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PORTUGAL: Audição do Bispo de Pemba no Parlamento Europeu está a ser pensada face ao agravar da crise em Cabo Delgado

19 novembro 2020
PORTUGAL: Audição do Bispo de Pemba no Parlamento Europeu está a ser pensada face ao agravar da crise em Cabo Delgado
O agravamento da situação humanitária em Cabo Delgado, em consequência da violência terrorista nesta província no norte de Moçambique, poderá levar o Partido Popular Europeu a propor a audição do Bispo de Pemba na Comissão dos Assuntos Externos do Parlamento Europeu.

A informação foi revelada por Paulo Rangel à Fundação AIS, tendo o eurodeputado, que é também vice-presidente do Partido Popular Europeu [PPE], considerado que a audição de D. Luiz Fernando Lisboa será “altamente inspiradora”.

A crise humanitária em Cabo Delgado está a ser seguida com preocupação tendo havido uma reunião do PPE na passada terça-feira, dia 17 de Novembro, “sobre esta questão”.

A ideia do agendamento da audição do Bispo de Pemba decorre do facto de ser “improvável”, explicou Rangel, um novo debate do plenário pois “a questão” dos ataques terroristas já foi debatida pelos eurodeputados em Setembro, “e com resolução”, ou seja, “já com doutrina fixada”.

Daí, a audição ser o caminho mais provável para que a questão do apoio humanitário às populações moçambicanas vítimas do terrorismo volte a ser debatido ao mais alto nível. “Gostaríamos de ter seguramente o Bispo de Pemba e eventualmente até a autoridade, o governador de Cabo Delgado, e que eles pudessem dar um testemunho na primeira pessoa.” Testemunho, que será, explicou Rangel ao telefone à Fundação AIS, “altamente inspirador para acelerar as coisas”.

ACN Portugal · O próximo passo seria voltar à comissão de assuntos externos | Paulo Rangel


Para Paulo Rangel a questão da ajuda humanitária não pode esperar. “As pessoas estão a morrer, as que não estão a morrer estão a ficar doentes, não há qualquer apoio médico, não há medidas de salubridade mínimas, e vem aí a época das chuvas e as pessoas estão ao relento.”

O vice-presidente do Partido Popular Europeu mostra-se muito crítico face ao pouco que tem sido feito a nível internacional no apoio às populações de Cabo Delgado vítimas de ataques terroristas desde Outubro de 2017, situação que se tem agravado significativamente nos últimos meses.

“A União Europeia tem feito pouco”, diz Rangel. “O governo de Moçambique também tem aqui responsabilidades, porque tem sido muito lento, muito fechado, sempre a tentar não dar a esta situação o relevo que ela tem. Mas pediu ajuda aos EUA, ao Reino Unido, à África do Sul e pediu ajuda em particular à União Europeia, e isso devia ter já originado, digamos, uma espécie de organização estruturada de apoio humanitário à região de Cabo delgado. E isso ainda não aconteceu.”

ACN Portugal · Nós não podemos fazer mais | Paulo Rangel


Críticas que se estendem também a Lisboa. “O governo português não tem feito o suficiente. Tem todas as condições para chamar a atenção para isto no contexto da União Europeia. Perante a brutalidade, a barbárie, a selvajaria que foram estes últimos ataques havia todo o espaço para se fazer uma declaração contundente e não apenas um lamento...” E Paulo Rangel recorda que Portugal vai ter a presidência da União europeia já a partir de janeiro, e, por isso, “está sob o foco…”

ACN Portugal · O governo português não tem feito o suficiente | Paulo Rangel


Face às últimas notícias que dão conta de ataques cada vez mais violentos, que a Fundação AIS tem denunciado, o vice-presidente do PPE afirma que “a situação é absolutamente explosiva”, com um agravamento das condições humanitárias. “Pelas estatísticas da ONU, fala-se em 315 mil deslocados, mas o Bispo de Pemba disse-me que seguramente são mais de 500 mil deslocados”, explica Paulo Rangel.

Isto está a provocar uma pressão gigantesca junto das organizações que procuram dar respostas no plano humanitário a todos os que fogem dos conflitos e da violência. “A informação que nós temos é que Pemba e os arredores, que são o caso mais claro de sobrelotação”, diz Rangel, estão a chegar a um ponto “insustentável”. Mas até em cidades mais distantes, caso de Nampula, já se começa a sentir essa pressão. “No caso da província de Cabo Delgado é dramático, no caso de outras cidades começa a ser altamente preocupante.”

Para o eurodeputado português, o que se está a viver neste momento no norte de Moçambique é quase uma guerra. “Mas não uma guerra convencional. É mais do que uma guerra de guerrilha porque o relato dos ataques, eu tenho estado em contacto com embaixadas europeias em Maputo, e todas dizem, todas têm feito os seus relatos, e os ataques são praticamente diários, ou pelo menos são três, quatro por semana.”

Na entrevista à Fundação AIS, Paulo Rangel afirma que são inúmeros os episódios de violência que permitem dizer que se está perante “uma estrutura no terreno”, por parte dos grupos terroristas. Estrutura “que pode ser mais organizada ou menos organizada”, mas que revela um claro propósito de intimidação.

“Sejam episódios de degolação, episódios de ataque a missões ou a igrejas ou edifícios públicos, seja a intimidação das populações, seja o aviso a dizer que se não saírem até dia 20 de Novembro que serão todos degolados… isto é, todas as semanas temos cinco, seis episódios de violência, nuns casos em que se matam pessoas, noutros casos em que se fazem escravos ou se recrutam jovens, noutros casos em que há violações, e essencialmente temos sistematicamente pessoas a fugir, porque ouvem relatos, ou são ameaçadas e portanto vão para as cidades ou as vilas como se diz nesta zona de Moçambique, vão para lá e [estas localidades] estão completamente sobrelotadas.”

ACN Portugal · Nós o que temos neste momento é uma estrutura no terreno | Paulo Rangel


A Fundação AIS desde há muitos meses que tem procurado denunciar também esta situação terrível que está a afectar toda a população de Cabo Delgado no norte de Moçambique. Já este mês de Novembro, a AIS decidiu apoiar as dioceses envolvidas no acolhimento aos deslocados com uma ajuda de emergência no valor de 100 mil euros.

É uma ajuda que, como explicou Regina Lynch, chefe de Departamento de Projectos da Fundação AIS a nível internacional, “procura aliviar o sofrimento e trauma” destas populações que têm sido vítimas da violência mais brutal. Regina recorda o rasto de destruição e medo causado pelos terroristas desde Outubro de 2017 quando começaram os ataques.

A responsável da Fundação AIS lembra a quase total indiferença com que a comunidade internacional tem lidado com esta situação. “Queimaram igrejas e destruíram conventos, e também raptaram duas irmãs religiosas. Mas quase ninguém prestou atenção a este novo foco de terror e violência jihadista em África, o qual está a afectar todos, tanto Cristãos como Muçulmanos. Esperemos que haja finalmente uma resposta a esta crise no norte de Moçambique, em nome dos mais pobres e mais abandonados.”

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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