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PAQUISTÃO: Acusado de blasfémia aos olhos da multidão, cristão vive praticamente escondido há 20 anos

23 novembro 2020
PAQUISTÃO: Acusado de blasfémia aos olhos da multidão, cristão vive praticamente escondido há 20 anos
Acusado de blasfémia por um crime que não cometeu, Shafique Masih passou três anos na cadeia onde a sua vida foi ameaçada por diversas vezes. O sócio muçulmano da sua pequena oficina culpou-o de ter falado depreciativamente sobre o profeta Maomé. Não era verdade mas isso não o livrou da ira da multidão. Foi a 31 de Maio de 1998.

A polícia teve de o resgatar. “Com medo de um ataque à esquadra, levaram-me naquela noite para a prisão central de Faisalabad”, diz, agora, à Fundação AIS. “Aqui abusam da lei da blasfémia para atacar pessoas inocentes. Se a pessoa fica calada, começam a suspeitar, mas se tenta responder às acusações, deturpam as suas declarações. Isso deve terminar.”

O tempo na prisão é uma memória dolorosa para Shafique. Por mais de uma vez, tentaram assassiná-lo. Por mais de uma vez, os próprios guardas incentivavam para que se cumprisse ali, na prisão de Faisalabad, a sentença de morte que o juiz entendeu não dever aplicar. “Foi um inferno”, recorda Shafique. “Deixavam deliberadamente a fechadura da minha cela aberta para que alguém me pudesse atacar…”

O pesadelo não terminou mesmo depois de ter sido libertado em 2001. “Fui acolhido por um sacerdote que cuidou de mim como um filho e cuidou de todas as necessidades da minha família…” A ameaça de vingança, porém, está sempre presente.

Dois anos depois, em 2003, com o apoio da Comissão Nacional de Justiça e Paz do Paquistão [CNJP] e da Fundação AIS, Shafique foi transferido, com a sua família, para uma casa-abrigo num bairro residencial. “Quatro dos meus filhos nasceram aqui. Os mais novos, gémeos com 12 anos, ajudam-me na oficina pois tenho uma catarata no olho esquerdo.”

Shafique continua a ser soldador. É a sua profissão. O negócio, que nunca foi próspero, está agora quase moribundo. É uma consequência também da pandemia do coronavírus. Isso não lhe permite realizar as obras que gostaria de fazer em casa.

As chuvas da monção do ano passado fizeram desabar a parede do quintal, o terreno ficou inundado com a água dos esgotos e a casa de banho precisa de ser concertada. Mas, apesar de tudo isso, a casa é quase um paraíso quando comparada com a cela na prisão de Faisalabad.

Praticamente há vinte anos que Shafique não sabe o que é viver em tranquilidade. Até as visitas aos irmãos que vivem na aldeia de Bagywal são um risco. “Só viajo até lá de noite…” O medo está presente nos pormenores mais pequenos do quotidiano. Em qualquer altura alguém pode passar por ali, pela oficina e apontar-lhe o dedo.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

Comentários

Total de 2 Comentário(s)
Rui Mesquita
Shafique, rezo por ti e toda a tua família. Confia no Senhor Jesus, pois de todas as situações, mesmo as mais difíceis e penosas como a vossa, Ele faz brotar o desejo de bem em muitos mais corações, e assim cria Vida. Rezo pela vossa paz e fidelidade. Bem hajas.
Maria Carmo Norton
Que impressionante e triste situação !!! Como poderia ajudar ??? Conte com a minha oração já que não posso fazer mais Coragem e que Deus o proteja Uma cristã de Portugal Carmo
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