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Relatórios

Relatório ÍNDIA

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3 novembro 2008

MORRER EM NOME DA FÉ


Em pleno século XXI, a Igreja volta a viver momentos de perseguição e martírio que recordam o sacrifício das primeiras comunidades, que pagaram com a vida o facto de professarem a sua fé em Jesus Cristo.

 

Uma onda de violência sem precedentes atinge a comunidade cristã na Índia, com epicentro no Estado de Orissa, desde o passado dia 24 de Agosto. Seis dezenas de mortos, quase 20 mil feridos, mais de 50 mil desalojados, 178 igrejas destruídas e mais de 4 mil casas danificadas são, para já, os dados trágicos de um cenário de verdadeira “limpeza religiosa” que se estende já ao resto do país.

 

Recentemente, perante a apatia da comunidade internacional, uma mulher cristã foi assassinada em Orissa, enquanto o seu marido e as suas duas filhas conseguiam fugir. Mais uma vez, estamos na presença de um ataque perpetrado por um grupo de radicais, que assassinaram e queimaram casas de cristãos, diante da passividade da polícia. Várias pessoas ficaram feridas e entre os casos mais graves há uma criança de 8 anos.

 

Segundo os dados oferecidos pela agência AsiaNews, do Pontifício Instituto das Missões Estrangeiras, dezenas de milhares de cristãos fugiram das suas cidades e abrigam-se em acampamentos improvisados ou na selva.

 

Neste momento, parece evidente que a ideia de uma Índia enquanto estado secular foi seriamente comprometida, à medida que o país divergiu rapidamente rumo ao sectarismo hindu. Nova Deli já admitiu que esta é uma onda de violência com carácter metódico, criticou as autoridades regionais, enviou uma missão de inquérito e prometeu meios militares. Apesar disso, a violência nunca diminuiu, tendo, pelo contrário, vindo a alargar-se a outros Estados indianos.

 

O início da actual onda de violência religiosa situa-se no dia 23 de Agosto, quando Laxmanananda Saraswati, destacada figura do Conselho Mundial Hindu (VHP), foi assassinado por homens armados desconhecidos. Os maoístas reivindicaram o ataque, mas o VHP, extremista, insiste em ver nele a mão dos cristãos, porque Saraswati era um crítico acérrimo das conversões forçadas de hindus das castas mais baixas pelos missionários estrangeiros.

 

Os hindus alegam que as práticas das missões cristãs, católicas ou protestantes, são ilegais quando vistas à luz do Acto de Liberdade Religiosa de Orissa de 1967. Seis Estados indianos têm leis “anti-conversão”.  No dia seguinte ao assassinato de Saraswati teve início uma purga que já matou dezenas de cristãos, alguns dos quais regados com gasolina e queimadas vivas, mesmo perante o olhar de polícias, que nada fizeram para controlar a situação, segundo relatos de sobreviventes.

 

Muitos dos cristãos sofrem agora ataques nos campos e estão a regressar às suas casas, sem quaisquer garantias de segurança, e com grupos hindus a apelar à sua reconversão. Padres e irmãs têm de esconder a sua identidade e as autoridades estão vigilantes para garantir que não decorrem actividades religiosas nos acampamentos que reúnem cerca de 14 mil pessoas.

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