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14-9-2009

A Igreja Católica nos desertos da fé


Dois países muito diferentes, na Ásia central, partilham um passado recente como repúblicas soviéticas, sob domínio comunista, sendo hoje ambos nações de maioria islâmica: Cazaquistão e Tajiquistão são mais do que nomes exóticos, albergando uma realidade social e eclesial muito diversa no seu seio.


Sendo locais onde a presença católica é minoritária e muito marcada pelo testemunho pessoal de cada fiel, a acção da Igreja nestes desertos de fé acaba por dar frutos notáveis para a mentalidade ocidental. Frutos que surgem no meio dessa imensidão que é a estepe cazaque e nesse deserto, para nossa fé, que é o Tajiquistão, onde apenas se encontram 100 católicos. Deus está entre eles. As suas comunidades são os frutos do deserto.


Cazaquistão
Superfície: 2.724.900 km2
População: 15.872.000
Católicos Baptizados: 400 mil
Capital: Astana
Presidente: Nursultan A. Nazarbayev
Independência: 16 Dezembro 1991


Cerca de 360 mil católicos de rito latino vivem neste país, mas há ainda uma significativa comunidade de católicos de rito oriental. As diversas confissões religiosas vivem pacificamente, em mútua tolerância, já que todas elas sofreram as perseguições comunistas. De facto, quase todos os grupos étnicos nasceram como consequência das deportações, sob o regime de Estaline. Foram uma fonte de mão-de-obra barata para os centros mineiros, industriais e rurais.


Os deportados católicos estiveram debaixo de perseguição constante, mas mantiveram sempre uma fé viva e muitos deles morreram mártires, sempre leais à sua fé. Como atestam vários documentos, os católicos eram acusados de ser inimigos do povo, por serem aliados do Vaticano.


Pode dizer-se que uma parte importante da actual população católica do Cazaquistão é formada por descendentes de quem sobreviveu a esta cruel perseguição. Actualmente, as circunscrições eclesiásticas neste país são: Arquidiocese de Santa Maria, em Astana, liderada pelo Arcebispo Tomash Peta; Diocese da Santíssima Trindade, em Almaty, presidida por D. Henry Howaniec, ofm; Diocese de Karaganda, regida pelo Arcebispo Jan Pavel Lenga, que conta com um auxiliar, D. Atanasius Schneider; administração apostólica de Atyrau, com o Bispo Yanus Kaleta.


No Cazaquistão trabalham, actualmente, cerca de 90 sacerdotes e 120 religiosas. Há dois mosteiros de Carmelitas contemplativas e algumas outras ordens femininas, como as Franciscanas, em Almaty e Karaganda ou as Servas do Senhor e da Virgem, em Shymkent. Em Oziornoye existe um convento de clausura beneditino, no qual vivem dois monges.


João Paulo II foi o primeiro Papa a visitar o território, em Setembro de 2001, lembrando nessa ocasisão as "provações de quantos sofreram não só o exílio físico e o aprisionamento, mas também a vexação pública e a violência, por não terem desejado renunciar à sua fé".


"Aqui quero recordar, entre outros, o Beato Oleks Zarytsky, sacerdote e mártir, morto no «gulag» de Dolynka; o Beato D. Mykyta Budka, morto no «gulag» de Karadzar; D. Alexander Chira, que por mais de vinte anos foi o amado e generoso Pastor de Karaganda, e que na sua última carta escrevia: «Entrego o meu corpo à terra, o meu espírito ao Senhor, o meu coração a Roma. Sim, com o derradeiro respiro da minha vida, quero confessar a minha plena fidelidade ao Vigário de Cristo sobre a terra». Recordo ainda o Pe. Tadeusz Federowicz, a quem conheço pessoalmente, e que pode qualificar-se como «inventor» de uma renovada pastoral da deportação", disse, em Astana, o Papa polaco.


Acolher os órfãos
Entre os sacerdotes a viver e trabalhar no Cazaquistão está o Pe. Massimo, missionário italiano que ali chegou com a única intenção de ser um pároco. Nunca antes pensaria que, em apenas 10 anos, iria ser o pai adoptivo de mais de cem crianças órfãs ou abandonadas.


Tudo começou num encontro com uma criança, que contou aos seus amigos a história de um homem que lhe oferecia pão. Em meio ano, a casa paroquial acolhia mais de 10 crianças sem lar, cujas famílias as tinham abandonado à sua sorte, sempre pouca.


Cheirar cola e traficar de tudo, para sobreviver, era o seu destino. As raparigas vagueavam pelas margens do lago de Qapshaghay.


Em volta deste pároco surgiu, assim, uma comunidade de crianças de todas as cores, raças e credos, como este país multiétnico. O complexo inclui hoje cinco casas por onde passaram já centenas de menores.


Tajiquistão
Superfície: 143.100 km2
População: 7.211.884
Capital: Dushanbe
Presidente: Emomali Rahmonov
Independência: 9 Setembro 1991


A representação oficial da Igreja Católica no menor país da Ásia Central reduz-se a uma missão sui iuris - a menor, dentro da Igreja - e a uma casa das Missionárias da Caridade, congregação religiosa fundadas pela Beata Teresa de Calcutá. Não há diocese nem Bispo.


As três missionárias da Caridade mantêm aberto um refeitório para os pobres, no qual distribuem, por dia, cerca de cem pratos de comida quente. Além disso, ensinam costura num espaço para muçulmanas, no qual cerca de 20 a 30 meninas têm ao seu dispor algumas máquinas e a formação oferecida pelas religiosas.


No Tajiquistão, estão localizados apenas duas centenas de baptizados, que se reúnem em pequenas comunidades testemunhais, fundadas no tempo do comunismo soviético por deportados alemães.


A comunidade católica da capital, Dushanbe, conta com cerca de 60 fiéis e é na paróquia de São José que se situa a sede da referida missão sui iuris, cujo responsável máximo é o Pe. Carlos Ávila, nascido na Argentina.


Departamento de Informação da Fundação AIS - info@fundacao-ais.pt









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