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SÍRIA: “Agora é mais difícil viver do que quando as bombas nos caíam em cima”, diz religiosa portuguesa sobre a crise no país

11 janeiro 2022
SÍRIA: “Agora é mais difícil viver do que quando as bombas nos caíam em cima”, diz religiosa portuguesa sobre a crise no país
“As pessoas estão cada vez mais tristes, sem esperança, porque não se vê o fim [desta situação].” A Irmã Maria Lúcia Ferreira, que vive no Mosteiro de São Tiago Mutilado, na vila de Qara, perto do Líbano, faz um retrato dramático da situação na Síria no início deste ano de 2022. Um retrato em que fala de um país mergulhado numa profunda crise económica, com os preços a aumentarem de dia para dia, elevada taxa de desemprego, racionamento de gasolina e escassez de bens essenciais como o pão.

Face a esta situação, a religiosa portuguesa, que pertence à Congregação das Monjas de Unidade de Antioquia, afirma que há cada vez mais pessoas a emigrar em busca de uma qualidade de vida que já não acreditam ser possível na Síria. Numa mensagem gravada desde o mosteiro em Qara, e enviada para a Fundação AIS em Lisboa, a Irmã Myri – como também é conhecida – afirma que “a pobreza está a agravar-se bastante” e descreve um quotidiano feito de angústia para a maioria das famílias. “Os custos dos bens quotidianos, que cada família necessita, são cada vez maiores, os preços aumentam cada vez mais, o pão vai-se tornando a pouco e pouco cada vez mais escasso, as fontes de energia estão cada vez mais caras e há coisas que já quase não se encontram no país…”

E entre as muitas coisas que passaram a ter um preço absolutamente proibitivo para a esmagadora maioria das pessoas está o vestuário. “As peças de roupa são caríssimas, e chegam a custar um quarto ou mesmo metade do ordenado mensal”, descreve a religiosa portuguesa. O preço da roupa é apenas um exemplo de como a Síria se transformou num país à beira da ruína. O retrato é avassalador. “O custo de uma só peça de roupa para uma família de quatro ou cinco pessoas é enorme, para não falar que a carne é quase inacessível e que tudo é racionado: o gás, tudo o que é energia, a gasolina, o pão, o açúcar, o arroz…”

O racionamento dos combustíveis é sintomático e revela a existência de mercados paralelos que escapam à fiscalização das autoridades… “A gasolina, que é dada a cada um segundo o seu cartão de família, não chega para um mês. Por isso, é preciso comprar fora e isso é muito, muito caro.” Face a esta situação, a Irmã Maria Lúcia Ferreira descreve um povo entristecido, que olha já sem esperança para o futuro.

Na região de Qara, onde vive a irmã, a guerra é uma memória do passado, embora o mesmo não se possa dizer de todo o país. Mas nem isso é suficiente para aliviar a moral das populações. “A guerra está mais ou menos calma, aqui, na nossa região, mas não é o caso do sul do país nem do norte nem do nordeste, mas aqui, na nossa região, na região de Damasco, na de Homs, nesta banda próxima do Líbano, graças a Deus, não tem havido conflitos, mas o que se está a passar agora é muito mais difícil do que na altura em que as bombas nos caíam em cima, em que estávamos até em risco de morrer ou de ficar feridos. Agora é muito pior. É a luta de cada dia para se saber o que ter de comer, o futuro, os jovens que não veem esperança…”

Sem esperança de que as coisas possam mudar, são cada vez mais os sírios que procuram noutro país aquilo que não conseguem encontrar dentro de portas. A emigração é a resposta possível quando tudo o mais parece faltar. Diz a Irmã Myri que “a maior parte das pessoas pensa que o melhor é sair do país e ir trabalhar para fora”. “Há muita gente que está a partir para a Líbia, para o Egipto, etc…”

Ao fim de uma década de guerra, a Síria é, de facto, um país em crise profunda. Os números não enganam. Metade da população, que era de 23 milhões de habitantes quando o conflito armado começou, em 2011, foi forçada a fugir. Destes, cerca de 5,5 milhões vivem como refugiados em países da região, enquanto outros 6,7 milhões estão deslocados dentro da própria Síria, incluindo 2,5 milhões de crianças.

Confirmando as palavras da religiosa portuguesa, o Núncio Apostólico da Síria, Cardeal Mario Zenari, afirmou já que 90 por cento da população vive, actualmente, abaixo do limiar da pobreza. É neste contexto muito difícil que a Fundação AIS lançou mais uma campanha de apoio às famílias mais empobrecidas. Com o apoio da Irmã Annie Demerjian, da Congregação de Jesus e Maria, arrancou, na véspera do Natal, uma iniciativa solidária para com a população mais necessitada da Síria. O objectivo é oferecer roupa quente a cerca de trinta mil crianças que vivem em Damasco, Alepo, Homs, Kameshli, Hassakeh, Swidaa e Horan.

ACN Portugal · “Agora é mais difícil viver do que quando as bombas nos caíam em cima”


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