país, foram suprimidos os grandes cortejos em honra dos 400 anos da chegada da imagem da Virgem do Vale, uma representação de Maria venerada em todo o país. Da mesma forma, as cerimónias do aniversário dos 500 anos da primeira Missa em território argentino, previstas para 1 de Abril no Porto de São Julião na Patagónia, no sul do país, foram anuladas. É o lugar onde Fernão de Magalhães acostou pela primeira vez na Argentina durante a sua volta ao mundo, a 31 de Março de 1520, data em que celebraram a primeira Missa.



D. Jorge Ignacio Garcia Cuerva confiou-nos, em Fevereiro de 2020, a sua alegria em organizar estas festas que iriam atrair fiéis de toda a Argentina e mesmo de fora. Tratava-se, para o Bispo de Rio Gallegos na Patagónia, da comemoração de um facto histórico simultaneamente religioso e cultural. O jovem bispo desta imensa diocese, que se estende pelo sul da Argentina por 1565 km até aos confins da Antártida, é um verdadeiro “bispo das periferias”. Descreve-se a si mesmo como um “fã” do Papa Francisco, “talvez o mais “bergoglianista” dos bispos argentinos!”

A imagem que traz ao peito e que o acompanha desde os seus anos de seminário é todo um programa: é a imagem de D. Óscar Romero, o bispo mártir de São Salvador, assassinado em plena Missa, a 24 de Março de 1980, pelos “esquadrões da morte” da extrema-direita. Uma escolha que caracteriza bem a personalidade deste bispo de 52 anos.

Oração
Para que a devoção a Nossa Senhora, tão forte e presente entre o povo da Argentina, não esmoreça mas antes se fortaleça nestes tempos de pandemia, nós Te pedimos Senhor.

A INSPIRAÇÃO DE D. ÓSCAR ROMERO


“Devemos ser testemunhas da Vida no meio da dor, da violência, da doença, da injustiça. Porque, como dizia Romero, a injustiça é como as serpentes que mordem os pés descalços e as prisões estão cheias de pessoas descalças, de pobres, de gente vulnerável”, confia-nos aquele que durante muito tempo foi capelão de prisões. “Já no seminário tinham reparado em mim: proibiram a afixação de uma imagem de D. Romero, para muitos um “bispo vermelho…” Já como seminarista, Jorge conhecia a vida dura dos bairros de lata, seguindo como diácono, vigário e pároco da Paróquia de Nossa Senhora de La Cava, uma “favela” da grande cidade de Buenos Aires. Rapidamente Jorge Garcia Cuerva começou a trabalhar na pastoral das prisões como capelão, até se tornar representante para a América Latina e Caraíbas junto da Comissão Internacional da Pastoral Católica nas Prisões (ICCPPC). “Trabalhei durante anos com prisioneiros, prostitutas, homossexuais, transsexuais… Somos todos pecadores amados por Deus, quem quer que sejamos!”



A sua imensa diocese, que compreende as províncias de Santa Cruz e da Terra de Fogo, conta oficialmente com cerca de 400 mil habitantes. Cerca de dois terços são católicos. Na realidade, com a migração interna e a imigração, a população da sua diocese poderia chegar ao dobro. “Na minha diocese a população é multicultural. As pessoas, à procura de trabalho, vêm de todos os lados: do norte da Argentina, da Bolívia, do Chile, do Paraguai e, desde há algum tempo, com a crise grave que o país atravessa, da longínqua Venezuela. Estes últimos são profissionais: engenheiros, médicos, professores.” É de mencionar ainda a presença na diocese de populações indígenas: Mapuches e Tehuelches, mas igualmente descendentes dos Yamanas e dos Onas, nativos da Terra do Fogo. Estes últimos eram os povos que viviam mais a sul do planeta e foram dizimados pela colonização europeia.


Oração
Para que se continue a lutar pela justiça e a igualdade na Argentina, nós Te pedimos Senhor.

“NUNCA AFASTES DE ALGUM POBRE O TEU OLHAR!”


