Fundação de Ajuda à Igreja que Sofre - Fundação AIS
Rua Professor Orlando Ribeiro, 5D 1600-076 Lisboa, Portugal
(+351) 217544000 apoio@fundacao-ais.pt Fundação AIS 1995
Lisboa
https://fundacao-ais.pt/uploads/seo/big_1585926010_1526_logo-jpg
15 10
505152304

Boletim

BOLETIM 2: Religiosos

15 fevereiro 2020
BOLETIM 2: Religiosos
Queridos amigos,

Na narrativa da Paixão do Senhor, o evangelista Lucas refere também os dois malfeitores, que foram crucificados à direita e à esquerda de Jesus. Um troça do Senhor e ofende-O, mas o outro repreende-o e diz: “Nem sequer temes a Deus?… Quanto a nós, fez-se justiça, pois recebemos o castigo que as nossas acções mereciam; mas Ele nada praticou de condenável.” Depois, após uma breve pausa, o segundo malfeitor volta-se para Jesus e pede-Lhe: “Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino!” (cf. Lc 23,39-43).

São poucas as palavras que este homem profere, mas são elucidativas e comoventes. Manifestamente uma luz iluminou a alma dele, pois percebeu quem era o Crucificado. Donde lhe veio essa luz repentina? Talvez anteriormente esse malfeitor tivesse sido um homem bom. Pelo menos há-de ter feito uma ou outra boa acção. Pode ter sido isso o que o salvou. Pois Deus não esquece. E quer que vamos para o Céu. Esta ternura e bondade do Pai do Céu devem servir de estímulo para nós, para praticarmos ainda mais obras de misericórdia.

“Esta ternura e bondade do Pai do Céu devem servir de estímulo para nós, para praticarmos ainda mais obras demisericórdia.”

Não há outra explicação para perceber as diferentes histórias dos dois ladrões. A luz da Graça que converteu um deles à fé também fez nascer nele a fonte do amor, fazendo brotar dela o arrependimento e a compaixão. É desse coração iluminado que ele diz: “Jesus, lembra-te de mim, quando estiveres no teu Reino!” É espantoso como a alma deste ladrão arrependido foi arrebatada neste breve episódio. Sobretudo o facto de ele ter podido pedir os frutos da Redenção ainda antes de estar consumado esse santo sacrifício.

“Ainda hoje estarás comigo no Paraíso” – a resposta de Jesus é uma proclamação majestática; ressoa até aos nossos dias. Jesus teria podido soltar as mãos e os pés da Cruz, mas permaneceu nela. A Sua imagem será sempre a do Crucificado. Como Crucificado, pronuncia as mais majestosas e solenes palavras de absolvição. Diante dos olhos dos dirigentes do povo, que troçavam dele, Ele absolve um ladrão e dá-lhe a vida eterna. Que acto de realeza! Também nos faz ajoelhar a nós.

É verdade que na Quaresma – e não só nesta quadra – contemplamos a Paixão de Jesus: as chagas, os cravos, o sangue, a coroa de espinhos, a lança. Mas também devíamos ter presente a realeza do Crucificado. A Sua natureza humana estava plena de saber divino, Ele sabia tudo e conhecia os corações das pessoas. Inclinemo-nos diante desta Majestade, pois também nós precisamos do Seu perdão e da Sua misericórdia para entrar no Seu Reino. Abramonos ao dom do amor divino para o podermos dar também aos outros!

Cardeal Mauro Piacenza,
Presidente da AIS

Comentários

Deixar um comentário
Os campos assinalados com * são de preenchimento obrigatório.
Os cookies ajudam-nos a oferecer os nossos serviços. Ao utilizar a nossa página, concorda com a nossa política de cookies.
Saiba Mais