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MOÇAMBIQUE: As pessoas fogem “apenas com a preocupação de salvar a vida”, diz padre em Nampula

22 setembro 2022
MOÇAMBIQUE: As pessoas fogem “apenas com a preocupação de salvar a vida”, diz padre em Nampula
Desde o ataque terrorista à missão católica de Chipene a 6 de Setembro, em que uma religiosa italiana de 83 anos de idade, Maria de Coppi, foi assassinada a tiro, que toda a província de Nampula está em sobressalto. É cada vez maior o número de pessoas que abandonam as suas aldeias e vilas, procurando segurança nas grandes cidades.

O Padre Orlando Fausto, que até ao passado mês de Janeiro era responsável pela Cáritas Diocesana de Nampula, descreve, em mensagem enviada para a Fundação AIS em Lisboa, uma situação preocupante, com populações em fuga, aldeias abandonadas, falando mesmo no receio de que a Igreja Católica se tenha tornado num dos alvos principais dos terroristas, que reclamam a sua filiação no Daesh, o grupo jihadista ‘Estado Islâmico’.

“O número de deslocados está cada vez mais a crescer e ultimamente atingiu a província de Nampula. São povoações, aldeias e vilas abandonadas pelas populações que fogem inesperadamente de um momento para outro sem poder levar nada consigo. A preocupação é só salvar a vida. E agora, a morte da missionária comboniana deixa-nos mais preocupados porque tudo dá a entender que a Igreja Católica seja um dos alvos dos terroristas.”

O Padre Orlando, que actualmente é responsável pela paróquia de Murrupula, afirma que os novos deslocados são um desafio acrescido para as entidades responsáveis pelo apoio humanitário, nomeadamente a Igreja Católica.

Mais pessoas, mais urgências a que importa dar respostas. Diz o sacerdote que, entre as maiores necessidades, está a questão da “alimentação, dos utensílios domésticos e abrigos, os insumos agrícolas [instrumentos para o trabalho dos campos], entre outros…”

As declarações deste sacerdote ajudam a compreender o ambiente de sobressalto que o Bispo de Pemba descrevia na semana passada em entrevista à Fundação AIS. D. António Juliasse disse que haverá cerca de 100 mil pessoas em movimento na região de Nampula. “Há imensas pessoas deslocadas nesta região só nestes últimos dias” disse o prelado. “E isso é um novo drama humanitário, juntando-se já ao de Cabo Delgado…”

De facto, o ataque à missão de Chipene, no dia 6 de Setembro, em que a irmã Maria de Coppi foi morta a tiro, trouxe de novo Moçambique para a primeira página dos jornais em todo o mundo. É o regresso, em força, da violência.

Para D. António Juliasse, é fundamental que o mundo não se esqueça de Moçambique, dos deslocados, das vítimas do terrorismo. “Como alimentar todas essas pessoas? Provavelmente já vamos com perto de 1 milhão [de deslocados]”, alertou o prelado, pedindo a solidariedade do mundo para com Moçambique. “Agora, com a Ucrânia, imensas organizações estão a esquecer Cabo Delgado. E o mundo todo também vai esquecendo Cabo Delgado, vai esquecendo o nosso Moçambique, e agora a violência terrorista ultrapassou as fronteiras de Cabo Delgado…. Quero deixar o meu apelo para que não se esqueçam de nós. Se o mundo se esquecer de nós…”



PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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