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Boletim

BOLETIM 3: Martírio

1 abril 2020
BOLETIM 3: Martírio
Queridos amigos,

Até há poucos anos, mal se usava a palavra “mártires”. Infelizmente, hoje em dia, esse termo tornou-se mais actual devido à onda mundial de atentados suicidas. Pior ainda: o terrorismo islâmico associou ao termo um significado distorcido e aterrador. O significado cristão do “martírio”, pelo contrário, aponta para uma mensagem completamente diferente.

Homens, mulheres e até crianças a quem veneramos como mártires não procuravam de forma alguma a morte. Pelo contrário, amaram a vida até ao fim. Mas deram provas também da imensa liberdade interior que dá a fé em Cristo. Com a certeza de que o amor de Deus é mais forte do que a morte, não tiveram medo do poder mundano que lhes queria roubar Deus, nem do ódio nem de qualquer outro mal. Aceitaram a morte com a fé inabalável de que a entrega da sua vida pela verdade serviria à salvação do mundo. A Igreja foi, é e será sempre uma Igreja de mártires – também no séc. XXI. Precisamente no nosso tempo precisamos de pessoas corajosas, heróicas, que se oponham ao ódio e à vingança.

“O amor, que está preparado também para o martírio sangrento, renova e anima a Igreja.”
Mas donde vem a coragem heróica dos mártires? Alcança-se no dia-a-dia, através da aceitação de muitas pequenas “alfinetadas”. Com cada pequeno sacrifício, com cada superação pessoal, com cada decisão por Cristo, cresce em nós a coragem e a força de amar a Deus acima dos nossos próprios interesses. Assim, participamos na Cruz de Cristo, o maior sacrifício de amor, e aprendemos a amar como Ele nos amou. Este amor, que também está preparado para o martírio sangrento, renova e anima a Igreja. Um exemplo comovente deste amor heróico é o do ministro paquistanês para as minorias, Shahbaz Bhatti, que foi assassinado a 2 de Março de 2011 pelo empenho com que defendeu os Cristãos perseguidos. Antevendo a sua morte, escreveu no seu testamento espiritual: “Propuseram-me honrarias e cargos governamentais para eu desistir da minha luta. A minha resposta foi sempre a mesma: não! Quero servir Jesus como qualquer pessoa. Esta entrega faz-me feliz. Não quero nem popularidade, nem cargos de poder. Só quero um lugar aos pés de Jesus. Quero que a minha vida, o meu carácter, as minhas acções mostrem que sigo Jesus Cristo. Este desejo é tão grande em mim que seria para mim uma distinção se Jesus aceitasse o sacrifício da minha vida em defesa dos que sofrem, dos pobres e dos Cristãos perseguidos do Paquistão.”

Queridos amigos, é a estes heróis da fé que se destina a nossa campanha quaresmal deste ano. A maioria deles vive clandestinamente, como testemunhas silenciosas da grande causa de Deus. Mas a nós dão coragem e bênçãos. Mostremos-lhes também o nosso amor, para que se saibam acompanhados na sua luta.

Abençoa-vos, grato, o vosso

P. Martin Maria Barta
Assistente Espiritual

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