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Boletim

BOLETIM 1: Seminaristas

1 janeiro 2020
BOLETIM 1: Seminaristas
Queridos amigos,

Estamos à beira do Ano Novo de 2020. Mas o que impele, afinal, a humanidade? A música, o cinema e a arte são dominados pela temática do amor. O amor romântico, físico e livre é cantado e ilustrado de mil maneiras como sendo a maior força impulsionadora. O Cristianismo, pelo contrário, – considerava Friedrich Nietzsche – dera a beber veneno a “Eros”; este, muito embora não tivesse morrido, degenerara num vício. É esta também a ideia dominante da sociedade actual: a de que a Igreja é hostil ao corpo e à sexualidade; de que a abstinência leva à neurose; e de que o celibato é perverso e hipócrita, devendo ser abolido.

Sim, a concepção cristã do amor e a moral sexual da Igreja são uma provocação para o mundo. No entanto, entre os primeiros cristãos foram sobretudo o amor fraterno e a pureza dos costumes que impressionaram os pagãos e os levaram a converter-se. Este modo de vida dos cristãos representava para eles algo de “invulgar e incrível”, que anteriormente consideravam impossível. De facto, os primeiros cristãos ficaram entusiasmados com o ideal do celibato e da virgindade, que deu um grande estímulo à fidelidade conjugal e ao reconhecimento de que homem e mulher têm igual valor. Este novo modo de vida opunha-se totalmente aos costumes antigos.

“O celibato é um sinal de que o padre é chamado em primeira linha a um seguimento especial e pessoal de Cristo.”
Em última análise, a “lógica“ de fundo do celibato assenta, tal como no matrimónio, não em argumentos pragmáticos mas em Deus, que é amor e que também se revela como verdadeiro amor. É um amor que se dá definitiva e totalmente, que está sempre presente. Quem não acreditar neste amor total, terá dificuldades em compreender o celibato – e também o matrimónio. Já em 1968, Karl Rahner comentou acertadamente: “A actual crise do celibato tem muitas razões… Mas se não quisermos enganar-nos a nós próprios, teremos que admitir que a razão mais profunda desta crise reside na falta de fé. Vivemos num tempo em que a realidade de Deus e da vida eterna é dificilmente aceite pelo homem. Vivemos num tempo caracterizado por palavras de ordem como “desmistificação”, “dessacralização” e pela tendência de reduzir todo o Cristianismo a meras relações humanas.”

A Igreja, claro, representa o serviço caritativo, a humanidade. Mas este anda sempre a par com o testemunho dos mártires, bem como com o “martírio branco“ do celibato. O celibato é um sinal de que o padre não é chamado apenas a uma tarefa, a uma função, mas em primeira linha a um seguimento especial e pessoal de Cristo para O “representar” como cabeça e noivo da Igreja. A entrega pessoal, o “sacrifício” de si mesmo a Deus, verdadeiro amor que tudo move e aperfeiçoa – é isso o que representa o celibato.

Queridos amigos, que a nossa primeira e mais profunda motivação resida sempre no puro amor.

P. Martin Maria Barta
Assistente Espiritual

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