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22-1-2010

Seminaristas abandonados e igrejas destruídas no Haiti


Os seminaristas do Haiti ficaram abandonados depois do terramoto ter destruído o seu seminário e, no meio do pânico, tiveram de encontrar um sítio para abrigar-se.


No seminário nacional de Port-au-Prince, antes do sismo, havia cerca de 250 estudantes. A organização católica Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), que já enviou uma ajuda aos mesmos num valor de 100 mil dólares, informou que no país morreram pelo menos 30 seminaristas, diocesanos e religiosos.


No dia 17 de Janeiro, o bispo de Fort-Liberté, D. Chibly Langlois, numa mensagem enviada à AIS, revelou o que encontraram as pessoas que ele enviou para recolher 16 seminaristas na capital.


"Um dos seminaristas tinha passado dois dias e meio sob os escombros. Outro estava ferido. Outros três estavam em estado de choque e precisavam de tratamentos particulares. Enviei dois seminaristas para a República Dominicana, para que se submetam a exames médicos impossível em Fort-Liberté", indica.


"Além disso, os seminaristas não puderam recuperar nada do que possuíam. Isso significa que, da nossa parte, é necessário não somente oferecer assistência médica, mas também ajuda financeira, para que possam comprar roupa e outros bens de primeira necessidade", acrescenta D. Chibly Langlois.


O coordenador dos projectos da AIS na América Latina, Xavier Legorreta, explica que o montante servirá para ajudar os seminaristas quando estes chegarem às suas dioceses, dado que "não têm absolutamente nada" após a destruição dos seminários.


Esta ajuda aos seminaristas soma-se a um primeiro donativo de 70 mil dólares, destinados a intervenções de emergência. Em breve, a AIS destinará mais ajudas ao Haiti, coordenando a sua acção com o Núncio Apostólico no Haiti, D. Bernardito Auza.


À AIS chegou uma lista que regista as perdas mais graves da Igreja no país. Praticamente todas as 80 paróquias da arquidiocese de Port-au-Prince e as suas capelas (cerca de quatro por paróquia) foram destruídas.

 

Legorreta está a preparar uma missão da Ajuda à Igreja que Sofre no Haiti nas próximas semanas, para analisar como é possível responder à situação dos seminaristas, assim como a outras necessidades dramáticas da Igreja no país.

 

Xavier Legorreta destaca que "a ajuda humanitária está a chegar. Salvar-se-ão vidas, curar-se-ão os feridos, sepultar-se-ão os mortos. Mas não devemos esquecer que 99% da população do Haiti é católica. Estes fiéis vão precisar do seu Arcebispo como pastor, assim como dos seus pastores que acompanham as comunidades. Ser católico e ser crente no Haiti é mais importante que outras coisas".


"A Arquidiocese de Port-au-Prince, com cerca de três milhões de habitantes, é católica e precisa de pastores. Infelizmente, muitos sacerdotes e religiosas perderam a vida, por isso a Igreja tem que estar presente no cenário da catástrofe. Na Arquidiocese há cerca de 300 sacerdotes (diocesanos e religiosos). Um exemplo: a Arquidiocese de Port-au-Prince tem oitenta paróquias, cada uma com aproximadamente quatro capelas. Estamos a falar de 320 capelas! Há que ter em conta que este terramoto também destruiu grande parte delas".


Legorreta acrescenta que "a nossa Obra deverá levar muito a sério a ajuda aos sacerdotes que acompanharão e consolarão estes fiéis que perderam os seus familiares. Poderão fazer isto nas capelas. Estamos a falar da reconstrução de cerca de 150 lugares sagrados. Para isso, solicitaremos a ajuda dos benfeitores da AIS e a atenção das necessidades de centenas de sacerdotes e religiosas".


Departamento de Informação da Fundação AIS - info@fundacao-ais.pt









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