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Sementes de Esperança

Sementes de Esperança: Dezembro 2020

1 dezembro 2020
Sementes de Esperança: Dezembro 2020
SÍRIA
NOVE ANOS DE GUERRA E UM VÍRUS


O país, esgotado pela guerra e pelas sanções económicas, tem muita dificuldade em reencontrar o seu dinamismo anterior a 2011. Em Alepo, Hassaké e Idlib, as notícias que chegam dos Cristãos que lá permaneceram revelam uma insegurança geral acompanhada de uma resiliência admirável.

Superfície 185.180 km2
População 18.564.000 habitantes
Religiões Muçulmanos: 93,3 % | Cristãos: 4,6 % | Agnósticos: 2% | Outras: 0,1 %
Língua oficial Árabe



“Sobrevivemos a nove anos de guerra e não vai ser um vírus que nos destrói!” Este é o género de frase que o Padre católico arménio Antoine Tahhan ouve em Alepo, a grande cidade do norte da Síria que se vai reconstruindo.

A cidade que, durante tanto tempo foi o epicentro dos combates entre vários grupos rebeldes e o exército sírio, reencontrou a segurança depois da vitória do exército sírio a 22 de Dezembro de 2016. Dois dias mais tarde, na véspera de Natal, os irredutíveis Cristãos, que apesar de tudo continuaram no seu lugar, festejavam o nascimento de Jesus nas suas igrejas destruídas pelos bombardeamentos.

Mas há uma grande distância entre estas celebrações corajosas e o reerguer da capital económica do país que abrigava uma comunidade cristã muito importante antes do conflito. Uma grande parte dos habitantes de Alepo não voltou, principalmente os mais afortunados, mais especificamente os médicos. Constituíam os alvos preferidos para os raptos perpetrados pelos “grupos rebeldes armados” que precisavam das suas competências. Cerca de sessenta mil, à volta de 60% dos médicos sírios, abandonaram o país. Só cerca de um quarto dos hospitais sírios funciona normalmente e as necessidades são imensas.


Nestas condições, a pandemia do Covid19 – independentemente do fatalismo dos cidadãos de Alepo – representa uma ameaça muito séria. As informações sobre a sua situação real no mês de Maio de 2020 são inexistentes. Ainda assim, o Governo tomou medidas de confinamento. A 19 de Março, todas as lojas foram encerradas e foi declarado recolher obrigatório entre as 18h e as 6h da manhã. Alguns dias mais tarde, a 22 de Março, os bipos católicos de Alepo decidiram fechar as igrejas.

O Pe. Antoine Tahhan constata tristemente que os bancos vazios se multiplicaram nas igrejas, mesmo antes da pandemia. Antes de 2011 havia trinta mil famílias cristãs em Alepo, calcula o sacerdote. Hoje são dez mil e os que ficam são os mais velhos. A falta de jovens activos foi agravada pelo serviço militar que pode chegar aos dois anos.

Os jovens activos, que não têm de cumprir esta obrigação, encontram poucas oportunidades económicas na região de Alepo. “Quando a cidade foi libertada, sentiu-se um grande optimismo”, testemunha o Pe. Antoine Tahhan: “Os habitantes de Alepo colocaram a sua esperança no trabalho. Mas muitos deles continuam desempregados e os salários não são suficientes para prover às necessidades de uma família de quatro pessoas”. A crise do Líbano afectou a economia síria. As sanções internacionais, por outro lado, pesam fortemente sobre o país, em particular sobre as regiões em construção, o que exaspera os Sírios.


Oração
Para que os Cristãos na Síria continuem de cabeça e coração erguidos, e não percam a esperança e a confiança no seu Senhor, nós Te pedimos Senhor.

