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Relatórios

MOÇAMBIQUE

Apoiar Campanha
30 novembro 2009

 

 

 LEVANTA-TE ÁFRICA!

 

Conhecida como uma terra que procura fugir das injustiças e das guerras, África é também o continente do amor, da solidariedade e do compromisso pela paz e reconciliação. A Igreja em África evidencia um dinamismo sem precedentes no crescimento das vocações e nas muitas actividades católicas no campo da assistência social, da saúde e da educação. Recentemente, uma equipa da Fundação AIS visitou Moçambique e encontrou uma Igreja jovem, alegre e acolhedora, onde o serviço desempenhado pelos fiéis leigos é fundamental. Encontrou comunidades cristãs profundamente empenhadas no trabalho de evangelização e acompanhamento dos milhares de catecúmenos que todos os anos entram na Igreja. Mas também viu a pobreza e o grande sofrimento de uma Igreja sacrificada, cujos cristãos são privados dos sacramentos e da assistência pastoral por causa da falta de padres. Num país com mais de 20 milhões de habitantes e uma área oito vezes maior que Portugal, a Igreja de Moçambique tem pela frente inúmeros desafios. 

 

O ISLÃO ESTÁ A TOMAR CONTA DE ÁFRICA

 

No Norte de Moçambique, a forte influência muçulmana proveniente da vizinha Tanzânia, torna o trabalho da Igreja muito difícil. Contudo, a presença dos cristãos faz-se notar através do serviço no campo da educação e da saúde. Infelizmente há uma espécie de discriminação encapotada e quem precisar de emprego só consegue um contrato de trabalho se for muçulmano. Os rapazes são incentivados a casar com raparigas cristãs que, depois do casamento, se tornam muçulmanas. As jovens muçulmanas estão proibidas de casar com os cristãos, o que significa que o ambiente é favorável ao crescimento dos muçulmanos e bastante hostil à presença e desenvolvimento do Cristianismo. A islamização do país está a ser realizada de uma maneira sistemática com grandes ajudas financeiras vindas dos países árabes, através do Banco Islâmico. Existe um programa agressivo de construção de mesquitas ao longo das principais vias de comunicação que, para além do seu aspecto funcional, representam também um s bolo muito forte da presença do Islão. O povo simples entende melhor estes símbolos do que qualquer outro tipo de discursos.

 

FALTA DE PADRES

 

Em Moçambique existem apenas 203 padres diocesanos, 95% dos quais se dedicam ao ensino. O envolvimento destes padres na vida secular é o maior desafio da Igreja em Moçambique. Os padres não recebem salário e “são obrigados” a ensinar nas escolas públicas para garantirem o seu sustento, mas passam mais tempo na escola do que na igreja. Esta situação faz com que cada vez mais descuidem o trabalho pastoral para se dedicarem ao ensino. Contudo, quem mais sofre com esta situação são as comunidades cristãs, obrigadas a viver sem sacramentos nem assistência espiritual. Um outro desafio para o trabalho pastoral tem a ver com os meios de transporte. As distâncias entre paróquias são muito grandes e podem chegar a mais de 100 km. Os padres não têm carros e os ministros da comunhão andam vários dias para poderem levar a Eucaristia às comunidades do interior. Descobrimos, estupefactos, que numa das dioceses com 18 paróquias havia apenas um carro velho. Gostaríamos de ajudar, mas os preços são muito elevados por causa dos  mpostos, visto que um carro é taxado como um «produto de luxo». Por causa das distâncias, a evangelização através das ondas de rádio é muito importante. A maior parte das dioceses tem uma rádio e os resultados são excelentes porque as pessoas ouvem muito a rádio e têm o costume de se juntarem para a ouvir em grupo. A emissão é feita nas línguas locais e a programação, realizada por jornalistas e voluntários, inclui temas actuais de interesse público. A maior parte das dioceses carece de material impresso e não existem muitos livros litúrgicos, nem Bíblias ou catecismos. Por esta razão, foi-nos pedida ajuda para a tradução e impressão da Bíblia nas várias línguas locais. Brevemente estará concluída a primeira tradução da Bíblia para Crianças na língua maconde e a segunda edição na língua macua, sempre com o apoio da Fundação AIS.