Com a crise económica que afecta grandemente a Argentina, agravada pela pandemia de COVID-19 que assola o país, D. Jorge Garcia Cuerva mantém-se mais do que nunca fiel a este mandamento: “Nunca afastes de algum pobre o teu olhar, e nunca se afastará de ti o olhar de Deus.” (Tobias, 4,7).

Perante a urgência, o Bispo e a sua equipa começaram a distribuição de cabazes alimentares, desejando que este empenho dos cidadãos pelos outros se mantenha no futuro. Recorda que na sua diocese há pessoas que, perante o slogan “Fique em casa!” por causa da pandemia, não têm onde ficar ou estão abandonados e precisam de ajuda.

Mas os problemas que o Bispo de Rio Gallegos e a sua equipa enfrentam não se resumem à actual pandemia. Enfrentam também a pobreza e o tráfico de pessoas. As mulheres que procuram trabalho na Patagónia caiem nas redes de prostituição: vêm do norte da Argentina, principalmente das províncias de Salta e de Catamarca, mas também da República Dominicana e das Caraíbas. “Há menores entre estas mulheres, atraídas por falsas promessas de trabalho…”


Oração
Para que a Igreja continue a proteger e a promover a dignidade dos mais desfavorecidos, nós Te pedimos Senhor.


PROSTITUIÇÃO E TRÁFICO DE SERES HUMANOS


Em Santa Cruz, uma aglomeração de trabalhadores migrantes, o bispo transformou o seu “palácio episcopal” – um nome importante – em “casa pastoral”, um centro de acolhimento onde se encontram designadamente todos os que trabalham na pastoral dos emigrantes e na pastoral da escuta. Leigos e religiosos estão empenhados em combater o tráfico de seres humanos, um flagelo muito generalizado nesta região, que D. Garcia Cuerva qualifica de verdadeiro “crime contra a humanidade”.



Na sua diocese, os problemas sociais são tão vastos quanto o território, entre eles o tráfico de droga, o consumo de álcool e o suicídio de jovens: em Las Heras, no norte da província de Santa Cruz, em dois meses, 15 jovens tentaram ou concretizaram o suicídio. A pastoral social da diocese encoraja a pintura de “murais” interpelando os jovens com o slogan: “Vocês são importantes!” Nesta população migrante e em movimento que luta por criar raízes nesta região, onde predomina muitas vezes uma cultura machista, a violência e os abusos são frequentes “Nas esquadras, 60% das pessoas são presas por abusos sexuais na sua própria família. Em alguns grupos, sobretudo entre os bolivianos, menos nos paraguaios, existe deploravelmente uma tolerância cultural relativamente a este tipo de crimes.”

O bispo trabalha “muito lentamente” na consciencialização destes grupos relativamente aos seus problemas: “Acompanhoos, participo nas suas festas, danço com eles…” A sua pastoral assenta em três pilares: presença, proximidade, criação de laços. “Trata-se de uma presença física, uma pastoral incarnada. Não podemos olhar para os pobres de longe, temos de estar com eles, partilhar da sua vida! É isto a Igreja em saída, como deseja o Papa Francisco!”


Oração
Para que Nossa Senhora continue a abençoar e a multiplicar os esforços da Igreja junto dos marginalizados pela sociedade, nós Te pedimos Senhor.



A CRISE DO CORONAVÍRUS: UMA OPORTUNIDADE A AGARRAR

A Conferência Episcopal Argentina realça que vários milhões de pessoas vivem em mais de 4400 bairros pobres e apela a uma maior solidariedade: “Estas pessoas não têm possibilidade de ficar em casa, uma vez que têm de sair todos os dias para ganhar o pão para a sua família. Pensamos que a responsabilidade e o cuidado se opõem ao medo e ao pânico. O medo leva-nos a cuidar só de nós mesmos e a ter atitudes anti-sociais relativamente aos outros. A atenção e a responsabilidade pelos nossos irmãos e irmãs, conduzem-nos ao amor, à solidariedade e ao serviço. Parece-nos fundamental viver esta crise como uma oportunidade de crescimento tanto pessoal, como social.”

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