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EGIPTO: Agressão a mulher cristã copta fica impune

23 agosto 2022
EGIPTO: Agressão a mulher cristã copta fica impune
Na proximidade do Dia Internacional das Vítimas da Violência Religiosa, a Fundação AIS partilha este caso que é um exemplo de como os Cristãos são sujeitos a perseguição em muitos países, e muitas vezes são pressionados a não apresentar queixa oficial.

Quando Niveen Sobhy foi buscar medicamentos para o seu filho a uma farmácia próxima na sua aldeia, na província de Ashmon-Monofyia, a 402 km a sul do Cairo, não podia imaginar que seria agredida porque, enquanto cristã copta, não estava a usar um hijab, um véu muçulmano.

A 27 de Abril, enquanto os Muçulmanos celebravam o mês do Ramadão, a mãe cristã copta de 30 anos foi confrontada pelo farmacêutico muçulmano Ali Abu Sa'da, que lhe gritou por ousar sair de casa durante o Ramadão com uma t-shirt de manga curta. Quando a Sra. Sobhy lhe disse que ele não tinha nada a ver com isso, o farmacêutico deu-lhe duas bofetadas na cara. De acordo com a Sra. Sobhy, ele sabia que ela era cristã.

Ainda a tremer de medo e choque, contactou a sua família, que a levou a uma esquadra da polícia para denunciar o ataque. "O chefe da esquadra chamou quer o presidente da câmara da nossa aldeia quer o farmacêutico. Ele confessou ter-me dado uma bofetada na cara. Contudo, mentiu, afirmando que estava apenas a brincar comigo", disse a Sra. Sobhy à Fundação AIS.

"Deixaram-me à espera, das 21 horas às 2 da manhã, enquanto o meu filho estava muito doente, recusando-se a apresentar um relatório sobre o ataque e pressionando o meu marido e eu a reconciliarmo-nos com o farmacêutico. Quando insisti em apresentar um relatório, eles ameaçaram deter-me", conta.

Segundo a Sra. Sobhy, o advogado do agressor manipulou a redacção do relatório da polícia, alegando que Abu Sa'da é um amigo da família e que estava apenas a brincar com a Sra. Sobhy. "Ficámos chocados quando lemos o relatório no gabinete do procurador. Na esquadra da polícia tinham-nos forçado a assinar o relatório sem o lermos", afirma.

O ataque não é inédito. "Na Páscoa passada, este farmacêutico agrediu outra mulher cristã da aldeia. Ele tem feito isto repetidamente, mas as mulheres têm medo de apresentar queixa contra ele", acrescenta.

Embora a Sra. Sobhy tenha recorrido ao Conselho Nacional das Mulheres, ao ministro do Interior, e até ao presidente egípcio para que interviessem no sentido de a proteger e a outras mulheres destes comportamentos extremistas, o assunto terminou sendo ela e a sua família pressionadas a reconciliar-se com o agressor numa sessão habitual de reconciliação, o que geralmente resulta em impunidade para o agressor.

Uma fotografia da sessão de reconciliação que se tornou viral nas redes sociais mostra a Sra. Sobhy de pé entre um grupo de homens da sua família e da sua aldeia, ao lado do agressor e de um padre da igreja local.



"Foi uma reconciliação vergonhosa típica", diz Kamal Sedra, um activista dos direitos humanos. "Isto é o que normalmente acontece nos ataques sectários no Egipto". As mulheres não têm o direito de dizer não. Ela é uma mulher numa sociedade que desvaloriza as mulheres, enquanto os Coptas são cidadãos de segunda classe. Esperava-se que ela fosse forçada a este procedimento habitual.”

Sedra acredita que a vítima não tinha poder para recusar a reconciliação. "Mesmo os cristãos que são deslocados à força das suas casas não têm a capacidade de recusar a reconciliação. Os Cristãos Coptas estão indefesos", afirma Sedra, citando o caso de Souad Thabet, a mulher cristã copta de 75 anos que, em Maio de 2016, foi arrastada nua pelas ruas por uma multidão muçulmana na sua aldeia, depois de falsos rumores terem começado a espalhar-se de um caso entre o seu filho casado e uma mulher muçulmana casada. "A Sra. Thabet deixou a aldeia e não pode regressar ou exigir nenhuma das suas propriedades", acrescenta Sedra.

"A lei no Egipto não é a regra, as coisas dependem do estado de espírito das autoridades e da vontade política. No fim, há interesses políticos e um desejo de não enfurecer os islamistas porque representam um importante bloco eleitoral", diz Sedra à Fundação AIS, acrescentando: "Regra geral, nos países árabes e islâmicos existe um conflito entre os pactos internacionais assinados por esses países e a pressão social impulsionada pela lei islâmica. No Egipto, enquanto a Constituição estipula que todas as pessoas são iguais, há um artigo que afirma que a lei islâmica da Sharia é a principal fonte de legislação."

Os ataques a mulheres e raparigas que não usam o hijab são frequentes no Egipto, especialmente durante o mês do Ramadão, quando os adeptos da linha dura islâmica o consideram obrigatória.



Departamento de Comunicação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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