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RD CONGO: Fuga das populações após erupção vulcânica na região oriental provoca risco de crise humanitária

11 junho 2021
RD CONGO: Fuga das populações após erupção vulcânica na região oriental provoca risco de crise humanitária
A erupção no dia 22 de Maio do vulcão Nyiragongo provocou mais de três dezenas de vítimas, milhares de deslocados e muitos desaparecidos. As populações da cidade de Goma, situada na província de Kivu Norte, na República Democrática do Congo, foram forçadas a abandoná-la por decisão das autoridades.

Agora, com a situação sismológica mais calma, algumas centenas de habitantes já procuram regressar apesar do risco que enfrentam numa região afectada pela lava, muitos sem casa, havendo risco de doenças e até a eventualidade de ataques por parte dos inúmeros grupos armados que actuam na região.

O Padre Arsene Masumbuko, reitor do Seminário São João Paulo II, em Buhimba, reconhece estes riscos, afirmando à Fundação AIS que “a segurança fora de Goma é muito precária” e que os grupos armados se “aproveitam da situação para atacar e assaltar a população”.

O sacerdote descreve a situação ainda como “caótica” até porque aos elementos da missão da ONU presentes no local se terão ido embora aquando da erupção do vulcão. O Padre Arsene recorda esses dias de pânico e diz: “a ‘Monusco‘ desertou e deixou-nos sozinhos”. Foram momentos de medo e de grande incerteza. O sacerdote recorda que as pessoas foram sendo informadas “pelas redes sociais” e circulavam por isso, muitas “mensagens contraditórias”. Foi, nas palavras do Padre Arsene Masumbuko, “uma verdadeira tragédia”.

Também a Madre Florida Bugagara, prioresa da congregação das Filhas da Ressurreição, explicou à Fundação AIS a forma caótica em que decorreu o êxodo das populações da Goma, que alberga mais de 2 milhões de habitantes. “Temo que possa tornar-se numa crise humanitária. As pessoas fugiram de Goma para a zona rural circundante. Muitas estão acampadas na beira da estrada ou nas colinas e montanhas. Não têm abrigo nem roupa extra. E há também falta de comida e água. Também estou preocupada que possa haver um surto de doenças em resultado das precárias condições de higiene entre aqueles que estão em fuga.”

No meio do pânico e do caos, muitos pais separaram-se dos filhos e não sabem o que lhes aconteceu. “Algumas das nossas irmãs também foram forçadas a fugir”, explicou a madre. “Mas enquanto comunidade religiosa preocupa-nos sobretudo a forma como podemos ajudar o povo. Algumas das nossas irmãs já estão a ajudar nos campos de refugiados. As pessoas não têm nada.”

Também o Irmão Lwanga Kakule, colaborador da revista Afriquespoir, em mensagem enviada para a Fundação AIS, relata uma “situação preocupante”. Segundo este missionário comboniano, “o governo não estava preparado para enfrentar uma catástrofe dessa magnitude”, nem conseguiu sequer “ajudar as pessoas a se mudarem para cidades vizinhas”.

O seu relato prossegue mostrando uma situação de caos. “Muitas famílias precisaram de caminhar muitos quilómetros com as crianças. Os deficientes e as mulheres grávidas também não foram atendidos. Cada um tratou das coisas como pode. E a isso deve ser adicionada a insegurança. De facto, as províncias de Kivu do Norte e Ituri vivem sob o Estado de Sítio, que vigora desde 6 de Maio, para conter a persistente insegurança. Esperemos que a anunciada [nova] erupção não aconteça e que as pessoas possam voltar para as suas famílias.”

O irmão comboniano termina a sua mensagem enviada para a Fundação AIS, em Lisboa, apelando ao Governo mas também às organizações internacionais para ajudarem estas populações que foram forçadas a abandonar as suas casas e actividades e agora correm o risco de “cair na pobreza”.

Um pedido de ajuda que também é subscrito pela Madre Florida. “Apelamos aos benfeitores da Fundação AIS para que possam ajudar as pessoas necessitadas e desfavorecidas. E rezamos ao Senhor para que Ele continue a proteger o seu povo e tenha pena dele. E peço aos vossos benfeitores de todo o mundo que rezem pelo nosso país, especialmente pelos do Leste. Além de todos os massacres na nossa província de Kivu do Norte, estamos agora perante este desastre natural”, disse a madre superiora da Congregação das Filhas da Ressurreição.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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