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HAITI: Após rapto de cinco padres e duas irmãs, Bispo lança a pergunta através da Fundação AIS: “quem será o próximo?”

4 maio 2021
HAITI: Após rapto de cinco padres e duas irmãs, Bispo lança a pergunta através da Fundação AIS: “quem será o próximo?”
“Perguntamo-nos quem será o próximo? Serei eu ou um padre ou um irmão? Os padres e as religiosas correm o risco de psicose. Vivemos num medo constante”, diz D. Jean Désinord, Bispo de Hinche, em declarações à Fundação AIS após o sequestro no segundo fim-de-semana de Abril de cinco padres e duas irmãs. Um sequestro que acabou sem maiores consequências com a libertação dos últimos reféns no último dia de Abril.

O receio de que fala o prelado é consequência do aumento da insegurança no Haiti de que o rapto de pessoas é apenas um exemplo. “No ano passado, um padre e uma religiosa foram raptados. Graças a Deus, ambos foram libertados mais tarde”, explicou o bispo à Fundação AIS. “Mas não há uma solução rápida ou fácil para o problema de tais raptos. A Igreja só pode apelar aos nossos líderes políticos para que eles garantam a lei e a ordem no país”, disse ainda D. Désinord.

Entre os sete elementos da Igreja Católica raptados em Abril havia dois cidadãos franceses. A diplomacia francesa pôs-se logo a caminho. Talvez por isso, acabaram por ser todos libertados mas havia um pedido de resgate de cerca de 840 mil euros. Para o Bispo de Hinche, isto traduz uma estratégia criminosa cada vez mais comum no Haiti. “É simplesmente uma maneira fácil de conseguir dinheiro…” No entanto, pode haver também uma motivação política, pois a Igreja tem sido uma das vozes mais consistentes na denúncia da situação de caos em que se transformou o país, mergulhado numa profunda crise política e económica agravada por desastres naturais extremamente violentos. “A Igreja no Haiti tem uma missão profética”, explica o Bispo à Fundação AIS. “Tem de denunciar estas terríveis condições e por isso é bem possível que a Igreja seja um incómodo para alguns políticos.”

O Haiti, um dos países mais pobres do mundo, atravessa de facto uma crise sem precedentes. Em Março, o governo decretou o estado de emergência durante um mês procurando assim restaurar a autoridade do Estado em algumas áreas que estão praticamente sob controlo de gangues, inclusivamente na região da capital, Port-au-Prince. O Bispo reconhece que a própria classe política está mergulhada nesta crise. “Toda a gente sabe que os nossos políticos usam gangues criminosos para controlar certas áreas. A fronteira entre o crime organizado e a política é bastante fluida”, denunciou o prelado à AIS, agradecendo também a ajuda que a instituição tem dado ao povo haitiano “Obrigado pela vossa solidariedade e generosidade. A AIS está ao nosso lado neste momento difícil da nossa história…”

De facto, a Fundação AIS tem vindo a ajudar, desde há anos, a Igreja do Haiti na sua missão pastoral e humanitária. Só no decorrer do ano passado foram apoiados mais de 30 projectos diferentes, num valor superior a 550 mil euros, valor que serviu, por exemplo, para a aquisição e manutenção de veículos para o transporte pastoral, ajuda de emergência relacionada com o coronavírus e programas de formação para leigos, catequistas e seminaristas.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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