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PAQUISTÃO: Igreja pede justiça no caso do cristão Nadeem Joseph, assassinado por comprar casa em bairro muçulmano

24 julho 2020
PAQUISTÃO: Igreja pede justiça no caso do cristão Nadeem Joseph, assassinado por comprar casa em bairro muçulmano
Comprar casa num bairro muçulmano foi fatídico para Nadeem Joseph. Este cristão de Peshawar não resistiu ao tiro disparado no dia 4 de Junho, por um vizinho que não se conformou com o facto de ele ter comprado casa no bairro muçulmano da cidade.

Nadeem morreu no hospital a 29 de Junho apesar de ter sido submetido a cinco intervenções cirúrgicas. Desde então, o seu caso tem vindo a suscitar protestos por parte da comunidade cristã.

A morte de Nadeem Joseph lançou um clamor de justiça no país e a própria Comissão Nacional de Justiça e Paz [CNJP] emitiu um comunicado sobre este caso, pedindo às forças de ordem para fazerem o possível para levar à justiça o culpado pelo assassinato deste cristão. “Este caso é uma clara violação dos direitos humanos e contra a lei e não pode ficar impune”, pode ler-se no comunicado.

“A sociedade paquistanesa tornou-se intolerante e viver como minoria religiosa está a tornar-se cada vez mais difícil”, lê-se ainda na nota assinada, entre outros, pelo presidente da CNJP, D. Joseph Arshad. Nesse comunicado refere-se ainda que “este não é um caso isolado”. “Existem muitos episódios que não são relatados. As minorias religiosas continuam a enfrentar discriminação diariamente.”

O cristão Nadeem Joseph morreu porque os seus vizinhos muçulmanos consideraram-no, assim como à sua família, “indignos e indesejados”, como descreve a agência de notícias Fides. “Primeiro, ameaçaram a família de Nadeem, ordenando que deixassem a casa dentro de 24 horas. Quando Nadeem chamou a polícia, e antes de terem chegado [os agentes], começaram a bater-lhe e depois abriram fogo e fugiram assim que a polícia chegou.”

Joel Amir Sahotra, um antigo membro do parlamento provincial do Punjab, comentou este caso para a Fundação AIS em Lisboa.

Dizendo que “a discriminação religiosa contra as minorias é infelizmente muito comum no Paquistão”, este dirigente da comunidade cristã diz mesmo que “as pessoas não estão preparadas para alugar as suas propriedades aos não-muçulmanos”. E, muitas vezes, “até dizem abertamente que os não-muçulmanos não podem lá entrar”.

“Parece a idade da pedra”, diz ainda Sohatra. “Que tipo de mentalidade é esta? Realmente, não tenho resposta. Pode ser que as pessoas no Ocidente consigam entender esta situação tão difícil que estamos a enfrentar aqui devido à religião.”



PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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