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Relatórios

Relatório CONGO

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29 janeiro 2009

GENOCÍDIO SILENCIOSO

Os novos combates obrigaram centenas de milhares de pessoas a refugiarem-se na selva, deixando-as com pouco ou nenhum acesso a cuidados de saúde, água, alimentos e abrigo.

 

No passado mês de Dezembro, dois bispos congoleses visitaram a sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, para exortar a comunidade internacional a acabar com o “genocídio silencioso” no país.

 

Os bispos Fridolin Ambongo Besungu, de Bokungu-Ikela, e Fulgence Muteba Mugalu, de Kilwa-Kasenga, pediram às Nações Unidas que aumentem as forças de manutenção da paz na República Democrática do Congo. Eles afirmam que uma força composta por 17 000 soldados não é suficiente para acabar com as atrocidades. Além disso, os bispos insistiram para que os acordos de paz existentes sejam aplicados.

 

A secretária Executiva da Comissão Justiça e Paz dos bispos congoleses, Ir. Marie-Bernard Alima, que acompanha os bispos nesta visita, afirmou que na última década mais de seis milhões de pessoas foram assassinadas no Congo. “Esta número só é igualado pela II Guerra Mundial. Mesmo assim, o conflito congolês é uma tragédia esquecida”, afirmou.

 

A Conferência Episcopal da República Democrática do Congo (RDC) considera que o país vive um "genocídio silencioso" com graves consequências também fora das suas fronteiras.

 

Numa declaração da comissão permanente dos bispos congoleses sobre a guerra no Leste e Nordeste do Congo, enviada à Agência ECCLESIA, a Igreja Católica no país afirma que o “drama humanitário” obriga a lançar “um grito de desespero e protesto”.

 

Os combates quase diários entre as forças rebeldes do general Laurent Nkunda e as tropas regulares congolesas mergulharam o país numa crise humanitária de grandes proporções.

 

Os Bispos lamentam que os factos dos últimos tempos decorram perante “o olhar impassível dos que receberam o mandato de manter a paz e proteger a população civil”.


No passado mês de Novembro, o Papa Bento XVI recordou as “inquietantes notícias” que continuam a chegar da região do Kivu do Norte, no Congo: “Sangrentos confrontos armados e atrocidades sistemáticas provocaram e continuam a provocar numerosas vítimas entre os civis inocentes; destruições, saques e violências de todo o género constrangeram outras dezenas de milhares de pessoas a abandonar mesmo o pouco que tinham para sobreviver”.

 

Calcula-se que os deslocados sejam actualmente mais de um milhão e meio, como recordou o Papa. “A todos e a cada um desejo exprimir a minha particular proximidade, ao mesmo tempo que encorajo e abençoo quantos se estão a empenhar para aliviar os seus sofrimentos, entre os quais menciono em particular os agentes pastorais daquela Igreja local”, acrescentou.

 

A Amnistia Internacional lembra que na região do Kivu Norte morre-se, hoje, não por consequência natural da vida, mas por ingerência de outros factores: violações, guerra, vingança, ódio étnico. A Declaração dos Direitos Humanos está suspensa nesta área, como em muitas outras do planeta.

 

As condições nos campos de deslocados internos são precárias, insuficientes para dar resposta aos que estão e aos que chegam, em grande número, todos os dias. Mas são, também, inúmeros aqueles que não chegam. Que se encontram espalhados em zonas sobre o controlo dos grupos armados, em áreas em que as agências humanitárias não conseguem aceder.

 

Em Outubro passado chegou-nos um pedido de ajuda vindo da Paróquia de Santo Aloys de Rutshuru, em Kivu Norte, onde se tem registado tantos atentados à vida humana e cuja população corre mesmo o risco de vir a ser abandonada pela comunidade internacional. Há muito que a AIS tem vindo a apoiar vários projectos no Congo e continua a não ficar indiferente a esta atrocidade humana.

 

A cidade de Kivu está totalmente vazia e abandonada à sua sorte. Muitos habitantes fugiram e os que ficaram barricam-se nas suas casas durante a noite. Pois apesar, das declarações do cessar-fogo, os disparos fazem-se ouvir durante muitas horas em várias áreas da cidade e é perigoso regressar a casa. Há uma atmosfera de extrema tensão que, com a chegada dos rebeldes, se transforma em pânico. Os soldados do Governo dedicam-se às pilhagens generalizadas pela noite dentro.

 

Devido ao grande sofrimento que afecta todos os deslocados, é imperativa uma intervenção de emergência. As necessidades são inúmeras. Os mais carenciados são as crianças e as grávidas. Entre outros há falta de água e de alimentos, medicamentos, cobertores, utensílios para cozinhar, artigos de higiene, para além do vestuário e do material escolar. No momento não é possível calcular os custos para obter estes bens, mas são mais de 890 famílias que se encontram sem abrigo e sem alimento. Algumas famílias foram acolhidas pela população local e com ela partilham os sofrimentos e provações actuais. Existe um comité a trabalhar em cooperação com os Padres Palotinos que se encarregará da organização e distribuição das ajudas recebidas.

 

Eles contam com a nossa ajuda!

Apoio AIS: 20.000€

 

 

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21 754 4000.

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