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PAQUISTÃO: Tribunal diz que Huma Younus, a jovem cristã raptada e forçada a casar com muçulmano é menor de idade

27 julho 2020
PAQUISTÃO: Tribunal diz que Huma Younus, a jovem cristã raptada e forçada a casar com muçulmano é menor de idade
Pode ser um ponto de viragem na história de Huma Younus, a jovem cristã sequestrada em 2019 e forçada a casar com um muçulmano. Na semana passada, o tribunal de Karachi reconheceu pela primeira vez que a rapariga é mesmo menor de idade, como a família sempre afirmou, e exige agora que o sequestrador e os seus cúmplices comparecem perante um juiz.

A notícia, divulgada em primeira mão pelo secretariado italiano da Fundação AIS a 22 de Julho, poderá significar uma mudança radical neste processo, pois permite alimentar a queixa que a família da jovem vinha a promover junto da justiça.

Huma, raptada em Outubro do ano passado em Zia Colony, na cidade de Karachi, quando tinha apenas 14 anos de idade, foi violada, forçada a converter-se ao islão e a casar com o sequestrador, identificado como sendo Abdul Jabbar.

No passado mês de Março, como a Fundação AIS noticiou, o tribunal de Sindh, na província de Karachi, aceitava os termos de um relatório médico que determinava que a jovem teria 17 anos de idade, ignorando assim toda a documentação oficial apresentada pelos pais, em que se atesta a data de nascimento no dia 22 de Maio de 2005.

Ao não considerar documentos como a certidão de nascimento ou de baptismo, o tribunal estava, na opinião de Nagheeno Younus, a mãe de Huma, “à espera que o tempo vá passando até ela fazer 18 anos para encerrar o caso”.

De qualquer forma, essa decisão do tribunal, privilegiando os dados de um relatório médico em detrimento de documentos oficiais, foi já reveladora da enorme irregularidade de todo este processo, pois os juízes não tomaram nenhuma decisão perante o facto de, assumindo que a rapariga teria 17 anos, se estar perante uma menor de idade… Não foi, porém, emitido nenhum mandado de prisão contra o sequestrador, nem os juízes obrigaram sequer a jovem a regressar a casa dos seus pais.

O caso de Huma Younus é particularmente revoltante tanto mais que se sabe que as jovens raparigas sequestradas e forçadas à conversão ao Islão são frequentemente violentadas pelos seus raptores.

Em Janeiro, de passagem por Lisboa, o Arcebispo de Lahore comentou este caso lembrando que, só no ano passado, houve “cerca de uma centena” de sequestros de raparigas cristãs no Paquistão. “Sei que [Huma] foi raptada e depois foi violada”, afirmou D. Sebastian Shaw à Fundação AIS.

Para o prelado, o sequestro de jovens raparigas “significa que alguma coisa está errada na sociedade”. Não há números concretos sobre esta realidade dramática, mas em relação ao ano passado, por exemplo, ano em que ocorreu o sequestro da jovem Younus, o Arcebispo de Lahore avançou com uma indicação genérica: “Não sei os números exactos, mas foram muitos, muitos casos. Talvez uma centena, talvez um pouco menos. Do Punjab, de onde eu venho, também houve casos e muitas [destas raparigas] são menores de idade”.

Já este ano a comunidade cristã paquistanesa foi sobressaltada com outro caso de sequestro de uma jovem rapariga. Maira Shahbaz, de 14 anos de idade, foi sequestrada em Abril em Madina Town of Faisalabad, no Punjab. Este caso, que também tem sido acompanhado pela Fundação AIS, chegou entretanto a tribunal.

Em Maio, um juiz de Faisalabad decidiu, em primeira instância, a favor de Mohamad Nakash, o sequestrador de Maira, declarando que a jovem tem 19 anos, ou seja, possui idade legal para contrair matrimónio, rejeitando também neste caso a validade dos documentos apresentados pela família e que atestam que ela apenas tem 14 anos.

No entanto, este caso está em aberto. Já em Julho, um clérigo muçulmano, Muhammad Asad Ali Rizvi Efi, emitiu uma ‘fatwa’, uma decisão islâmica – em nome da mesquita sunita Rizvi Jammah, Jhung Bazar, Faisalabad – em que proclamou como falso o certificado do casamento apresentado em tribunal pelo autor do rapto de Maira Shahbaz, decisão que poderá vir a provocar uma mudança significativa também neste caso.



PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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