A GRANDE VULNERABILIDADE DOS CRISTÃOS
Desde 2011, os EUA, a União Europeia e a Liga Árabe têm submetido a Síria a sanções que afectam sobretudo os activos financeiros, o comércio de hidrocarbonetos e o sector médico. O país está em situação de quase embargo e as entidades que procuram, apesar de tudo, estabelecer relações comerciais ou ajuda humanitária na Síria, colidem com a grande complexidade jurídica que essas medidas induzem. Desde 2018, quando recomeçou a utilizar a auto-estrada de Damasco a Alepo pela primeira vez, diz-nos uma cristã síria: “Durante todo o percurso há marcas e pilhagem e destruição… é obra dos jihadistas que continuam a ser classificados de rebeldes pela comunicação social ocidental…”. Muito perturbada com a atitude ocidental relativamente ao seu país, diz-nos: “Passei pela aldeia de Qenayé, onde os “amáveis rebeldes” massacraram os Cristãos e destruíram um mosteiro… Espero que na minha próxima viagem, toda a região de Idlib esteja nas mãos do exército sírio. Não temos lugar na nossa terra para criminosos, jihadistas e muito menos turcos”.


Oração
Para que as instituições e a comunidade internacional revejam as suas políticas e sanções impostas à Síria de acordo com a justiça e os valores humanos, nós Te pedimos Senhor.

OS ATAQUES CONTINUAM
Quando alude aos “turcos”, esta cristã fala das milícias do Turquemenistão financiadas pela Turquia para manter sob pressão o seu antigo adversário sírio. Na região de Idlib, no noroeste do país, continuam a impor a sua lei. Trezentas famílias cristãs ainda ali vivem, diz-nos o Pe. Andrzej Halemba, coordenador dos projectos da AIS no Próximo Oriente. São submetidos a impostos “per capita”, o imposto reservado aos dhimmi [súbditos não-muçulmanos] e as mulheres devem sair de rosto tapado, mas os Cristãos ficam, contra tudo e contra todos!

Entre o mosaico de etnias e minorias religiosas que constitui a sociedade síria, os Cristãos são os mais vulneráveis, afirma o sacerdote. “Os Cristãos são cidadãos de segunda… Quando é preciso contratar alguém, são sempre a última escolha.” A competição para os empregos, que se tornaram raros na Síria, já é bastante difícil e não precisa de discriminação suplementar.

A região de Hassaké, no nordeste do país, abrigava vinte mil famílias cristãs em 2011. Hoje serão cerca de sete mil, de acordo com os cálculos de um dos bispos da zona, D. Nidal Thomas, vigário da igreja caldeia em Al-Jazira.

Esta região, apesar de pertencer oficialmente à Síria, depende actualmente de um Governo de maioria curda, que mantém relações estabelecidas com o Governo de Bashar-al-Assad. Em 2016, alguns confrontos opuseram os exércitos sírio e curdo. Para quem vive naquela zona, esta tensão latente complica a vida quotidiana. Por exemplo, os Curdos tentam estabelecer as suas próprias repartições públicas. Mas as autoridades governamentais sírias guardam religiosamente os seus registos. Isto leva a que as pessoas tenham de se inscrever duas vezes, no lado curdo e no lado governamental. De acordo com o bispo, os aviões de guerra continuam a sobrevoar o céu: “Os ataques não param. Só tivemos dois ou três dias consecutivos de calma desde que surgiu o coronavírus”.

Uma parte dos Cristãos desta região aderiram às forças da polícia do Gabinete de Segurança Sírio, conhecida por “Sutoro”. A evolução deste grupo, que trabalha em colaboração com as forças de segurança curda, ilustra as linhas de fractura que dividem toda a região. No fim de 2013, esta entidade deu origem a um grupo rival de Forças de Protecção do Gozarto, chamado “Sootoro”. Este grupo recusou a colaboração com o Governo curdo e alinhou com o regime baasista sírio…


Oração
Para que os Cristãos na Síria sejam protegidos e respeitados nos seus direitos, nós Te pedimos Senhor.

