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PAQUISTÃO: Cristã menor de idade escapa à conversão forçada no Paquistão

19 agosto 2022
PAQUISTÃO: Cristã menor de idade escapa à conversão forçada no Paquistão
Na proximidade do Dia Internacional das Vítimas de Violência Religiosa, a Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) partilha uma história que ilustra o problema generalizado das conversões e casamentos forçados. Foram relatados pelo menos 78 casos de conversões forçadas em 2021, no Paquistão.

"A minha irmã e eu tínhamos pedido roupas novas, mas os meus pais não tinham dinheiro para isso. A minha mãe só trabalhava em duas casas. Queríamos ajudar os nossos pais", disse Saba, de 15 anos, à Fundação Pontifícia AIS.

A 5 de Maio de 2022, às 9h30 da manhã, a caminho de limpar uma casa, foi raptada pelo seu vizinho muçulmano Yasir, um trabalhador na construção civil.

"Parou o riquexó numa rua. Outros dois chegaram numa mota. Empurrou a minha irmã mais velha e puxou-me para dentro do riquexó. Colocou-me um lenço na cara, encharcado com uma substância química", disse Saba à Fundação AIS.

Saba acordou em Gujrat, a 210 km a nordeste de Faisalabad. "Pedi para me deixar voltar para os meus pais e até deixei de comer durante alguns dias, mas ele não cedeu", disse Saba.

Pouco depois, a polícia de Faisalabad informou o pai, Nadeem Masih, um cantoneiro, que Saba tinha casado com Yasir. "O oficial de serviço pediu-nos para sair e esperar pelo contrato de casamento islâmico", disse Masih, que pertence à Igreja Protestante de Esmirna do Paquistão.

As minorias religiosas continuam a viver com medo no Paquistão, onde a maioria dos convertidos à força são hindus da casta mais baixa da província de Sindh no sul e cristãos da província do Punjab. Os clérigos locais emitem então contratos de casamento islâmico, formalizando o casamento da vítima com os seus raptores muçulmanos. A pobreza, a falta de instrução e o baixo estatuto social tornam as raparigas menores de idade pertencentes às minorias vulneráveis ao casamento e conversão forçados.

A Lei de Restrição ao Casamento de Crianças de 1929 determina que as raparigas não podem casar antes dos 16 anos e os rapazes devem ter pelo menos 18 anos, e na província de Sindh o Governo local aumentou a idade para os 18 anos para ambos os sexos em 2014, tornando o casamento infantil um delito punível.

Apesar desta lei, os limites de idade são ignorados com frequência. Além disso, não há restrições de idade para a conversão ao Islão e os certificados emitidos por escolas religiosas ou clérigos são imediatamente apresentados como prova de uma conversão alegadamente válida. Incidentes de conversões forçadas e casamentos forçados recebem com frequência a atenção dos média, especialmente quando a rapariga é menor de idade, mas embora os pais possam conseguir apresentar o caso à polícia esta muitas vezes não consegue recuperar a rapariga, e em muitos casos os pais, por medo, nem sequer comunicam o caso às autoridades.

De acordo com o Centro para a Justiça Social (Center for Social Justice - CSJ), com sede em Lahore, uma organização independente de investigação e defesa, só em 2021 foram reportados pelo menos 78 casos de conversões forçadas ou involuntárias de 39 raparigas hindus e 38 cristãs menores, para além de uma rapariga sikh, foram relatados só em 2021. Segundo algumas estimativas, o número de casamentos e conversões forçados é muito mais elevado.

Pelo menos dois projectos de lei importantes, o Projecto de Lei de Prevenção e Protecção contra a Violência Doméstica 2020, e o Projecto de Lei de Proibição de Conversão Forçada 2021, não se tornaram lei no ano passado, devido a objecções do Conselho de Ideologia Islâmica.

À procura de esperança, os familiares católicos de Masih levaram a família ao gabinete diocesano de Faisalabad da Comissão Nacional de Justiça e Paz da Conferência Episcopal (NCJP), cujo trabalho é apoiado pela AIS, onde o seu caso foi documentado e posteriormente enviado com pormenores para o gabinete nacional da NCJP em Lahore.

A 29 de Maio, Masih recebeu um telefonema do tio de Yasir, alegando que a sua filha tinha sido deixada perto de um parque à porta da esquadra de Madina Town, em Faisalabad.

"Levei três cristãos locais como segurança para recuperar a minha filha. Chorámos à porta da esquadra da polícia. Estamos agora à espera do relatório médico de Saba por parte da polícia", contou.

O Padre Khalid Rashid, director diocesano da NCJP, apelou à detenção do autor do crime. "Yasir vivia aqui ao lado; Saba costumava chamar-lhe tio. A sua mulher afirmou que ele tinha casado três vezes. Ela concordou em fazer uma declaração policial contra ele. Ele é agora um toxicodependente em liberdade", disse.

"O êxito na recuperação destas raparigas é raro, as pessoas desistem a meio, mas nunca iremos comprometer a dignidade das nossas crianças. É uma violação flagrante dos direitos humanos por pessoas que abusam da religião," disse o padre.



Kamran Chaudry | Departamento de Comunicação da ACN International | info@fundacao-ais.pt

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