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MOÇAMBIQUE: Cristo em Pedaços

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1 fevereiro 2022
Moçambique_A madeira da casa queimada de um cristão foi transformada numa cruz especial

É difícil esquecer o ataque de Novembro de 2020 à missão católica de Nangololo, no distrito de Muidumbe. Foi, seguramente, um dos ataques mais violentos que já aconteceram na Diocese de Pemba, em Cabo Delgado, desde que os jihadistas iniciaram o seu reino de terror em Outubro de 2017. A missão ficou destruída.

Praticamente nada foi poupado, nem a igreja, nem as estruturas da paróquia, nem as casas dos cristãos. Durante o ataque ocorreu também um verdadeiro massacre de cerca de meia centena de jovens num campo de futebol em Muatide. As execuções, pelos terroristas, terão ocorrido entre os dias 6 e 8 de Novembro. Relatos de sobreviventes falam na “agonia” de mais de 50 pessoas decapitadas. Praticamente todos os que viviam na região de Muidumbe tiveram de refazer as suas vidas noutros lugares, ou em campos de reassentamento, ou em aldeias junto de familiares e amigos.

O Pe. Edegard Silva, um missionário saletino brasileiro, também está agora noutra paróquia, noutra missão. Mas a sua memória dificilmente irá esqu cer a tragédia que se abateu naqueles dias de Novembro sobre Muidumbe.

ESPAÇO DE ORAÇÃO

O Pe. Edegard está agora em Mieze, na Paróquia de Nossa Senhora do Carmo, onde criou um espaço muito especial de oração.Junto à entrada da igreja, num terreiro, nasceu um local para os cristãos rezarem a Via Sacra e um outro para o Terço Missionário. São dois espaços abertos, sem portas, onde todos são convidados a estar, a participar, a unir a sua voz à voz dos Cristãos em todo o mundo. Sempre que rezam a Via Sacra, os cristãos de Mieze recordam a violência que se abateu sobe Muidumbe e todas as aldeias, vilas e cidades que já conheceram o horror da guerra, da violência e morte em Cabo Delgado.

LEMBRAR A VIOLÊNCIA EXTREMA

No ataque de há um ano no distrito de Muidumbe, muitas casas de cristãos foram queimadas, tal como a igreja, a residência dos padres e a das irmãs, e as instalações da rádio comunitária de Nangololo, a segunda missão católica mais antiga na Diocese de Pemba. Foram gestos de violência extrema, mas também e intolerância absoluta.

Da madeira queimada de uma dessas casas, nasceu agora uma cruz que representa todo o sofrimento dessa comunidade, mas que é também um sinal de paz, de esperança e de amor.

Da madeir quemada nasceu esta cruz que representa todo o sofrimento dessa comunidade “A cruz foi feita da madeira queimada da casa de um cristão e o Cristo está em pedaços, porque, na verdade, nós queremos lembrar a situação de tantas pessoas, de tantos homens, mulheres e crianças que tiveram os seus corpos decapitados. Por isso, o corpo, as pernas, s braços e a cabeça de Cristo estão separados, pois expressam a realidade de tantas pessoas aqui nesta guerra de Cabo Delgado”, explica o Pe. Edegard Silva à Fundação AIS.


A cruz de madeira queimada com o Cristo em pedaços é o elemento central da oração da Via Sacra, que acontece num espaço pequeno, construído com estacas de madeira entrançada e coberto de colmo, tal como todas as casas das aldeias nesta região. À entrada, num letreiro pequeno, pode ler-se que aquele é “o rosto de Jesus em Cabo Delgado”.


SOFRIMENTO DO POVO

Mesmo ao lado, num terreno aberto, com um terço gigante desenhado nochão de areia, pretende-se lembrar também, diz ainda o Pe. Edegard, “a dimensão mariana da Igreja e a solidariedade de tantas partes do mundo”. Reza-se muito em Pemba, reza-se muito em Cabo Delgado, em Moçambique. A oração de um povo oprimido pela violência traduz também a vitalidade de uma Igreja que, sendo pobre materialmente, é muito rica em vocações, em fraternidade, e que é, por tudo isso, um exemplo para o mundo.

O PODER DA ORAÇÃO

“É uma realidade bonita que em todas as Missas se faça sempre a oração pela paz em Moçambique e no mundo. O Terço abre-se para o mundo, é o Terço Missionário, e quando nós estamos a rezar, fazemo-lo pela paz em todos os continentes, pela solidariedade, e por nós também. Quando estamos a rezar as dores, não queremos só rezar as dores de Cabo Delgado, mas também as dores do mundo, as cruzes do mundo”, explica o missionário saletino.

São mais de três mil mortos e mais de 850 mil deslocados. Quando se reza pela paz, há sempre alguém em concreto que é lembrado, histórias que aconteceram, pessoas que perderam a vida, famílias que se viram espoliadas de tudo o que possuíam.


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Francisco Faustino, o Chico, perdeu tudo…Mas a pior perda foi a do seu filho mais velho, degolado pelos jihadistas. Vive agora como refugiado em Pemba. Com a ajuda da Fundação AIS recebe apoio psicossocial e ajuda para recomeçar de novo…

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