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BURQUINA FASO: “A situação é dramática”, afirma Cardeal Philippe Ouèadraogo face à onda de violência que afecta a região

25 outubro 2021
BURQUINA FASO: “A situação é dramática”, afirma Cardeal Philippe Ouèadraogo face à onda de violência que afecta a região
Mali, Níger e Burquina Faso são os três países que estão a sofrer mais com a violência terrorista que se faz sentir na África Ocidental, segundo o Cardeal Philippe Ouèadraogo.

Falando à Rádio Vaticano, o prelado denuncia uma situação extremamente grave ao nível de segurança e refere que há já cerca de 1 milhão e 400 mil refugiados na região. “A situação é dramática. Da Nigéria, o grupo terrorista Boko Haram, espalhou-se pela África Ocidental, especialmente Mali, Níger e Burquina Faso. Somos constantemente confrontados com o problema da segurança e da paz”, diz o Cardeal.

Nestas declarações, após uma audiência no dia 11 de Outubro com o Papa Francisco, na sua condição de presidente da Secam, a entidade que reúne as conferências episcopais de África e Madagáscar, o Cardeal Ouèadraogo diz que a ameaça terrorista está bem presente no dia-a-dia das populações. O Cardeal recorda um episódio recente, numa aldeia, no norte do Burquina Fasso, em que morreram 131 pessoas num ataque nocturno e questiona: “Isto é dramático, por que matam eles os seus irmãos? Por que motivo? Quem está por trás desses homens? Quem os está a ajudar?”

Face a tamanha violência, o Arcebispo de Ouagadagou pede respostas concretas nomeadamente sobre o fornecimento de armas aos terroristas. “Nós não fabricamos Kalashnikovs no Burquina Faso. Todo este material vem de fora. Quem dá esse dinheiro, quem apoia esse movimento? Devemos reflectir e demonstrar mais solidariedade para poder enfrentar as dificuldades e os desafios deste mundo. Nós tentamos rezar, porque a nossa Kalashnikov é a oração, é o que eu digo sempre!”

A crise humanitária em resultado da insegurança que se está a verificar nesta região de África está a ser seguida com especial preocupação pela Fundação AIS. Em Abril deste ano, o Irmão Alain Tougma, da Fraternidade Missionária Rural, enviava uma mensagem para a instituição pontifícia explicando que a ameaça terrorista levou a Igreja a transferir provisoriamente para o Togo um dos noviciados que estava a funcionar na localidade de Pama. “Devido às circunstâncias, não nos foi possível mantê-lo por lá. Fomos obrigados a deslocá-lo temporariamente para o Togo, porque a área ao redor da propriedade não tem vedação.”

Em Junho de 2020, Rafael D’Aqui, responsável de projectos da Fundação AIS, afirmava que os grupos jihadistas estavam a transferir do Médio Oriente para a região do Sahel o plano para a edificação de um Califado Islâmico. “E o seu objetivo – disse – é eliminar todos os vestígios do Ocidente na região, isto é, a educação, a liberdade religiosa e assim por diante…”

Três meses antes, uma equipa da Fundação AIS visitava alguns dos locais para onde fugiram as populações mais ameaçadas pela violência. Alessandro Monteduro, director do secretariado italiano da Fundação AIS, e um dos elementos da equipa que se deslocou a África, dizia que se estava já perante uma situação semelhante à que ocorreu no Iraque com a comunidade cristã.

“Somente na província de Dori, 110 aldeias foram abandonados”, descrevia Alessandro Monteduro, após ter estado em quatro campos de refugiados na região de Kaya, no norte do país. Em Pazani, nos arredores da capital Ouagadougou a equipa da Fundação AIS deparou-se com centenas de pessoas que fugiram dos terroristas. “É uma enorme crise humanitária.”

A fuga das populações tem criado um vazio que dificilmente será ocupado nos tempos mais próximos. O medo afasta as pessoas e sem condições de segurança eficazes as aldeias tornar-se-ão lugares fantasma que representam o triunfo do terror. Escreveu Monteduro no final da visita do ano passado, que “mais de 2.300 escolas estão fechadas”. “Mais de 325 mil crianças não vão à escola e mais de 10 mil professores são afectados pela insegurança causada pelo terrorismo jihadista.” Uma situação que o director italiano da Fundação AIS classificou como sendo “uma enorme tragédia”.

PA | Departamento de Informação da Fundação AIS | info@fundacao-ais.pt

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