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LÍBANO: Um Lugar de Misericórdia

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8 novembro 2022
Um Lugar de Misericórdia

A Irmã Maguy não tem alternativa. A sua escola é um oásis no caos em que se transformou o Líbano. A pobreza é tanta e a miséria é tão profunda que a escola se transformou, praticamente, no único lugar onde as famílias têm a certeza de que os seus filhos não passam fome. A Irmã Maguy pede-nos ajuda para continuar a acolher, todos os dias, as crianças mais pobres da comunidade cristã. A escola da Irmã Maguy transformou-se num lugar de misericórdia…

Estes são, provavelmente, os dias mais difíceis da vida da Irmã Maguy Adabachy, das Missionárias do Santíssimo Sacramento. Ela é uma das responsáveis pela gestão das escolas da congregação no Líbano. É o caso da escola em Beit Habbak, que fica numa aldeia, perto de Jbeil. Por lá andam 1420 crianças. Parece uma escola normal para rapazes e raparigas, que nos intervalos das aulas enchem os recreios de gritos, de corridas, de brincadeiras. Mas esta escola, como quase todas as outras do Líbano, atravessa um tempo muito delicado, talvez o mais difícil da sua história. Com o colapso da economia do país, com os bancos fechados, a inflação a devorar as economias das famílias, com o preço dos bens essenciais, como o pão, a galopar para valores proibitivos, a escola passou a estar também em perigo.


SER JESUS ALI, NO COLÉGIO


A Irmã Maguy não sabe como manter as portas abertas todos os dias. Mas se ela desistir, se ela deixar de ser capaz de o fazer, então a tragédia ganha contornos ainda mais dramáticos. É que muitas das crianças, a esmagadora maioria dos rapazes e raparigas que frequentam a escola não têm praticamente nada para comer em suas casas. A escola é uma espécie de oásis no deserto em que se transformou o Líbano, mas só o será enquanto a Irmã Maguy conseguir manter abertas as suas portas. “Nesta situação em que o nosso país está a atravessar, não posso dizer ‘não’ a nenhum pobre”, diz a irmã, acrescentando: “Estamos a tentar ser Jesus neste lugar”. É a irmã a falar-nos com o coração nas mãos. Os benfeitores da Fundação AIS em Portugal e um pouco por todo o mundo são a sua maior esperança. Ela não pode falhar. A Igreja está comprometida no acolhimento aos que estão numa situação mais desesperada neste momento no Líbano. Ao garantir uma refeição às suas crianças, ao assegurar o salário dos professores, ao conseguir pagar a conta, por vezes astronómica de electricidade ou de gás, a irmã está a dar uma ajuda inestimável a centenas de famílias que já não conseguem comprar sequer o pão para o dia-a-dia.


PROMESSA DE AMOR


A escola da Irmã Maguy transformou-se num lugar especial onde acontece todos os dias a promessa do Evangelho. “Este lugar serve para dar misericórdia a quem quer que venha até nós”, diz a irmã com uma simplicidade desarmante, como se tudo o que ela faz, o que as religiosas fazem por ali não fosse enorme, gigantesco, quase um milagre. “Tenho um desafio”, explica a irmã, olhando directamente para nós. “Tenho de arranjar dinheiro no final do mês para pagar aos professores, para o combustível dos autocarros, para poderem transportar as crianças.” Mas este desafio traz consigo uma angústia enorme. É que, se falhar, se não conseguir esse dinheiro, tudo pode desmoronar-se num instante. E a irmã nem quer pensar no que isso pode significar.
“Não sei se no final do mês há dinheiro para alimentar os alunos mais pobres”, diz a irmã, com um realismo absoluto. O desafio é gigantesco. Cada dia é uma luta, uma nova batalha, uma guerra que é preciso vencer. O desafio é mesmo gigantesco até porque a escola não cobra nada às famílias que caíram já na miséria. “Não lhes pedimos dinheiro, ensinamo-los gratuitamente e alimentamo-los e às suas famílias também”, explica ainda a Irmã Maguy.


SEM ALTERNATIVA


Dito assim, parece que tudo se resume a dinheiro. Parece que a irmã é mais uma contabilista do que uma religiosa. Falta dinheiro para pagar aos professores, falta dinheiro para comprar os alimentos, os cadernos e os lápis, falta dinheiro para os combustíveis, para a electricidade, que está cada vez mais cara, falta dinheiro para o gás, para tudo. Falta dinheiro, sim, mas não falta amor. E isso, diz a irmã, é algo que abunda por ali, pelo colégio. É algo que se vê, que se pressente no rosto de cada irmã, no esforço de quem se gasta todos os dias para que as crianças possam continuar a sorrir, para que as famílias possam ter alguma coisa para comer, para que ninguém desista de viver. “Estou muito feliz por conhecer a Fundação AIS, estou muito feliz por ver que Deus não nos abandona através da AIS. Obrigado.” Agora é connosco. A Irmã Maguy precisa da nossa ajuda para que o seu colégio continue de portas abertas. Ela não tem alternativa.
   
> Com 45€/mês podemos dar futuro a uma criança do Líbano.

Podem contar consigo?


 






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