Sofrimento inimaginável e condições desumanas foram denunciados pelo Padre Andrzej Halemba e Ulrich Kny, da organização católica internacional Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), que estiveram em Angola durante duas semanas e puderam visitar alguns dos campos de refugiados na cidade de Damba, no Norte do país lusófono.
O Governo da República Democrática do Congo (antigo Zaire) e a vizinho República do Congo, promoveram a expulsão de cidadãos angolanos que viviam há décadas nestes países. O método das autoridades foi considerado como brutal: em muitos casos, a polícia e grupos civis chegaram sem aviso prévio e ordenaram ao povo angolano que saísse do país imediatamente.
A crise teve o ponto alto na primeira quinzena de Outubro de 2009, na sequência da expulsão, pelas autoridades angolanas, de congoleses das regiões de minas de diamantes, grande parte em situação ilegal no país. A RDC retaliou com a expulsão dos angolanos.
A Organização Mundial de Saúde, o Unicef, a Organização da ONU para a Agricultura e Alimentação (FAO), a Igreja Católica e as autoridades angolanas mobilizaram recursos para minorar o impacto social e económico dos milhares de repatriados na sociedade angolana.
Histórias sofridas
Os trabalhadores angolanos foram demitidos e os alunos expulsos das escolas. Milhares de pessoas foram forçadas a voltar imediatamente para Angola, sem ao menos poderem reunir os seus poucos haveres.
As famílias foram dilaceradas neste processo e as crianças deixadas para trás, sozinhas, incapazes de encontrar os seus pais na confusão impiedosa. Aqueles que se casaram com congoleses tiveram que se separar e viver sem o cônjuge.
Muitas vezes os refugiados, incluindo grávidas, idosos e doentes, foram obrigados a viajar aproximadamente 900 quilómetros a pé, informaram os dois representantes da AIS.
Ambos contaram a história de uma mulher que, após uma cirurgia nas costas, foi obrigada a andar mais de 100 quilómetros a pé. Outras mulheres deram a luz enquanto regressavam para Angola, no meio da estrada.
Um rapaz de 15 anos chegou a um dos campos de refugiados com os pés em sangue, depois de andar dias. Muitas pessoas chegaram aos campos de refugiados sem ter comido nada durante dias.
As duas dioceses angolanas do Uíje e Mbanza Congo, enfrentaram o desafio de ajudar milhares de refugiados famintos, exaustos e em muitos casos gravemente doentes. Por exemplo, no município de Damba foram criados cinco campos de acolhimento, mas devido às fortes chuvas, as condições do solo em que as tendas foram montadas eram completamente catastróficas.
Ulrich Kny relata: "Alguns dos refugiados tentaram continuar a seguir em frente, com os seus parentes, para outras aldeias. Outros não têm qualquer ideia para onde ir, as suas aldeias foram totalmente destruídas durante a guerra civil e todos os seus familiares fugiram. Outros ainda foram recusados pelos seus familiares e acabaram por regressar, ainda mais profundamente feridos, a um dos campos de acolhimento".
Os bispos das dioceses de Uíje e Mbanza Congo apelaram à AIS para ajudar os refugiados.
Departamento de Informação da Fundação AIS - info@fundacao-ais.pt