 

AJUDA  2000 - ABRIL 2009

Formação, bolsas                 533.304,96 €
Construção                         944.912,39 €
Meaios de transporte            306.491,62 €
Ajuda de subsistência           46.672,73 €
Pastoral, formatção              224.273,40 €
Emergência                         115.500,00 €
Bíblias, impressão de livros, … 64.607,19 €
Estipêndios de Missa             281.370,00 €


TOTAL 2.517.132,29 €

 

QUELIMANE

 

O Seminário Propedêutico Santo Agostinho de Quelimane acolhe 90 seminaristas mas as sua instalações são claramente insuficientes para a vida do seminário. O Reitor do seminário falou-nos das necessidades mais urgentes: a substituição da canalização e instalação sanitária, a construção de um novo dormitório e a criação de uma biblioteca.

 

JECUA

 

Em Jecua, na Província de Manica, junto à fronteira com o vizinho Zimbabué, está o Seminário Diocesano de S. Carlos Luanga, onde trabalham os Missionários de Guadalupe de origem mexicana. O Reitor, P. Joaquin Toris Acosta, mostrou-nos as obras de construção do novo seminário que estão a correr bem, mas ainda falta muita coisa. Pedem, encarecidamente, o nosso apoio para poderem oferecer alguma dignidade aos jovens que se preparam para o sacerdócio.

 

Quando rezamos pelas vocações, Deus dá-nos a oportunidade de colaborarmos para a promoção e o sustento dos candidatos ao sacerdócio e à vida religiosa. Deus dá-nos a oportunidade de os ajudarmos. Aqui está uma óptima oportunidade de apoiar os seminários de Moçambique!

 

O BOM SACERDOTE DE NETIA

 

O bom sacerdote de Netia António Gasolina provinha de uma família muçulmana, frequentou uma escola católica, foi baptizado e sentiu vocação para o sacerdócio. Mas só na missa nova revelou o seu segredo, na homilia. Quando o pai estava no leito de morte, António participou-lhe que queria ser padre católico e o pai disse: «Aprovo com uma condição. Tens que ser um bom padre.» E quando António teve que partir para o seminário, mas não querendo deixar sozinho o pai moribundo, este voltou a tomar a palavra: «Vai! Se não fores, ficamos ambos a perder. Eu morro de qualquer maneira e tu perdes a vocação e destróis a tua vida.» António foi para Maputo, para o único seminário de Moçambique. Aí estudam actualmente 125 candidatos ao sacerdócio. De momento, existem só 203 padres diocesanos, número insuficiente para um grande país que tem mais de 4,5 milhões de católicos (24% da população). O próprio António trabalha como padre na Paróquia de Netia, Diocese de Nacala, no Norte de Moçambique. Aí vive a sua mãe, que entretanto também foi baptizada. A ui ele quer construir um centro para catequistas. Estes são especialmente necessários para colmatar a falta de padres na evangelização. Tais centros têm tradição em Moçambique e têm os seus intercessores no céu. Na verdade, durante a guerra civil (1976 – 1992) morreram como mártires muitos catequistas e suas famílias, nesses centros. Tal como a maioria dos padres diocesanos, António não tem meios e depende dos estipêndios de missa. Para garantir o seu sustento, tem que exercer várias profissões. O Padre António quer ser um bom padre. Tem esperança. Graças à vossa ajuda já vê o centro florescer.

 

UM BOM INVESTIMENTO

 

Num contexto de crise económica mundial, as palavras aposta e investimento transportam um sentido de actualidade. Do ponto de vista espiritual, este investimento torna-se «tesouro acumulado no céu, onde a traça e a ferrugem não o corrompem». Formar um seminarista significa ajudar a desenvolver uma comunidade através da formação humana e espiritual, através do desenvolvimento económico e social. Se nos lembrarmos que eles vão rezar por nós já hoje, e também amanhã e no futuro, através da celebração da Eucaristia, então este investimento nunca pode ser subestimado nem deve ser considerado um desperdício.

 

 

Caso pretenda receber gratuitamente este relatório, basta fazê-lo por e-mail ou telefonar para 

21 754 4000.

 

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