O BASTIÃO DA ESCOLA CRISTÃ
Quando alude aos “turcos”, esta cristã fala das milícias do Turquemenistão financiadas pela Turquia para manter sob pressão o seu antigo adversário sírio. Na região de Idlib, no noroeste do país, continuam a impor a sua lei. Trezentas famílias cristãs ainda ali vivem, diz-nos o Pe. Andrzej Halemba, coordenador dos projectos da AIS no Próximo Oriente. São submetidos a impostos “per capita”, o imposto reservado aos dhimmi [súbditos não-muçulmanos] e as mulheres devem sair de rosto tapado, mas os Cristãos ficam, contra tudo e contra todos!

Entre o mosaico de etnias e minorias religiosas que constitui a sociedade síria, os Cristãos são os mais vulneráveis, afirma o sacerdote. “Os Cristãos são cidadãos de segunda… Quando é preciso contratar alguém, são sempre a última escolha.” A competição para os empregos, que se tornaram raros na Síria, já é bastante difícil e não precisa de discriminação suplementar.

A região de Hassaké, no nordeste do país, abrigava vinte mil famílias cristãs em 2011. Hoje serão cerca de sete mil, de acordo com os cálculos de um dos bispos da zona, D. Nidal Thomas, vigário da igreja caldeia em Al-Jazira.

Esta região, apesar de pertencer oficialmente à Síria, depende actualmente de um Governo de maioria curda, que mantém relações estabelecidas com o Governo de Bashar-al-Assad. Em 2016, alguns confrontos opuseram os exércitos sírio e curdo. Para quem vive naquela zona, esta tensão latente complica a vida quotidiana. Por exemplo, os Curdos tentam estabelecer as suas próprias repartições públicas. Mas as autoridades governamentais sírias guardam religiosamente os seus registos. Isto leva a que as pessoas tenham de se inscrever duas vezes, no lado curdo e no lado governamental. De acordo com o bispo, os aviões de guerra continuam a sobrevoar o céu: “Os ataques não param. Só tivemos dois ou três dias consecutivos de calma desde que surgiu o coronavírus”.

Uma parte dos Cristãos desta região aderiram às forças da polícia do Gabinete de Segurança Sírio, conhecida por “Sutoro”. A evolução deste grupo, que trabalha em colaboração com as forças de segurança curda, ilustra as linhas de fractura que dividem toda a região. No fim de 2013, esta entidade deu origem a um grupo rival de Forças de Protecção do Gozarto, chamado “Sootoro”. Este grupo recusou a colaboração com o Governo curdo e alinhou com o regime baasista sírio.


Oração
Para que os Cristãos tenham as condições necessárias para permanecer na Síria com paz e dignidade, nós Te pedimos Senhor.


OS ÚLTIMOS REFÚGIOS DO DAESH

A sul de Deir Er Zor, a cidade a leste da Síria que viveu muito tempo cercada pelos combatentes do pseudo-califado, restam ainda jihadistas que se reclamam do estado islâmico. A partir destes refúgios, organizam ataques esporádicos sobre as forças de segurança do exército sírio ou curdo, mantendo toda a região num estado de grande tensão.


UM ÍCONE VIAJA PELA SÍRIA

O Ícone de “Nossa Senhora das Dores, Consoladora dos Sírios” foi benzido pelo Papa Francisco no dia 15 de Setembro de 2019, domingo, mesmo antes do Angelus, na Praça de São Pedro. Este ícone tem sido recebido sucessivamente em cada uma das 34 dioceses do país. O presidente da AIS de França, Pierre Bouhey, explica: “Os nossos irmãos da Síria lembram-nos continuamente o poder da oração nas situações em que têm vivido”. Piter Essa, cristão sírio ortodoxo de 17 anos, escreve: “Tenho uma cruz ao pescoço para me lembrar que, mesmo quando me sinto perdido, não estou sozinho.”

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